Gosto muito de falar das belezas naturais do nosso país, especialmente, daquelas que vou olhando com alguma assiduidade e que nunca me cansam. Já há muito tempo que ando por aqui a ver as fotos que, nas minhas caminhadas, vou tirando pela Serra da Arrábida (veja aqui) mas vou adiando sempre. Desta vez não tenho motivos para adiar mais; primeiro, porque foi a nossa penúltima caminhada, por aqui, com os amigos Alex e Tina e depois, porque esse local que dão pelo nome de Portinho da Arrábida, é um sério candidato a uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal. A propósito dessas candidaturas, não se esqueçam de votar! Claro que eu não voto porque Portugal tem tantas Maravilhas Naturais que não me atrevo a votar numas em desprimor de outras. Mas acredito que o Portinho da Arrábida e toda a sua envolvência é uma forte candidata a uma das 7 Maravilhas Naturais do nosso Portugal.

 

 
O povo é sereno! Foi aqui que ouvi na sequência do 25 de Abril, o Almirante sem medo, Pinheiro de Azevedo, gritar que o Povo era sereno, quando extremistas do PREC incendiavam no Terreiro do Paço, as bandeiras dos seus adversários

 

Também as Belezas Naturais das minhas Montanhas Lindas poderiam ser fortes candidatas e nem sequer entraram no ramalhete! Por isso eu nunca votarei em qualquer das outras, senão, nos meus ouvidos ficariam sempre registadas as seguintes palavras: "és um traidor, Ventor". Mas elas sabem que eu não sou traidor e, por isso, não votarei!

 

Elas, também sabem que eu, não sou pobre nem mal agradecido e não encosto no sótão escuro das profundezas do meu cérebro, nada do que é belo e as belezas naturais da serra da Arrábida são belas e dignas de fazerem parte das minhas caminhadas naturais, por aqui.

 

 
A Ilhota Anicha, no Portinho da Arrábida

 

Antes de mais, vou dar-vos um cheirinho desta bela serra de Portugal! Quem conhecer, ao natural, ou através de filmes que já nos mostraram as belas paisagens das montanhas croatas debruçadas sobre o Mar Adriático, verificará que a serra da Arrábida é sósia das montanhas da Croácia. O mesmo se pode dizer de algumas montanhas gregas debruçadas sobre o Mar Egeu. Há coisas que estão sempre presentes em todas elas: o "maquis" e formação calcária das suas rochas esbranquiçadas. Dizem os experts que a formação da serra da Arrábida data de há cerca de 180 milhões de anos. É uma obra que os deuses foram aperfeiçoando a escopro e martelo e, descendo a vista do topo para a base, junto ao mar, calculamos que o mar já caminhou naquele espaço que hoje é serra.

 

 

A Ilhota Anicha, no Portinho da Arrábida, observada da estrada

 

Mas, caminhando do lado de Sesimbra para o lado de Setúbal, naquela bela estrada, ladeada do tal "maquis", salpicado de rochas calcárias, nós só temos vista para o sopé da serra a entrar naquele belo mar de turquesa-esmeralda, de águas límpidas, para a península de Tróia, para o estuário do rio Sado e para a sua foz. A beleza é enorme e sabemos que estamos rodando sobre uma área protegida de 10.800 hectares, o Parque Natural da Arrábida, fundado em 1976 e temos também, em volta do estuário do Sado, sob os nossos olhos, mais uma área protegida com 23.160 hectares, a Reserva Natural do Estuário do Sado. 

 

 

A Torralta, na Península de Tróia e o Estuário do rio Sado, observados da serra da Arrábida

 

Mas eu adoro os campos da Arrábida, do lado de Palmela! São outras belezas partilhadas comigo e com muitos dos meus amigos. Existe por ali uma fauna rica e diversificada, por onde caminham o gato bravo, o ginete, o texugo, a raposa, o saca-rabos, o toirão, lebres e coelhos e outros mamíferos e esvoaçam belezas sem fim como a águia de Bonelli, a águia de assa redonda, o bufo real, a perdiz, o andorinhão-real, os peneireiros, coruja das torres, os abelharucos, rolas bravas, pombo torcaz e tantos outros.

 

 

Imagem da praia da Torralta, na Penísnsula de Tróia e o Estuário do Sado, observados da serra da Arrábida

 

Tudo que devemos proteger e não deixar  que maralhal de maus íntimos destruam essas belezas naturais nem os seus habitantes peludos e penudos de que nos devemos orgulhar. Não podemos permitir que aconteça o que aconteceu ao lobo, ao javali e ao veado que também caminharam por ali, até fins do Séc. XIX, princípios do Séc. XX.

 

 

O aglomerado de edifícios, na serra da Arrábida, sobre o Portinho da Arrábida que foram, desde há centenas de anos, o Convento dos Capuchos

 

Aquele montículo de casas encravadas no "maquis" da serra, que já foram Convento dos Capuchos, parecem dizer-nos que, desde cedo, homem, serra e mar, andaram sempre de mãos dadas, neste ambiente que se levanta do "chão do mar" até uma altura de 501 metros.

Voltarei a caminhar pela Arrábida e voltarei a observar a pequena ilhota "Anicha" que mais parece uma ilhota onde as sereias se aquecem ao sol do que um ancoradouro de barcos de recreio.

 

 

Belezas vistas de junto ao ex-Convento dos Capuchos

 

Voltarei a falar da serra da Arrábida, do seu Portinho e do Estuário do Sado.

 

 

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

publicado por Ventor às 15:04