Hoje, fomos almoçar a um desses "buracos" italianos ou semelhante e, para fazer companhia ao João, dediquei-me ou dedicamos-nos aos canelonis. Só os putos me desviam dos meus trilhos.

Quando subia a Av. Infante Santo, para ir buscar o carro, encontrei um bezouro negro de patas para o ar, morto. Toquei-lhe, levemente, com o sapato para confirmar o óbito e, sem dúvida, passei a certidão. Tirei-o do passeio, junto ao tronco de uma árvore descamisada e coloquei-o no meio da relva, fora do passeio, entre flores amarelas das azedas.

Todo o bicho que vejo morto, imprime no meu cérebro, algo sobre esse mistério a que chamamos morte. E, fico a pensar, com toda a curiosidade, nesse mistério, ou mistérios, da vida e da morte. Tenho na ideia que, em Adrão, não há flores amarelas das azedas, pelo menos não me recordo da sua existência por lá e também não haverão besouros negros como o que hoje vi morto e que, por aqui, há muitos. Para mim foi uma novidade, juntar o besouro negro ao verde das ervas e ao amarelo das flores das azedas.

 

Depois fiquei a pensar em muitos bichos que têm os seus nichos onde fazem prosperar a sua vida, uns em Adrão, outros bem longe, por outros azimutes e, tanto eles como nós, morremos e abalamos para um outro mundo desconhecido, deixando o nosso corpo em qualquer esquina deste nosso mundo.

 

De repente, depois desse acto fúnebre, lembrei-me de outros bichos, como os escaravelhos que apanham as minhocas para comer, se calhar são todos e de outros insectos como as abelhas sobre as quais estudei algo que me diz que a abelha tem uma vida média de 42 dias. Creio que não sonhei isto, devo ter visto em qualquer lado!

Saltando de bicho em bicho, fui parar à vaca-loura! 

 

 

 Uma vaca-loura ou lucano; foto tirada da Wikipédia

 

Que comerá a vaca-loura? Será apenas vegetariana? Come folhas, rebentos, ... e que mais? Será que também devora minhocas e outros vermes como outros escaravelhos?

 

As vacas-louras são uns bichos dignos de partilharem das caminhadas do Ventor. Não imaginam  o que eu tenho feito para tentar obter uma vaca-loura e fazer com que ela caminhe a meu lado! Eu encontrava vacas-louras, desde as suas larvas, sob as cascas dos carvalhos de Adrão. Pela Açoreira, Curral das Cabras, sei lá, de vez em quando, encontrava grandes larvas de vacas-louras (levam 7 anos a tornarem-se bicho adulto) e via aqueles mastodontes adultos a voarem em volta da minha cabeça, rumando com destino a algures. Tirando Adrão, encontrei uma vez uma, junto a uma barragem no Alentejo e quase a fotografei quando pousou num sobreiro à minha frente mas, quando me viu armado em paparazzi, arrancou para nunca mais a ver.

 

 

 Um escaravelho conhecido por Hércules; foto tirada da Wikipédia

 

Que andava esse bicharoco a fazer pelo Alentejo? Ali só havia sobreiros e azinheiras, mas ninguém me garante que não haveria carvalhos por ali, algures, bem perto. Mas também pode ser que esses bicharocos se procriem sob a casca de sobreiros ou azinheiras, ou os dois. Tenho visto representados, em fotos de Obras de Arte egípcias, vários escaravelhos e sei que os escaravelhos existem por muitos sítios do mundo, mas desconheço se alguma vez, lá pelo Egipto dos Faraós, apareceu uma vaca-loura. Se aparecesse, o Faraó estaria tramado para mandar fazer uns brincos de ouro e marfim, do tamanho da vaca-loura para uma das suas consortes mais egoísta. Ou a sua consorte ficaria sem orelhas ou, então, se ela se zangasse com o faraó e lhe arremessa-se o brinco, teriam funeral!

 

 

Um escaravelho, uma da belas espécies de Coleópteros; foto tirada da Wikipédia

 

As vacas-louras ou lucanos como dizem os espanhóis e se calhar por cá também, são uma família que pertence à ordem dos coleópteros e, para quem ainda não sabe, existem, nesta ordem, mais de 350.000 espécies, sendo, segundo dizem alguns especialistas, a vaca-loura o maior coleóptero existente na Europa.

Será que voltarei a encontrar, por Adrão, uma belíssima vaca-loura? Haviam pessoas quando eu era miúdo que possuíam belíssimos cornos de vacas-louras, pendurados ao pescoço ou na carteira, para utilizar como força contra o azar, o mau olhado, as bruxas, ou os três.

Não me importava de ter uma coisa dessas!

 

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

publicado por Ventor às 00:03