Hoje, neste dia mundial da Poesia, este post tem por objectivo prestar a minha singela homenagem a todos os poetas do mundo, especialmente, aos nossos poetas - os Poetas de Portugal.

Sim, porque estes são os nossos poetas, mesmo considerando a poesia um estado de alma universal.

 

Por isso, nos últimos tempos, tenho feito algumas caminhadas junto de alguns dos nossos grandes poetas que nos orgulham com o desempenho que tiveram na génese da nossa alma colectiva.

O espírito da poesa é um espírito que reflecte o estado da alma de uma nação. É um espírito que não só consegue reflectir a alma individual do poeta mas também a alma colectiva.

Quando Camões canta ao mundo «Os Lusíadas» ele quer reflectir para esse mundo o seu estado de alma no colectivo nacional e consegue-o tão bem que, ainda hoje, alguns séculos depois, nos sentimos orgulhosos com o cântico glorioso de Camões.

 

 

Luis Vaz de Camões

 

Camões descobriu que os portugueses tiveram capacidade de iniciarem uma caminhada cheia de glória e, por razões que os ultrapassam, nessa época, essa bela caminhada inicia um processo quase de desistência.

Ele apercebe-se que a nossa alma colectiva está prestes a encostar às boxes. Algo começa a falhar ou mostra-se prestes a falhar.

 

Camões que participa, que também  faz parte dessa caminhada gloriosa, sente o espírito nacional desvanecer. Ele apercebe-se que há necessidade de rebocar a parte boa que ainda reside no espírito colectivo desvanecido. Aproveita  a sua grande caminhada pelo Oriente ao ponto de sentir-se perder o fôlego. Mas não desiste! Ele continua a caminhada até chegar junto da Corte onde expõe com galanteria o seu espírito crítico que expressou naquele manoscrito a que vieram a chamar  «Os Lusíadas».

 

Todos os outros caminhantes, uns com mais poder de síntese outros com menos, reconheceram que «Os Lusíadas» eram, então, são ainda hoje, a mão que os portugueses, como entidade colectiva, precisavam e precisam para os empurrar em frente.

Se lermos «Os Lusíadas» com alguma atenção, concluiremos que eles são, ainda hoje, a expressão máxima da nossa Entidade.

 

Gostaria de vos falar aqui de todos os caminhantes que, tal como o Camões, decidiram montar-se no cavalo da poesia e da contribuição que deram para a prossecução dessa Entidade.

 

Gostaria de falar, sim! Mas sei que tenho por costume escrever posts relativamente grandes e sei perfeitamente que os posts grandes se tornam maçadores. Sendo assim, eu costumo enfeitá-los com umas fotos que permitem a quem passa por aqui, desanuviar o espírito.

Por isso, por ser assim mesmo, também aqui vou colocar algumas fotos das estátuas de poetas que, ultimamente, fizeram parte dos trilhos das minhas caminhadas.

 

Estes que aqui vos deixo representados, talvez consigam penetrar nos espíritos daqueles que terão maior tendência poética, pega-los pela mão e levá-los a dar ... não direi uma caminhada, mas uns passos até junto de outros e assim apreciar como todos eles, uns mais, outros menos, engrandeceram a nossa alma colectiva através dos séculos.

 

E que viva sempre a poesia.

Só todos nós poderemos fazer com que ela não morra.

 

Eis alguns poetas

 

 

Fernando Pessoa

 

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
 
 
Guerra Junqueiro
 
Regresso ao Lar

Ai, há quantos anos que eu parti chorando
Deste meu saudoso, carinhoso lar!...
Foi há vinte?...há trinta? Nem eu sei já quando!...
Minha velha ama, que me estás fitando,
Canta-me cantigas para eu me lembrar!...

Cesário Verde
 
Contrariedades

Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
    Consecutivamente.
 
 
Bocage
 
Em Louvor do Grande Camões
 
Sobre os contrários o terror e a morte
Dardeje embora Aquiles denodado,
Ou no rápido carro ensanguentado
Leve arrastos sem vida o Teuco forte:

Embora o bravo Macedónio corte
Coa fulminante espada o nó fadado,
Que eu de mais nobre estímulo tocado,
Nem lhe amo a glória, nem lhe invejo a sorte:

Invejo-te, Camões, o nome honroso;
Da mente criadora o sacro lume,
Que exprime as fúrias de Lieu raivoso:

Os ais de Inês, de Vénus o queixume,
As pragas do gigante proceloso,
O céu de Amor, o inferno do Ciúme.
 
Estes, podiam ser outros, são os poetas que vos deixo como amostra dos mais de 800 anos de Poesia Portuguesa.

 

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

sinto-me: poeta
música: Quand Il est mort le Poète de Gilbert Becaud
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publicado por Ventor às 08:42