Fiz mais, a par de muitas outras, uma caminhada pelos arredores de Sintra, e aproveitei para trazer grelos das hortas de Colares ou Almoçageme.

 

Caminhar pelos arredores da serra e pela serra de Sintra, beber o café e comer o travesseiro da ordem, para me afagar o estômago, espreitar o meu amigo Neptuno desde o grande Promontório, ver o meu amigo Apolo deitar-se na linha do horizonte, apreciar as mimosas, etç., tudo isto, é para mim uma das poucas maravilhas que me rodeiam.

 

Para além disto, virá tempo para continuar a espreitar os pintassilgos, os gaios, os pica-paus, os peneireiros, etç. Mas desta vez, além dos grelos, trouxemos, junto com eles, um caracol das hortas de Colares. Mas, em vez de falar-vos deste caracol, vou falar-vos de outro bicho muito repugnante mas que não deixa de ter a sua piada - as processionárias.

 

Não encontro as fotos da grande fila de processionárias que desciam o pinheiro, mas passo a mostar-vos as suas aldeias. Cliquem aqui, no verde.

 

Este ano dediquei-me a estudar algumas aldeias de processionárias, em Almoçageme e na Qinta do Conde, embora se vejam aldeias dessas por todos os lados onde há pinheiros.

 

 

Ela bem gritou: "!fujam que eu caio"!

 

Desde miúdo que observo as processionárias nas suas caminhadas colectivas, mas nunca passava de meia dúzia de bichos agarradinhos uns aos outro, em fila indiana, tal como se fossem comprar o bilhete para levarem o seu comboio, noutro comboio com outros rumos. O ano passado em Janeiro, em S. pedro de Sintra, num dia bonito, apeteceu-me dar uma caminhada e a dona do Quico fez-me companhia, porfque a caminhada foi pequena. Por fim ficou para trás e eu fui em frente até um local bem agradável. Não é por acaso que as minhas caminhadas são quase sempre solitárias. Não há pedalada para mim!

 

 

Mas não caiu!

 

Quando cheguei ao local que pretendia, senti um arrepio. Olhei em volta e nada vi! Mas, por fim, reparo que no cimo de um grande pinheiro bem alto, estava a brilhar, ao sol, bem lá no cimo, um grande casarão de processionárias. Já tinha passado junto do pinheiro, local onde me arrepiei, e no regresso, todo eu estava em polvorosa, com pele de galinha e ainda não  tinha visto nenhuma processionária. Não arredei pé, fixei o olhar no chão e nada e, quando começo a olhar o tronco do pinheiro, já descia, ao comprimento do tronco, um grande rosário amarelado de processionárias que prosseguiam o seu objectivo e só elas sabiam qual era. Eu fiquei a saber o que sabia, mais a certeza que elas queriam era chegar ao chão onde já estavam a chegar. O local para tirar fotos não era o ideal, porque elas estavam na sombra do pinheiro e entre mim e o pinheiro havia um muro e tive de mandar a minha máquina entrar na propriedade alheia e no seu trajecto. Mas aprendi que, quanto mais olhava aquele extenso cordão, mais arrepiado ficava!

 

 

Elas descem das altura, pé ante-pé como senada fosse com elas e, secalhar, foram elas que nos ensinaram a fila indiana

 

Há muitas coisas que apanho nas minhas caminhadas e de que não falo aqui, mas hoje apetece-me falar destes bichos peludos que são uma tormenta para os pinheiros.

 

Fiquei com a sensação que entrei num mundo diferente. Era do género: «oh, mano, não te enganes no caminho, ... não me largues, ... agarra-te bem ... » e assim por aí fora. Se a minha memória não me falha, toda aquela bicharada me dava a entender que, por Sintra, não passam cucos. E porquê? Porque já li uma vez, não sei se está certo, se está errado; só os cucos comem aqueles peludos. Os cucos serão a única das aves que, por aqui, limpam o mundo das processionárias!

 

 

Elas gritam umas para as outras para passarem a palavra do comando lá da frente

 

Por isso, como elas são venenosas para a grande maioria ou até para todas as aves, se o ano lhes corre de feição, elas proliferam à grande e à francesa.

Coitados dos pinheiros!

 

 

Se houvessem uns anos bons, seguidos para elas, destruiam um pinhal inteiro

 

Alguém terá ouvido cantar o cuco em 2007? Este mundo está a ficar uma tormenta, mas este ano não terá corrido de feição para as processionárias. Pelo menos em alguns locais. Quando as fotografo nos seus casarões, em verdadeiras aldeias, parece-me que estão mortas. Mortas ou sem leme?

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

publicado por Ventor às 23:16