O Ventor não quer que eu conte os seus sonhos, mas vou contar. Por isso invadi o seu blog!

Uma noite destas ouvi o Ventor sonhar e acordou muito transtornado com um pesadelo. Eu só ouvia ele gritar. “Antar”! “Está quieto Antar”! “Tu dás cabo de tudo, Antar”! Isto era o que eu ouvia ao Ventor.

Claro que o Ventor já me tinha falado do seu cavalo branco, Antar, mas agora eu precisava de saber porquê aquela conversa toda com o Antar.

Então o Ventor contou-me, o resto do seu sonho que foi assim:

O Ventor sonhou que estava numa grande fila de automóveis e era impossível sair do mesmo sítio. De repente, vindo do céu, desce sobre aqueles automóveis todos um belo cavalo branco. O Ventor saiu do carro e começou a gritar pelo cavalo.

“Antar! Antar”! … “Que fazes aqui, Antar”?

E o cavalo branco respondeu-lhe que veio buscá-lo! •

  • «Venho buscar-te, Ventor». •
  •  “Mas eu não vou. Eu pertenço a esta parte do Mundo, tu pertences à outra”. •
  •  «Tu vais comigo Ventor. Eu prometi que te ia levar daqui» •
  • “Prometeste a quem? Antar, tu só me obedeces a mim”! •
  • «Não me chames Antar, Ventor. O Antar é o meu pai, está muito doente e eu prometi-lhe a ele e ao Senhor da Esfera que te ia levar comigo. O meu pai e o Senhor da Esfera estão com saudades tuas. Eu sou o cavalo mais poderoso que existe na grande Esfera e trouxe comigo essa missão. Levar-te, Ventor!»
  • “Missão impossível. Eu não vou”! •
  • «Ou vais comigo, ou eu dou cabo destes carros todos, Ventor. Começo já por este»

Espetou dois coices num carro de amigos nossos. O homem meteu as mãos à cabeça e a mulher saiu do carro a gritar quanto podia com o Ventor que tinha de matar aquele cavalo.

 

 

 Tal e qual o Antar

 

“Mata o cavalo, Ventor senão ele destrói tudo”!

O cavalo desfez mais dois carros e o Ventor pegou num grande arrocho e prometeu dar cabo do cavalo. (Às vezes precisamos de fazer promessas!).

O cavalo branco colocou-se em frente do Ventor a ameaçá-lo com as patas da frente e com a boca aberta a mostrar-lhes os dentes grandes e branquinhos.

Depois provocava-o para o Ventor lhe dar com o arrocho, mas o Ventor tinha oportunidade mas não lhe dava. Só se lembrava do Antar, um cavalo maravilhoso que nunca poderia ter um filho assim, pensava ele.

Depois o cavalo branco faz uma correria sobre a fila de automóveis e com mais dois coices espatifou uma série deles. O Ventor, de arrocho na mão, só pensava no Antar e pensou que o Antar e o Senhor da Esfera não lhe podiam ter feito aquilo. (Só podia ser obra do diabo!).

Pediu ao cavalo branco para se ir embora e que não danificasse mais viaturas pois era um comportamento indigno de um cavalo celestial.

O cavalo branco fixou o Ventor, olhos nos olhos e deu início a mais uma correria sobre as viaturas fixando-as. Começou aos coices nas viaturas danificadas e colocou-as todas como estavam. Depois dirigiu-se ao Ventor voltou a olhá-lo nos olhos e disse-lhe:

  • «É verdade Ventor. Meu pai - o teu fiel cavalo Antar - mais o Senhor da Esfera, estão com saudades tuas e eu prometi-lhes que te vinha buscar. Se te levasse ganharia uma grande aposta, se não te levasse haveria de provar se tu eras o senhor de que meu pai me falava. Com o arrocho na mão tentaste intimidar-me, mas nos teus olhos nuca vi um sinal de ódio. Voltarei para eles vencido mas com a alegria de lhes contar que tu continuas a ser como eles me disseram que eras”. 
  •  «Adeus Ventor»!

O cavalo, uma beleza branca, subiu pelo ar fora até se perder de vista penetrando pelo céu dentro. Ao lado do Ventor as pessoas batiam palmas ao cavalo que desaparecia e ao Ventor.

 Mas a única realidade é que o Ventor acordou de um grande pesadelo, todo molhado, encharcadinho em suor e encontrou-me sentado a seu lado, cheio de curiosidade. Para não se esquecer, foi-me contando o sonho e ia-me fazendo festas como teria feito ao Antar se estivesse aqui connosco.

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

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publicado por Ventor às 15:54