Amigos, este Ventor tem histórias sem fim e aqui o vosso amigo Quico, tem todo o prazer em escrevê-las para vocês. Claro que eu só vos escrevo as que o Ventor me autorizou!! Esta é mais uma delas. O Ventor conta-me cada uma!! Ora vejam esta sobre este tatuzinho e os seus amigos! O ventor chama ao tatuzinho, Remúlio e à namorada Quiríula. Este Ventor adora a Lápide dos bichinhos de conta e dos seus amigos e diz-nos.

 

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Já conecem este amiguinho do ventor - é o Temúlio.

 

Junto do Ventor, passa a vida a rebolar-se e a rir! O Ventor contou-me:

«Um dia destes debrucei-me sobre um muro, na ponta do qual, se iniciam ou terminam umas escadas públicas. Ao debruçar-me sobre o muro, apoiei nele, os meus braços. Entre os braços, encontrei um bichinho de contas, um pouco atarantado, por verificar que o seu caminho fora interrompido abruptamente, por duas grandes massas, que mais lhe pareceriam umas vigas deitadas, e sobre as quais não podia trepar nem saltar, para prosseguir a sua viagem.

Tirei do bolso da camisa, um papel do Multibanco e coloquei-o por debaixo do bicho de contas que logo se enrolou e ficou sobre o papel. Coloquei-o junto à base do muro onde achei que estaria em segurança. O bichinho ficou desorientado, como tendo perdido a bússola que o orientava, no sentido que pretendia. Olhei-o e, quando dei por isso, estávamos numa espécie de diálogo de surdos, na pretensão de um entendimento galácteo».

- «Então, ó redondinho! Já não sabes o que queres? Perdeste o norte»?

- "Eu nunca perco o norte. Já não saber o que fazer é outra coisa. Fiquei atrapalhado com a tua presença. Só isso! Além disso, não sou redondinho" - disse o Quirílio!

- «Então, eu não sei o teu nome, tenho de te chamar qualquer coisa».

- "Chama-me bicho, o meu nome é só para os amigos"!

- «Está bem! Então eu digo-te o meu nome - chamo-me Ventor».

- "Ventor!!!! Disseste, Ventor"?!!

- «Sim! Sou o Ventor e não precisas ter medo de mim. Eu não tenho por costume fazer mal aos amigos, só costumo ajudá-los quando os vejo um pouco perdidos. Como raio subis-te para cima do muro, tão alto»?

- "Oh! Agora que já sei quem és, podemos conversar! Tu não gostas de subir às montanhas? Não gostas de apreciar tudo que a tua vista abarca lá de cima, paisagens, sol, lua, estrelas"?

- «Gosto muito».

- "Então eu fui acima do muro, e bem mal me vi, para controlar o meu pessoal, que um pouco desgarrado se dirige à Lápide"!

- «Estás a brincar! Eu só te vejo a ti, mas também ainda não reparei em volta»!

- "Então repara, eu vou andando. E se quiseres vem comigo, ok"?

- «Está bem, eu já volto, vou ver se vejo os teus».

"Olhei para o lado e vejo mais dois bichinhos de conta um atrás do outro. Voltei a colocar os braços sobre o muro e debrucei-me para as escadas, tropecei com a vista em mais dois! Segui até à ponta do muro, e encontrei, mais seis. Desci as escadas e ia vendo os tipinhos a subi-las, com trambolhão aqui, trambolhão ali, e lá iam subindo as escadas todas em fila indiana. Voltei a subir as escadas, e contei-os. Eram 37 a subir degrau a degrau, mais 8 onde tinha encontrado o redondinho. E segui-os todos, pensava eu, até ao canteiro de flores mais próximo na esquina do prédio. Olhei em volta, e vejo mais junto aos passeios, em volta dos canteiros floridos. No meio desse canteiro, estava um calhau, em forma de Lápide, e junto a ela o redondinho".

      

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O Remúlio e os amigos também moram entre as flores

 

 - "Ventor, este é o nosso ponto de encontro, é aqui que"... dizia o Remúlio.

- "Cala-te", - gritou uma redondinha, que se aproximava do já meu amigo. 

- "Não deves conversar com estes humanos, que são os bichos mais estranhos que podemos imaginar, apesar de não nos comerem"!

- «Este é o Ventor, que na nossa comunidade já todos ouviram falar. Com ele estamos à vontade. Foi ele que lembrou a Noé que os bichos de conta não podiam ficar para trás, senão os nossos progenitores nunca teriam sobrevivido e, por amor dele, andamos aqui, e demos continuidade à espécie que já ocupava o planeta há milhões de anos» - disse Remúlio.

- "Ventor! Ventor! Ventor"!- gritou a redondinha. "Desculpa, não te ter reconhecido! Tu és estimado por todos os que, neste mundo louco sobrevivem, e nunca és esquecido por nós, espécie de crustáceos que só fazemos bem ao homem. Este é o Remúlio, nosso Chefe, e meu namorado, já se conhecem, eu sou a Quiríula, a adjunta, os nossos amigos ..., e esta é a nossa Lápide! É aqui ... que"...

- «Deixa comigo» - disse Remúlio - «eu conto ao Ventor».

"Olho em volta, da Lápide, pelo canteiro de flores, e só vejo bichinhos de conta, que se tinham aproximado de todos os lados, direitinhos à Lápide".

- «Então diz lá Remúlio»! - pediu Ventor.

- «Bem, eu queria agradecer-te, por me teres tirado de cima do muro. Tinha subido para abarcar, do alto da minha pequenez, todos os meus amigos que fazem parte do meu mundo, e se dirigem para a Lápide. É aqui, na Lápide, sombria e húmida, que nós fazemos as nossas reuniões, fazemos as nossas festas, as nossas danças, ouvimos as nossas músicas, colhemos as pétalas das flores deste jardim, fazemos os nossos casamentos e partilhamos as nossas venturas, e as nossas desventuras. Juntos estamos sempre em festa! Aparece na nossa Lápide, sempre que passares por aqui».

- «Aparecerei, Remúlio»!

"Meti-me no carro, e prossegui, rumo a casa, e ao longo da Av. Lusíada, pensei nos meus amigos, e reparei em mais uma Lápide, esta humana, em construção, e concluí que todo aquele bulício, de gruas e homens, nada mais era que a construção da Lápide dos benfiquistas. Ali, na sua Lápide, passarão dias de tristeza e dias de glória. Continuei viagem e pensando nesta Lápide do Benfica, e na lápide dos bichinhos de conta, e noutras lápides que desfilavam pela minha memória, concluí que eu também tenho uma Lápide e, à medida que o meu carro rolava, me aproximava dela, e que nela, como os bichinhos de conta, me reúno com os meus amigos, ouvindo o que eles me contam, contando-lhe o que eles quererão ouvir, ou não, partilhando um pouco das nossas frustrações, das nossas alegrias, das nossas tristezas, das nossa músicas e das nossas venturas e desventuras».  

 

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No meio das flores, Remúlio, Ventor e amigos conversam com as borboletas e todos aqueles que a Natureza colocou a seu lado para partilharem a vida e a energia que o amigo Apolo, tão generosamente, distribui por todos.

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

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publicado por Ventor às 15:06