Ao caminharmos para o carro nas Lameiras, olhei à minha volta e escusado será dizer que só encontrei desolação e vinha farto de caminhar sobre cinzas e apavorado por ver os meus montes carbonizados, despidos de tudo e especialmente dos seus gados que, apesar de ser muito menos que outrora, ainda daria para alimentar a avidez de ver correr os garranos pela Naia e vê-los agrupados em volta do Poulo da Ferrada. Queria uma foto de garranos a correr e dize-lhes «go with the wind, and came back».

Mas não. Nada foi possível! Todos os garranos que vi foi da linha de queimada para baixo, caminhando em volta das estradas ou nas estradas. Tristes como eu, por mãos criminosas incendiarem o seu ambiente, as nossas Montanhas Lindas e outros, uma cambada de incompetentes que as deixarem arder.

Não sei se repararam na algazarra que os meios de comunicação fizeram relativamente aos fogos de 2003, 2004 e mesmo 2005. E o silêncio que mantiveram relativamente aos fogos de 2006.

 

Relativamente ao Parque Nacional da Peneda Gerês, um alto responsável despejou, na sua alta sabedoria, que apenas estava a arder a floresta de coníferas de Travanca e o resto era só mato. Esse maltês, apenas tem visto papéis sobre a sua secretária e girando à volta deles, porque se soubesse algo mais que isso, não falaria assim. Recordar-se ia que afinal não seria só mato. Estava a arder também o Ramiscal, os matos onde se acoitavam os lobos, as raposas, diversa passarada e tanto outro animal, bem como os pastos dos garranos, das vacas e outros que, nesta altura do ano andam pelas alturas da serra. Mas esta malta é toda muito limitada. Só têm olho para a política de caserna e da sua conveniência. Continuo com a minha que, esse incêndio nunca deveria ter passado do Mezio para cima. Mas, infelizmente, todos nos atiram com areia para os olhos.

Vejam lá se não apetece mesmo chamar anedotas a essa espécie de gente. Voltaram, há dias, todos para o Mezio para recordar aos portugueses, que em matéria de incêncdios, 2006 foi bom! Pois imaginem só, ardeu menos, muito menos que o ano passado! Ardeu menos 30%!! Ou menos ainda? Já não me recordo. Até a utlizar as estatísticas são pobrezinhos. Não nos querem dizer que, afinal, já está tudo queimado! É por isso, apenas por isso, que ardeu menos. Não ardeu menos devido ao seu desembaraço e capacidade interventiva, não! Porque aí deixaram muito a desejar, como sempre.

 

 

Mas continuando a nossa caminhada, rumo a casa, ao caminharmos para o carro nas Lameiras, olhei à minha esquerda, e num local onde via sempre muito gado, vacas e cavalos, a minha vista só encontrou duas vacas, nesta zona, por baixo da linha de queimada.

 

 

Olhando os montes da Gavieira e de S. Bento do Cando, parecia que tínhamos saído do Inferno e voltado ao Céu. Por aqueles montes, tinha eu passdo em Julho e visto rebanhos de cavalos garranos e outros, bem como as vacas, que se alimentavam em torno das brandas de S. António e Aveleiras de onde podiam trepar à Seida e ao resto da serra.

 

 

Ao descermos, chegados à Portela, encontramos a viatura dos sapadores da Gavieira, os tais que nada mais poderiam explicar, a não ser, tal como nós, encolher os ombros, sobre tamanho incêndio. A aldeia aqui por baixo é Tibo. A Portela é a montanha que faz a separação entre Tibo e Adrão.

 

 

Mas restou-nos a alegria de sabermos que pelos lados da serra da Peneda, os anjos tinham sido mais espeditos contra as chamas demoníacas.

 

 

E lá em frente, a Senhora da Peneda, continua debaixo das suas rochas a tentar velar pelos Seus montes. Aposto que Ela terá assistido tão triste como eu, à agonia de grande parte das Minhas Montanhas Lindas.

 

 

Subindo todo o vale da direita vamos aparecer por aquela garganta em Lamas de Mouro que também fará parte da minha caminhada.

 

 

Descendo da Portela de cima para a Portela de baixo, onde passa a estrada, vemos este braço da Barragem de Lindoso que passa pela aldeia da Várzea e do lado direito da foto a estrada que vai de Adrão para Paradela e antes de entrar em Paradela, sai um entroncamento para a aldeia da Várzea.

A minha caminhada, fez aqui uma paragem para olharmos ao longe a Senhora da Peneda, mas vai prosseguir por Lamas de Mouro, Castro Laboreiro, e pouco mais.

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

publicado por Ventor às 18:33