Caminhar, silenciosamente, nas calçadas do Chiado, é um facto real, tanto tempo depois! Sem canadiana, sem canadianas, sem dores, com a bondade do Senhor da Esfera que, parece, também caminha, em socorro do Ventor, em socorro da sua flor, do seu malmequer!

Foi isso que aconteceu hoje!

Por necessidade de clarificação com uma empresa de seguros da CGD, tivemos de nos deslocar ao Calhariz e, por essa razão, de fazer uma visita à nossa Lisboa.

Deixei o meu malmequer no Calhariz, subi a rua da Rosa, até ao Príncipe Real, voltei a descer a Rua da Misericórdia e levei, a nossa companheira de quatro rodas para um túnel de grilo, até aos confins, subterrâneos do Parque sob a Pç Camões. 

 

 

Estátua de Camões, na Pç. Camões, em Lisboa

 

Claro que, ao sair do buraco, o meu amigo Luis, o Luis de Camões, de espada na mão, descida rumo ao solo, quase como um romano, bateu com a mão esquerda no peito e, todo entusiasmado, disse: "Salvé, Ventor"!

Para mim, é também com todo o entusiasmo que cumprimento o grande Camões! Subi, a pé, até ao Calhariz, depois de fotografar o Camões e, com uma alegria bem grande, observei, caminhando, um pouco apressadamente, a Rua Loreto e quando observava a Rua da Atalaia, tocou o meu telemóvel. "Luis, onde estás? Eu já tratei de tudo"! «OK, eu estou a tratar»! "Estou à porta"! «E eu aqui estou! Levei o carro para as caves do Inferno e, cheguei»!

Parecia-me que estava acabado de chegar a Lisboa, cinquenta anos atrás. Recordei a Rua da Atalaia e, com ela, o meu amigo Firmino da Quelha de Paradela. Quando ia lá, às vezes, almoçar nunca me deixava pagar. Foi por isso que nos vimos menos vezes. Mas, recordando o Firmino, fiz a minha alma caminhar na Rua da Atalaia, mais uma vez, hoje.

 

"Podíamos ir até à Rua Garrett"?

«Tens coragem para isso»? "Sinto que sim"!

Descemos a Rua do Loreto e, cheios de esperança, fomos visitar o Senhor da Esfera, na Sua casa italiana - a Igreja dos Italianos. Quando saímos, foi ela que mandou. Atravessamos o Chiado e logo o seu poeta popular nos fez uma vénia e nos diz: "bem-vindos, bem-aventurados"! Os cumprimentos da ordem!

 

 

Igreja dos italianos, no Chiado

 

Despedimos-nos do Senhor da Esfera que sorridente, nos disse. «Vão vão. Eu também vou convosco»! Observar o Chiado, de pé no chão, sem canadiana, de facto, só com a boa vontade Dele! Foi quase um sonho! Descobri que tantos anos de Chiado, tanta passeata, foram um refrescar de alma e, até as pedras da calçada, dos passeios, sorriam para nós. As montras bonitas sorriam também e, a vontade de entrar dentro era enorme. Olhar as coisas, tocar-lhes, pegá-las, pegar no cartão, pagar e andar ... como seria bom! Mas não. Ainda é cedo!

 

 

 Montra da Vista Alegre, no Chiado

 

Ainda é cedo para apreciar as belas chávenas, pratos, cálices, taças, ... da Vista Alegre! Ainda é cedo para fazer compras no Chiado. Ainda é cedo para abusar da bondade do Senhor da Esfera! Mas, olhar, são apenas mais uns poucos minutos sobre a Princesa da Discórdia - a coluna lombar desavinda. E, por isso, o melhor era olhar e, se possível, apoiar a mão na montra para amortecimento.

 

 

Uma mansão do Senhor da Esfera - a Sua casa dos italianos em Lisboa

 

Amortecimento das pressões e respeito pela bondade do Senhor da Esfera. Não esquecer aquele belo "salão", onde a esperança não nos larga e nos liga a Ele. Cheio ou vazio, cada um se apresenta segundo a sua maneira de encará-lo. Nós damos-nos bem com ele e, temos esperança que Ele também connosco!

 

 

Uma troca de mensagens com Fernando Pessoa, no Chiado, em Lisboa, frente à Brasileira

 

Depois da festa dos cumprimentos com o poeta Chiado e de assistirmos aos seus piropos às estrangeiras e portuguesas que passavam, fomos rodando, no silêncio, sobre a calçada, aproveitar para aliviar a tal pressão e ter uma conversinha com o nosso amigo Pessoa. Aproveitar, exactamente, para uma troca de "mensagens". Ele falou-nos do seu tempo e da sua Mensagem e, nós, do nosso tempo porque, ele, apenas apanha um ligeiro cosculhar, um cheirinho do que vê passar-se pelas calçadas do Chiado, mas Portugal está muito para além do Chiado!

 

 

Uma espreitadela na montra de Paris em Lisboa

 

Depois fomos beber a bica na Pastelaria Benard, como antigamente, o caminhar na Rua Garrett, observar a montra do Paris em Lisboa, olhar bem os preços, as belezas das toalhas de mesa, de todas aquelas belezas, o encostar ao barão para retirar carga à molestada.

 

 

Reconfirmar o obejectivo e preparar para uma entrada

 

Depois mais um recuo, um ajustar de óculos, uma confirmação da forma e da cor e também do valor representado por esse fanático de todos os dias - o euro - e as belezas que ele representa. "Não"! «Não o quê»? "Vou ter de entrar"!

Entrou, vasculhou tudo, subiu as escadas ao andar de cima. Afinal, os corrimões devem servir para alguma coisa! Ela foi e eu fiquei. Nestas coisas somos antípodas um do outro. Ela subiu, vasculhou e eu voltei ao poeta Chiado, ao Pessoa, à Livraria Sá da Costa. Fui fazendo tempo fotografando tudo. Afinal, a mim dizem-me pouco as toalhas de mesa, os guardanapos, os panos de tabuleiro ... A mim, basta-me uma mesa sem toalha. Pode muito bem ser um rojão no espeto, na Corga da Vagem, no Muranho, nas Forcadas, no Olho do avô ... e, a toalha, pode ser a relva seca, queimada pelo calor de Julho, de Agosto, de Setembro. Pode, também, ser uma sandes, a meias, na bela mesa de bate-papo do Fernando Pessoa.

 

Mas, mesmo assim, depois de tão bela caminhada, com passagem pelas seis salas da Livraria Bertrand, ainda arranjou força para, ao jantar, fazer um borrego assado no forno e pô-lo numa toalha daquelas que ela disse que teria de ver o que tinha para voltarmos ao Chiado e então sim! Depois da avaliação do stock, o euro giraria sobre as toalhas do Paris em Lisboa.

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

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publicado por Ventor às 23:20