Amanhã, dia 21 de Junho, aos 00:09 minutos, despeço-me da minha amiga Primavera e vou dar as boas-vindas ao seu mano Verão.

 

 
A minha amiga Primavera, sorriu-me pelas mãos de Karl Larsson
 
Ela também me sorri em cada flor que encontro nas minhas caminhadas e quando me aparece toda enfeitada de flores e adornada na sua coroa de glória. Ela sabe, porque eu lhe disse, antes de chegar, que o seu irmão Inverno se tinha portado muito mal. Ela viu, ficou muito triste e disse-me que se o irmão não nos deu a água suficiente, também ela não o poderia fazer mas que tentaria regar as nossas flores. Sabendo que não seria fácil cumprir os seus desígnios de regar bem as nossas flores, ela veio despedir-se de mim, deixando regadas as flores que não sabe se o seu irmão Verão virá a conseguir. Muito triste me disse: "que mais posso eu fazer Ventor, se o meu irmão vai ficar com as nossas flores regadas mas ele irá ficar, logo de seguida, todo espavorido e acalorado"?
 
 
A minha amiga Primavera, depois de umas caminhadas ao lado do Ventor, prometeu-me voltar no próximo equinócio, ainda mais linda  do que vai partir. Aqui sorriu-me pelas mãos de Sandro Botticelli, a nossa Flora

 

Vamos então esperar que o Verão de 2012, chegue e nos dê alguma da água que nos falta, que chegue para nos dar de beber a nós e aos animais e vá regando as poucas culturas que vamos mantendo, na esperança de que não vínhamos a tornar-nos, rapidamente, numa extensão do deserto do Sara. Estamos a caminhar numa seca extrema em várias zonas que perfazem os 50% da extensão do país, mantendo-se em seca quase todos os outros 50% restantes. Ora isto não é nada animador para aqueles que se dedicam à criação de gado e à agricultura. Sendo mau para eles, será mau para todos nós.

Estou-me a recordar dos tuaregs atingidos pela seca de 1973, da qual ainda não recuperaram. Dos lagos que secaram, dos uedes que não voltaram a ser cheios por chuvas como as de outrora. Estou-me a recordar dos peixes que viviam no seu grande lago, e ficaram os seus esqueletos nos lodos do lago para nunca mais lançarem as redes. 

 

 
Vai entrar o tempo de verão
 
Tratem bem as águas dos rios, dos lagos, das represas, das fontes. Sejam felizes banhando-se na maior das preciosidades, uma dádiva do Senhor da Esfera para todos nós e não só para alguns.
Deitem para o lixo aquele jargão popular que nos diz: "com o mal dos outros posso eu bem". E acreditai mesmo que, o mal dos outros é uma extensão do nosso mal.
Estou-me a lembrar do noss João que, com pouco mais de quatro anos, já nos ensina a todos como a água é importante e até na lavagem dos dentes a devemos poupar.
Que o Verão nos sorria a todos.
Até 2013, Primavera.

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

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publicado por Ventor às 22:31