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Caminhem com o Ventor pelos Trilhos da Memória, nos trilhos da sua Grande Caminhada




Como sabem, o Ventor saiu das trevas para caminhar entre as estrelas.
Ele continua a sonhar, caminhando, que as estrelas ainda brilham no céu, que o nosso amigo Apolo ainda nos dá luz e que o nosso mundo continuará a ser belo se os homens tentarem ajudar..



Aqui, no Cantinho do Ventor, vamos sonhando ...



... juntamente com a Wikipédia



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Nestas janelas guardadas pela coruja das neves, a amiga do Ventor no Zoo de Lisboa, podemos espreitar as minhas fotos no Shutterfly ou, então, regressar à Grande Caminhada do Ventor


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No Shutterfly podemos observar algumas das caminhadas fotográficas do Ventor. Se pedirem a coruja abre-vos as janelas.

Venham com o Pilantras, às músicas do Ventor

na sua Rádio Ventor


10
Set06

Pedrada - Do Alto, à Derrilheira

Ventor

Agora, vamos iniciar a descida do Alto da Pedada, pelo lado de Travanca. Não para ir mesmo por Travanca, mas para vos dar uma ideiade como é o lado contrário daquele por onde subimos. Depois rodamos à esquerda, dirigindo-nos para a Corga da Vagem onde o Jack nos espera.

Ao sairmos da zona do marco geodésico, em direcção do Mezio-Travanca, encontramos os pedregulhos que, quando eu era miúdo, me contavam que a filha de um rei queria lá fazer um Palácio. Sempre que por lá passava, só, ou acompanhado, eu não pensava no lobo, mas imaginava como ficaria ali um palácio, que com tanta pedra, seria certamente, bem maior que todos os cortelhos do Muranho juntos! Vejamos então, como um acidente geológico pode dar lugar à lenda!

 

 

 

 

 

 

 

 

Cá estão as tais pedras, mas há muitas mais. O estradão que se vê lá em baixo, rumo â zona do Mezio, vem de Lamas de Mouro, passa pela Branda das Aveleiras, atravessa a Seida e aqui ramifica-se. Um braço vai para Sistelo e o outro para o Mezio. Não me recordo se foi um projecto florestal se já é obra do Parque. O que eu sei é que, nos aos "70", eu fiz , pela única vez, esse trajecto de carro com uns amigos pelo cair da noite e ainda estava um rouceiro do lado da Pedrada com as cabras a tentar fazê-las acelerar para a branda de Gorbelas, onde já chegariam com escuro. Estava-se lá tão bem que as cabras não queriam ir para casa!

Lembra-me de meu pai dizer para esse senhor: «olha que já é tarde, podes ter problemas»! Referia-se ao lobo que andaria por ali de olho no rouceiro, nos cães e nas cabras há procura da sua oportunidade.

 

 

 

 

Lá ao fundo, vêm-se os Arcos de Valdevez. Todos que conhecem a zona, recordam-se como são  lindas as encostas que nos fazem trepar os olhos por aqueles montes do Mezio e de Travanca em direcção à Pedrada. Agora, essas encostas vestidas de luto, durante muito tempo, deixar-nos-ão apenas, para aqueles que as conheceram, as recordações das suas florestas verdes!

 

 

 

 

Nesta foto, vê-se outro Fojo do Lobo, na mesma configuração do estradão, do lado oposto ao nosso Fojo do Lobo. A Pedrada fica no meio dos dois. Este fojo, ultimamente, tinha os muros envolvidos pelo mato que já não se dava por ele. Eu sabia que estava ali, mas quem não soubesse, passava-lhe despercebido. Neste, nunca asisti a uma montaria.

 

 

 

 

 

O Luis já escalou o cortelho que está junto aos pedregulhos e eu fui de volta ver a sua porta. Ele recordou-me de uma vaca que era do ti Brazileiro e que se chamava Dourada. É engraçado como há animais que marcam a nossa vida, tanto tempo depois. Essa vaca, no tempo que subiam ao tecto da serra gostava de andar pelo Curral do Pai, e quando o sol apertava ela encaminhava-se par o Alto da Pedrada, e metia-se neste cortelho onde, à fresquinha, se abrigava das moscas. Depois saía, dirigia-se para o Curral do Pai, matava a sede e no dia seguinte voltava. Como eras linda dourada! Era a única que utilizava o cortelho.

 

 

 

 

Entre estas duas montanhas corre o rio Ramiscal e nas suas margens jaz, devorada pelo fogo, a bela mata de carvalhos do Ramiscal. Não sei para que querem o Parque Nacional se não são capazes de tomar conta dele. Aliás, a geração que se diz libertadora, não foi capaz de tomar conta de nada! Dão tanta volta nos meandro políticos que acabam por não fazer nada. Mais parecem baratas tontas!

 

 

 

 

Não é fácil caminhar na Pedrada mas, pelo menos, a Dourada tinha flores à saída do seu Palácio!

 

 

 

 

 

Mais uns amigos mortos, como diria o meu Quico. Os que puderam fugiram, os que não puderam foram esturricados, como estes. O Senhor da Esfera fez muitas coisas mal feitas e uma delas, foi colocar o fogo em mãos criminosas. E, pelo que parece, nem Ele nem os homens conseguem refrear o ímpeto de tantos assassinos. Pendurados na primeria árvore era o que eles mereciam!

 

 

 

 

Ao fundo à esquerda, não era no meio à direita! Olhamos para a fonte da Corga da Vagem  na margem esquerda, fora desta foto e népias! Mas a minha objectiva foi encontrar o Jack deitado onde mais lhe agradou. Pudera! O sítio era óptimo para quem perde noitadas!

 

 

 

 

Deitou-se debaixo do sorriso do nosso amigo Apolo, bastante moderado, num dia bastante fresco, ouvindo o cantarolar das águas e das rãs. Que mais querer neste mundo para dormir um sono justíssimo?!

 

 

 

 

Assubiei, gritei e nada! Teve do Luis seguir para a fonte e eu fazer o desvio para o ir buscar! Acordou, esfregou os olhos e, claro, como não as via, perguntei-lhe pelas garrafinhas! Como raio ele terá levado as garrafas para a nascente e veio dormir para tão longe? Perguntei eu! As garrafas Jack? «Estão aí no rio»!

 

 

 

 

Olhei o rio do Jack e não via nada. Apenas vi rãs a saltar com medo que o Ventor estivesse à procura do almoço. Como se eu estivesse disposto a comer coxinhas de rã na Corga da Vagem!

 

 

 

 

Mas eu olhava e nem rãs via, as garrafas dera-as Deus! Mas o Jack deu umas voltas e lá as arrancou das águas! Sabiam que os lobos tomavam banho aqui? Sempre que eu ia à Pedrada com o Lodi (Lodai), um cão meu amigo e das minhas caminhadas, ele perdia-se sempre nestes matos à procura de animais que já lá tinham estado. Depois virava-se para mim e dizia: «Ventor, não sei deles, mas eles estiveram aqui»!

Esquece-os Lodai, eles não são parvos como tu"! Uma vez encontrou lá uma vaca acabada de comer! Só grandes ossadas.

 

Mas quando eu andava lá por África, num dos montes de Vila Cabral, encontrei um sítio igual a este com águas que se sumiam nos torrões e voltavam a aparecer mais à frente. Lá lembrava-me sempre da Coga da Vagem e na Corga da Vagem lembro-me sempre desse sítio.

Lá o Goldfinger gritava e arranhava o focinho com as patas da frente e eu de arma em riste corria a pensar que alguma mamba me mordeu o cão. Afinal era um caranguejo a cerca de 600 km do mar e a uma altura semelhante a esta. Pouco abaixo dos 1400 mts.

 

 

 

 

Entretanto, eu e o Jack, chegamos à nossa fonte e encontramos o Luis de volta da sua tralha! Estava a preparar o seu almoço. Para isso tinha de o aquecer num fogareiro em miniatura. Nem ele nem o Jack  faziam farinha da máquina! Eu arranjei outro entretimento. Este amigo! Um dos escaravelhos descendente de velhos amigos de outas caminhadas. Tivemos um velho díálogo os dois. Ele tem o seu gene e eu tenho o meu e ambos dissertamos sobre as histórias dos velhos tempos.

 

 

 

 

Este amigo ouvia tudo que eu lhe contava e, de vez em quando, colocava-se de barriga para o ar e parecia que ria que nem um perdido. Por causa dele, da maquineta do Luis e da sede, cometi o meu primeiro grande erro. Comecei a colocar as garrafas de cerveja na água corrente, bebi água fresquinha, comemos, bebemos, brinquei com alguns bichos sobreviventes e, no meio disto tudo, acabei por  não fotografar a nascente da nossa sede, a da Corga da Vagem.

Mas também não perdemos muito! Ela é igual à do Muranho e da Naia. Para vocês isso serve e para mim, como é costume, deixo sempre rabos. Por isso é que os meus ciclos nunca são fechados!

 

 

 

Depois partimos e pelos caminhos que andamos, verificamos que nunca se está só nas minhas Montanhas Lindas! A defecação do lobo que, na desorientação do incêndio deixou a sua marca e as suas patadas. Vimos as patads do lobo nas cinzas, mas não as fotografei porque tinha de mudar de lente. Claro que, também porque poderiam dizer que podiam ser de cães, mas lobo é lobo e cão é cão. O lobo já foi matar gado para os montes de Paradela e da Várzea. Um carro passou à uma da manhã na estrada de Adrão para Paradela e perante a fuga das vacas, rumo à estrada, parou. Tudo acalmou e o carro seguiu o seu destino ficando as vacas nas margens da estrada.

Dias depois, alguém deu pela falta de uma vaca. O condutor da viatura contou a sua hsitória e o dono da vaca foi dar com os restos da sua carcaça. São histórias de vida e morte nas montanhas da serra de Soajo!

 

 

 

 

Agora arrancamos rumo ao alto da Derrilheira que fica à nossa esquerda. Do lado direito da Corga da Vagem, ficam os cortelhos do Cabecinho . Este primeiro monte no centro da foto. Aqui morreu-se em lutas sem glória por espaços da nossa serra. Soajo e Adrão travaram aqui as suas batalhas. À paulada, mas não deixaram de ser batalhas. Os de Soajo queriam passar para cá e os de Adrão queriam passar para lá com os seus gados. Os de Soajo não permitiam que os gados de Adrão passassem para o monte do Cabecinho mas queriam que os gados de Soajo passassem para o lado da Derrilheira e como sabem, para que homens andem à bordoada, não é preciso muito.

 

Deu-se uma zaragata e um de Adrão matou um de Soajo. Depois, segundo se diz, teve de fugir para Espanha. Segundo consta, nunca mais voltou. A Guarda chegou a ir guardar essa corga, e não permitia que os de Soajo passassem para cá nem os de Adrão para lá! Nunca percebi isso, pois esses montes são de Bordença e Bordença é de Adrão. Obrigado Luis, por me recordares aquilo que nem sempre gostamos de lembrar.

 

 

 

 

Ao caminhar do Cabecinho para a Derrilheira, já vemos as nossas montanhas do fundo. Assureira, Cascalheira, Chãe da Porca ...

 

 

 

 

Aqui mais ampliada e com a sua paisagem deslumbrante. Do lado de lá são as encostas que nos levam ao Gerês!

 

 

 

 

A nossa caminhada, agora, dirige-se para o Alto da Derrilheira!

 

 

 

 

Lá ao fundo, do lado direito, já sabemos que está Soajo ...

 

 

 

 

Mas as cinzas são tantas que eu quis prestar uma homenagem à minha bengala. Perdi-lhe a borracha e, por isso, foi fácil enterrá-la nas cinzas. Andei um pouco e, ao virar-me para trás, observei como as cinzas ficavam no ar. Assim, com esta foto especial, a minha bengala já tem uma história para contar à outra. A chatice é que a outra também vai querer ir à Pedrada!

 

 

 

 

Ali, naquele vértice, está o Alto da Derrileiira. Foi com ele, visto lá debaixo, que eu abri a descrição sobre esta bela caminhada.

 

 

 

 

Mas não somos só nós a caminhar neste inferno de cinzas. Continuamos a ter outros companheiros como esta aranha que me arrepia ao vê-la, mas ela nem sabe como, apesar disso, fiquei contente de a ver.

 

 

 

 

À nossa direita ficam sempre estáticos os montes de Bordença. Entre eles correm corgas que as fotos não mostram

 

 

 

 

Um pouco enviesado tiro fotos das minhas montanhas lindas. No quadrado esquerdo da foto, em baixo, vemos o poulo do Alto do Lombo e no fundo o Senhor da Paz, no meio do incêndio, o local rapado da minha velha Escolinha.

 

 

 

 

Do lado de lá, os montes da Assureira. Por baixo da rapada, no meio do pinhal, fica a nascente das Fontes.

No centro inferior da foto as casas cimeiras de Adrão - a Barreira! Lá ao fundo, a Barragem de Lindoso!

 

 

 

 

No centro da foto, á direita, Soajo. Aqui do lado esquerdo, no fundo a estrada que passa por Bordença para Adrão. A objectiva foi lá, mas nós estamos muito longe, cá no cimo!

 

 

 

 

Continuamos a caminhar para o Alto da Derrilheira!

 

 

 

 

O Luis caminha para atingir a Derrilheira e ver a Naia, a Chãe do Boi, enfim, o nosso mundo intermédio.

 

 

 

 

São pedras, em estilo de marco geodésico que alguém levantou para servir de marco. O velho e oficial, foi destuido.

 

 

 

 

Da Pedrada, com uma visão de 360º em volta pouco vemos, porque a visão é reduzida ao topo das montanhas. Apenas tem uma escapadela em direcção dos Arcos de Valdevez e Braga.

 

 

 

 

Mas daqui, nós vemos tudo, 360º em volta. À nossa rectaguarda está a Pedrada. Em frente tudo até Espanha, Amarela, Gerês. À esquerda a serra da Peneda, e os montes de Rouças e Gavieira. À direita os Montes de Bordença até Soajo.

 

 

 

 

À esquerda, mesmo debaixo da asa, um adeus aos Cortelhos e Poulo do Muranho

.

 

 

No centro da foto, vê-se o cimo de Adrão. Como podem ver, Adrão está cercada de montes. É ali o meu berço. Tanto ou mais que o Torga, eu nasci num berço de granito coberto com o manto azul do céu. Caminhar sobre granito é a mais bela das minhas especialidades. Foi sentado nestas rochas que, no 11 de Setembro de 2001, quando eu pretendia que o meu sobrinho Nico saísse de Israel, ele me colocou, no telemóvel, a música da ponte do Rio kwai!

 

 

 

 

No estradão da Naia, à esquerda. na foto, viu o pastor das cabras de Cunhas, antes do incêndio, o lobo a tentar apanhar um vitelo. Estava tão pertinho dele em plena corrida que achou que o vitelo tinha sido mordido. Mas não foi mordido.

Ele estava a olhar as suas cabras e viu as vacas a fugir pelo monte abaixo e uma delas a ornear, pedindo ajuda. Não via nada e ao olhar o estradão viu um vitelo na maior corrida da sua vida. Olhou para trás do vitelo e viu que o lobo o levava quase apanhado. Apontou o vitelo aos cães e eles foram dar uma batida ao lobo que, mal notou que os cães iam em sua direcção foi forçado a desistir da caçada.

 

 

 

Agora vamos iniciar a descida, pelo Alto da Derrilheira abaixo, a mais difícil de todas. Quero dizer com isto que vamos descer rumo à Naia, à nossa fonte muito querida, mas antes, teremos de passar pela primeira nascente do rio de Adrão. Irei mostrr-vos a fonte da Naia e a caminhada para casa. desta vez mais longe, em Arcos de Valdevez!

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

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