Uma das 7 Maravilhas!

Hoje vou falar aqui de campainhas que tocam, que fazem trim-trim, no meu cérebro.

Há palavras que, quando ouvidas, soam como o trim-trim de uma campainha. Por exemplo: Ormuz ou, se preferirem, o Estreito de Ormuz..

 

 

Mapa do Esteito de Ormuz, tirado da Wikipédia

 

Desde criança que Ormuz é, na minha cabeça, algo de especial. Esta palavra faz referência ao nosso antigo "Império das Índias". Com Ormuz, acompanhando Ormuz, tenho muitas outras, como Cochim, Bombaim, Calcutá, Goa e sei lá quantas mais! Outra palavra que tem uma sonoridade especial e que não tem referência como um nome histórico, é cambraia! Cambraia, vejam lá! Ela faz parte da nossa globalização.

 

Mas vou voltar a Ormuz. Ormuz é aquele famoso estreito que dá acesso ao Golfo Pérsico, mas para mim, essa palavra é um fenómeno total. Portugal, um país pequeno já foi tão grande, já travou tantas batalhas por esse mundo fora e pode também mostrar a sua grandeza pelas batalhas travadas pelo controlo de Ormuz.

 

 

 

Foto aérea do Estreito de Ormuz - tirado da Wiquipédia

 

Por pouco ou muito tempo, nós já fomos senhores do Estreito de Ormuz! E imaginem só que, nessa altura, ninguém ligava ao petróleo. Calculem como seria, na época, se nós lutássemos por Ormuz, por causa do petróleo, se travássemos essa luta por uma estratégia que visasse o domínio dos poços do petróleo, ou das rotas do petróleo. Seria espectacular!

 

Mas não. A nossa luta era uma luta de fèzadas! Tínhamos a fèzada de dominar a rota das especiarias, terminar com os trilhos das caravanas que atravessavam os desertos, via Samarcanda e rebentar com o domínio Otomano! No fundo, no fundo, a nossa guerra era pela fé e pelas especiarias. Derrotando o domínio Otomano e dos seus aliados, no Estreito de Ormuz, nós mostrávamos aos Otomanos que tínhamos um ou vários desígnios. Acabar com a corrida das sandálias pelos caminhos de Samarcanda, estarmos frente aos inimigos de séculos, no seu seio, quer no domínio religisoso, quer no domínio económico, quer no domínio estratégico. Isto tudo para bem da fé cristá, para bem de Portugal, para bem da Europa e também, mesmo que não pensássemos nisso, pela globalização!

 

Conseguimos fazer o chá entrar na Corte de sua majestade Britânica com outra celeridade e sem a necessidade da intermediação directa ou indirecta dos otomanos. Depois foi o diabo. Tudo por causa de uma coroa! Os inimigos de Espanha passaram a ser os inimigos de Portugal. Os inimigos europeus de Espanha e portanto de Portugal, aliaram-se, pelos lados da Índia, aos inimigos de Portugal, aos persas, aos otomanos, a príncipes, a  "rajahs" ... talvez fresquinhos! Mas tudo acabou.

 

Hoje somos pacíficos! Não temos estratégias para os estreitos de Ormuz, de Malaca, de Adem, ou outros e, na prática, não temos inimgos. Mostramos ao mundo que continuamos a ser Portugal. Tentámos seguir as Nações Unidas a impôr a sua paz podre por esse mundo fora e vejam lá, até anunciamos ao mundo quais são as suas belezas!

 

Para já eu vou pegar numa dessas belezas que vai passar a ser uma campainha mais acentuada, uma vez que ela já o era..

 

 

Taj Mahal - O Amor de Pedra Feito, tirado da Wikipédia

 

Quando decorria a escolha para as novas 7 Maravilhas do Mundo, eu pensava em várias Maravilhas que existem nos domínios estratégicos que dominam e cercam o Estreito de Ormuz. Caminhava pelo Decão, em sonhos, e topava com aquela beleza burilada de pedra de mármore branco a que um dia, um amigo meu, chamou «Amor de Pedra Feito"! Uma obra edificada em nome do amor e pelo amor.

 

É também em nome do amor que eu dedico este post ao Estreito de Ormuz caminhando pelo Taj Mahal. Se dependesse de mim, faria tudo para que as civilizações, ocidental e oriental, transformassem o Estreito de Ormuz, no Estreito do Amor! E votava nele como uma das futuras belezas naturais da Humanidade!

 

 

Mumtaz Mahalit a espoasa do imperador Shah Jahan

 

Agora falando do Mausoléu, Taj Mahal, pois é de um Mausoléu que se trata, como uma das 7 Maravilhas do Mundo, para os menos atentos, é bom relembrar que fica lá para o Norte da Índia, na cidade de Agra e que a sua construção foi levada a cabo por uma força operária de cerca de 22.000 homens que vieram de várias cidade orientais trabalhar neste soberbo monumento.

 

Foi o Imperador Shah Jahan que o mandou construir em memória da sua esposa favorita, Aryumand Bonu Begam, a quem chamava a Mumtaz Mahal, a «Jóia do Palácio». Ela morreu a dar à luz o seu 14º filho! Por isso, pelo amor que lhe tinha e pela sua morte precoce, Shah Jalan, mandou construir o Taj Mahal como o seu Mausoléu sobre o seu túmulo, junto ao rio Iamuna (o 2º rio sagrado dos índios, depois do rio Ganges, e que dá de beber a mais de 50 milhões de indianos).

 

O Taj Mahal é também conhecido como a maior prova de amor do mundo, contendo inscrições retiradas do Corão. O Taj Mahal foi incrustado com pedras semi-preciosas como o lápis-lazúli, entre outras. A sua cúpula foi costurada com fios de ouro. O seu corpo principal é constituído por duas mesquitas e quatro minaretes e podemos considerá-lo uma obra fabulosa, lindíssima e digna de ser dignificada como uma das 7 Maravilhas do nosso Mundo.

 

Diz-se que Shah Jahan terá pretendido fazer para ele próprio uma réplica do Taj Mahal original, na margem oposta do rio Iamuna, todo em mármore preto, mas esta obra ter-se-á gurado devido a ter sido deposto por um dos seus filhos, antes das obras serem iniciadas.

 

Apesar de tão grande opulência, o Taj Mahal é, na verdade, um gigantesco Mausoléu e não um palácio como normalmente se julga. Conta a lenda que, depois de terminados os trabalhos, os artesãos tiveram as suas mãos decepadas para impedir que pudessem fazer alguma reprodução. A ser verdade, isto será uma grande nódoa na beleza do Taj Mahal!

 

Mas relembremos que as belezas do mundo foram levadas a cabo porque o homem sonha e como devem calcular, sonhar não é pecado. Imaginem que o Shah Jahan levava a cabo o seu sonho de construir uma réplica de pedra mármore preta, no lado oposto do rio? Bem, se olharem com olhos de ver a grandiosidade do Taj Mahal branco de um lado do rio e outro Taj Mahal preto, na outra margem, imaginem o espectáculo que seria observar aquelas duas obras, integradas como se fossem uma só a abraçar o rio Iamuna. O rio Iamuna passa por trás do Taj Mahal. Dá para imaginar?

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

publicado por Ventor às 16:04