Um dia teria de ser assim!

O "Campion", teria de acabar por ser, o "Campeão dos Campeões"!

Um dia, quando eu acordei para o futebol, ouvia falar do Porto, como ouvia falar do Braga, do Sporting, do Benfica, do Belenenses, do ...

Era um puto e não conhecia os meandro podres do futebol!

 

Em 1961, cheguei a Almada, onde fui trabalhar com o meu amigo Joaquim da Chica que Deus tem e, num domingo, procurei acompanhar sobre os "muros", o duelo do Almada e do Cova da Piedade. Fiquei desiludido com a pancadaria!

 

Oito meses depois, vim trabalhar para Lisboa onde comecei a acompanhar aquelas "estafetas gloriosas" do Benfica. Era um tempo onde toda a gente queria ser do Benfica. Conheci um porteiro do cinema Monumental e, através dele, o seu irmão, gerente dos bares de, pelo menos, três cinemas. Eu tinha as velhas portas do Monumental abertas e o dono daquilo era um benfiquista fanático. Aliás, eram todos benfiquistas. Os jogadores do Benfica eram convidados pelo patrão do Monumental, a assistir a um ou outro filme e era um privilégio, para mim, poder beber um café com o Eusébio, o Coluna, o José Augusto, o Águas, ... todos! Eu, através desses amigos, entrava para junto deles e, por duas vezes, tive o privilégio de ver a Hermínia Silva, pedir aos jogadores para fazerem manguito (o toma do Bordalo Pinheiro), aos seus próximos adversários. (A Hermínia, de pé, sobre uma mesa, "Oh, José Augusto. Vós tendes de lhe fazer o manguito português"! Por várias vezes, esses homens que, com galhardia, levavam longe o futebol português também foram meus ídolos! Mas foi por pouco tempo. Lá longe, para norte e para trás, tinha ficado o meu Porto.

 

 

Um dia, um amigo, por me ver defender o FCP, contra benfiquistas, apareceu-me com um embrulho e disse-me: "amigo Ventor, tenho aqui uma coisa para si que, creio, vai gostar". Isto, após Viena e Tóquio. "Ofereço-lhe este livro, «F.C.P. - Campeão dos Campeões», e ofereço-lhe este azulejo com os campeões de Viena, autografado por todos eles".

Obrigado amigo. Já passaram anos mas, para mim, continuam relíquias!

 

Eram os tempos em que, sempre que o Futebol Clube do Porto se deslocava a Lisboa, lhe chamavam os "Andrades". "Vêm aí os Andrades"! Eu não tenho nada contra os Andrades mas, nessas alturas, a palavra "Andrades", cheirava-me mal. Saía da boca de alguns benfiquistas com um bafo mal cheiroso! Um hálito nojento!

Um dia, nos Restauradores, vi alguns jogadores do FCP, serem mal tratados com palavrões nojentos, daqueles que no Norte não parecem mal mas, aqui, tresandavam a fedor. Porque no Norte, quase nunca são insultos mas, aqui, eram!

Li, uma vez, um artigo de alguém que dizia que os Andrades, mal passavam o Douro, rumo a Lisboa, já tremiam. Tudo o que eu ouvia da boca de muitos benfiquistas, meus conhecidos, tresandava.

 

Depois, o José Maria Pedroto passou a vir com eles e acabou a tal tremideira. O Zé do Boné, só por isso, valeu tudo. Para mim, ele passou a ser o terror dos tais que abusavam das deixas da linguagem do futebol. O Futebol Clube do Porto deve muito a muita gente, mas o Pinto da Costa e o Zé do Boné, jamais serão esquecidos nessa instituição.

Com o Pinto da Costa tudo passou a ser diferente. O Porto chegou a esse lugar merecido, no destaque do futebol português, do Futebol Europeu e do Futebol Mundial.

 

 

 

Os Filhos do Dragão!

Eles até sabem cantar

 

Começou a ganhar campeonatos, a ganhar taças, a trepar na Europa e de que maneira! Em trinta anos, pouco mais, pedala ao lado dos maiores da Europa!

 

Isso deve-se, fundamentalmente a um homem: Jorge Nuno Pinto da Costa. Foi ele que foi buscar o Pedroto - treinador da reviravolta - o Artur Jorge, o Ivic, o Mourinho, ... o Vilasboas!

Com eles, ganhou campeonatos, taças, supertaças, duas Taças dos Campeões Europeus, duas Taças UEFA, Uma Supertaça europeia, duas Taças Intercontinentais. Sete, no total!!! Com elas e, por elas, podem beber o vinho do Porto.

 

 

 

Os seus principais adversários, ficaram-se pelas duas conquistadas no tempo da Idade da Pedra do Futebol.

Não será fácil para um clube português, voltar a atingir esses pódios com tamanha assiduidade.

 

Por isso, direi sempre: Viva o Futebol Clube do Porto!

Obrigado pelas alegrias que me têm dado. Não é por nada, mas sabe bem! Sabe ainda melhor quando vejo abater, sem dó nem piedade, os ratos dos túneis!

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

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publicado por Ventor às 22:26