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caminhar com o Ventor

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Caminhem com o Ventor pelos Trilhos da Memória, nos trilhos da sua Grande Caminhada




Como sabem, o Ventor saiu das trevas para caminhar entre as estrelas.
Ele continua a sonhar, caminhando, que as estrelas ainda brilham no céu, que o nosso amigo Apolo ainda nos dá luz e que o nosso mundo continuará a ser belo se os homens tentarem ajudar..



Aqui, no Cantinho do Ventor, vamos sonhando ...



... juntamente com a Wikipédia



Aqui, estão abertas todas as janelas do Cantinho do Ventor, vamos sonhando e espreitando por elas



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Nestas janelas guardadas pela coruja das neves, a amiga do Ventor no Zoo de Lisboa, podemos espreitar as minhas fotos no Shutterfly ou, então, regressar à Grande Caminhada do Ventor


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No Shutterfly podemos observar algumas das caminhadas fotográficas do Ventor. Se pedirem a coruja abre-vos as janelas.

Venham com o Pilantras, às músicas do Ventor

na sua Rádio Ventor


06
Jan14

Chamava-se Eusébio

Ventor

Um dia, em 1962, quando entrei no café do Cinema Monumental, encontrei a equipa do Benfica que iria ser campeã da Europa.

Estavam todos ou quase todos presentes. Tinham sido convidados pelo Dono do Cinema, o cinema do Velho Monumental, a descontraírem-se por ali, no Bar e no Cinema, nas vésperas do grande jogo com o Real Madrid.

 

 

 Levaram tempo, Eusébio, a colocar-te no swítio certo

 

Do que mais me recordo é da grande Hermínia Silva, sobre uma cadeira do Bar, apontar para o José Augusto, estender o braço esquerdo e, com o braço direito, fazer um toma, (manguito): "oh, José Augusto, faz-lhe assim, aos espanhóis", ao Real Madrid, pois claro.

Eu tinha sido convidado pelo Gerente dos Bares do Cinema Monumental, do Cinema Alvalade, do Cinema S. Luis e já não recordo o outro. Uma vez, ao entrar no Cinema, encontrei uma nota de 50$00 no chão e, disse ao Porteiro do Cinema para a guardar e dar ao dono quando aparecesse. Um dia, passava eu junto da porta do cinema ao lado do Café Monumental, para ir beber o meu café e o porteiro a quem entreguei a nota veio-me dizer que o dono da nota tinha aparecido. Que andava ali de olhos no chão à procura e pela conversa lhe teria dado a nota. O porteiro seguiu e o que estava de serviço nessa porta falou comigo e tinha visto a malta toda a chamar-me parvo por ter entregue a nota.

 

Arranjei ali um amigo que me indicou ao irmão, o tal gerente e passei a ter sempre as portas abertas, especialmente, quando o que por ali se passava me agradava. Claro que, então o Benfica estava na mó de cima e eu vivia, já então, no meio de Benfiquistas. Devo muito a esses benfiquistas ferrenhos que terão ido para Moçambique, pelo menos um e nunca mais os vi.

Foi no Bar do velho Cinema Monumental que eu conheci aqueles grandes jogadores do Benfica, inclusive o Eusébio, durante uns anitos. Nunca mais vi o Eusébio a não ser nos jogos pela televisão e sempre que ele acompanhava o Benfica ou a Selecção Nacional nas suas caminhadas.

 

 

Quem passar por aí, continuará a recordar os teus fortes pontapés e a nossa Pantera Negra

 

Sempre acreditei no Eusébio pelo modo como ele jogava, respeitando os adversários, pelo modo como falava dos outros, especialmente, dos seus adversários desportivos. Sempre o achei bem educado. Mas, enquanto tiver memória, nunca me esqueço da desolação de todos nós no Bar da Base Aérea 2, na Ota, naquele célebre jogo, em 1966, com a Coreia de Norte. Estávamos a perder 3-0 e o Bar ia ficando vazio. Saiu tudo de revoada, escada abaixo e, eu, era dos primeiros. Disse para mim que, ver jogos assim, não valia a pena. Quando cheguei ao fundo das escadas, na televisão gritou-se golo de Portugal - Eusébio!

 

A mesma revoada que trazíamos escada abaixo, voltamos a levar escada acima. Ainda fomos assistir a mais quatro dos nosso golos. Foi nesse jogo que o Eusébio nos marcou a todos.

Ontem o Eusébio deixou-nos e hoje teve honras de herói nacional. Eu não estive lá, porque não podia, mas estive frente à televisão a despedir-me do Eusébio porque ele era, também, um dos meus. 

Ele era do Benfica cá dentro e do Real Madrid lá fora. Um pedaço disso também é meu. Eu sou do Futebol Clube do Porto cá dentro e do Real Madrid lá fora.

 

Uma noite, ao luar de Marrupa, no Norte de Moçambique, em 1968, vi uma pantera negra. A primeira coisa que me veio à memória, ao ver aquela beleza, foi a recordação do Eusébio, a nossa pantera negra - o mito.

Nunca esquecerei aquele puto, mais velho que eu cerca de quatro anos que, saído da então Lourenço Marques veio instalar arraiais em Lisboa, junto de nós e nunca mais será esquecido por todos. Ele será sempre nosso e nós, tenho a certeza, seremos sempre dele.

 

 

Chutavas de todos os ângulos. Por isso escolhi essas três fotos da tua estátua para quem passar por aqui te recordar

 

Recordo-me da sua última entrevista à TVI, quando ele diz que veio de Moçambique com o nome de Rute para despistarem o Sporting e recordei-me da moça de Moçambique, chamada Rute que, em 1970, devido a problemas familiares, teve de regressar a Moçambique, deixando de estudar. Lembro-me de, então, quando ela caminhava para o avião, se voltar para trás a chorar e gritar bem alto: "Fox, nunca mais esqueças o nosso Moçambique"!

Claro que eu não esquecerei! Não esquecerei Moçambique, não esquecerei as suas Rutes, não esquecerei o nosso Eusébio, não esquecerei nada de Moçambique.

 

Adeus Eusébio. Eu irei pedindo ao meu (nosso) Senhor da Esfera para te manter junto d'Ele. Eu acredito que tu ficarás junto d'Ele porque tu não eras só um jogador de futebol. Tu eras um Homem.

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

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