Passou o Sto. António e o S. João, e não me parece que tenha havido grandes divertimentos nas ditas festas popuçares. Eu vi, na TV, as marchas descer a Avenida da Liberdade, mas as caras presentes são sempre as mesmas! Os bairros esfalfam-se a tentar divertir-nos nesta anarquia política, todos vão dando umas coroas para manter essa espécie de tradição de conveniência. Linda por acaso, e não sou nem deveria ser contra a que o povo mais triste da Europa, segundo conveniência de uns e dos mais alegres segundo a conveniência de outros, se divirta.

 

Mas as caras dizem-nos tudo. As caras dos padrinhos, as caras nas bancadas, tornam-se tão rotineiras que não me parece que haja outra opção. As bancadas da Avenida foram tomadas de assalto, já há alguns anos, sempre pelas mesmas caras. Não vou falar delas porque todos as conhecem, mas também não sou candidato a destroná-las. Apenas falo delas para vos dizer que são sempre os mesmos a divertir-se. Ou melhor, a aproveitar os divertimentos dos outros!

     Jun,03 027.jpg

 

Olha bem Marquês, como a malta se diverte, e como há tantos a aproveitar-se disso. Mas, eu sei, eu sei, que tu daí também saberás apreciar as festas do nosso S. António.

 

Nas marchas populares de Lisboa houve quem abancasse, tal como na política! Nesta, uma espécie de castas assenhorou-se do prato de lentilhas, só que o raio do prato já só se lhe vê o fundo e lentilha aqui e ali. Lentilhas dera-as Deus! Mas os golutões gulosos olham as lentilhas com olhos esbugalhados não vá alguém fazer rodar o prato para apanhar o máximo. Agora, a cambada do costume parece que não usa garfos para não se espetarem! Serão capazes de não se espetar?? Convido-vos a esperarem e a observar!

 

Mas as minhas recordações estão com o S. João. Era tempo de banho e não calculam como a minha gotinha se desviava da malta! As raparigas tinham mesmo de ir ao rio! Os rapazes levamvam-nas à força. E se não fossem ao rio era no meio da calçada, dos trilhos, da rua que levavam com um recepiente de água pela cabeça abaixo! Pelo S. João não se podia ser mulher em Adrão! Até rima! Mas havia outras nuances!

 

Os carros de bois, também iam ao rio! Era para lhe fazer inchar os eixos! Tenho na mente o ti Brasileiro, um grande amigo meu, mas por azar já entrado na idade e a tentar enfrentar os putos reguilas que nós éramos! Disse-me que o carro dele não iria ao rio pois iria dormir junto dele, no palheiro. E foi mesmo!

Quando íamos buscar o carro, ele mandou uma grande vergastada com a sua vara de carvalho no carro e nós só paramos o mais longe possível. Depois veio a estratégia do Ventor. Era tão simples!

 

"Ele pensa que nós nunca mais lá voltamos, por medo, mas quem tem medo fica em casa e nós ainda estamos cá fora. Seguimos no retrocesso e entramos na corte silenciosos como leopardos à caça. Resultou!

 

O Ti Brasileiro (por ter estado no Brasil), português de Adrão, não segurou as pestanas e convicto que nós não voltávamos, por medo, foi dormir no palheiro no meio do feno. Chegamos e pegamos no carro, silenciosamente, e ele só deu por isso quando já íamos a sair a porta da corte. Já só apanhou o carro no rio, junto à ponte de Adrão, de molho, pois claro! Isto sim, era tradição! Era uma beleza o nosso S. João".

 

Depois, no caso das moças, elas eram muitas vezes protegidas pelas mães. Azar! A água chegava para as duas! Viva o S. João!

PS. - Ainda hoje tenho na retina os raminhos de S. João. Umas florzinhas azuis, redondinhas que nasciam nos socalcos das nossas lavouras. Para minha infelicidade, ainda não foi este ano que fui matar saudades delas!

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

tags:
publicado por Ventor às 22:04