«Quando o cuco cantar ... »

Quando o cuco cantar o quê, Tobias?

«Tudo vai ser mais bonito»!

 

     Vejam aqui, algumas das fotos do Natal do Ventor

 

Tobias, o meu companheiro da minha 1ª caminhada de 2011.

Os nossos olhos passearam com os olhos dos nossos amigos

 

 

Eu acredito no que o Tobias me diz, mas o Tobias, não teve a mesma sorte que eu. Nunca ouviu cantar o cuco! Mas foi o suficiente para me colocar em alvoroço! Só de imaginar o som do seu cântico, nos dias lindos da Primavera, a estação, companheira preferida das minhas caminhadas, este primeiro dia do Ano de 2011, tornou-se mais lindo!

 

 

Joana, minha afilhada, a nossa Princesa mais velha

 

Deitei-me, eram duas da manhã, depois das passas e do alvoroço de assistir à morte de mais um ano, de dizer o meu adeus a 2010, foram seis horas a dormir e a sonhar. Sonho sempre com qualquer coisa! Depois de, durante noites, ter sonhado com quase tudo, até com bichos peludos azulinhos, uma espécie de prossecionárias azuis, com um escorpião azul que conversava comigo e me disse que não iria ferrar a minha companheira de caminhadas que o tinha agarrado, com um anjo que o Senhor da Esfera enviou com o Antar para me levarem para uma viagem sem retorno (o anjo dizia-me que o Antar iria leve, pois só carregaria a minha alma), esta noite sonhei com um dia lindo e caminhava entre salgueiros e árvores verdes, muito lindas.

Acordei, espreguicei-me, virei-me para o outro lado e ia tentar dormir. Mas, olhei o relógio do rádio, eram oito e dez! Eu ia recomeçar mais um sono ou, quem sabe, também, mais um sonho. Espreitei a luz clara dos cortinados e compreendi que o meu amigo Apolo batia nas vidraças da varanda. No vira e revira, eram já oito e vinte.

 

Levantei-me, fui tratar da vida e tomar um duche para começar o ano de 2011 sem qualquer rancisse de 2010.

Sem vontade de comer, ainda com o travo diabólico do whisky saído da garrafa bailarina, de um amigo chamado Johny Walker e de um espumante português que não fica a dever nada aos líquidos que vêm do lado de lá dos Pirenéus, arranjei vontade para lavar e trincar uma maçã reineta, uma das minhas companheiras das manhãs.

 

 

Maria, a Princesa Nº 2, no calendário

A Joana, a Maria e os outros, princesas e príncipes, fazem o mundo a sorrir!

 

Depois fui à janela de trás, cumprimentar os meus amigos! Abri a janela e, de imediato, o meu amigo Tobias pousou sobre o choupo à minha direita e trazia uma minhoca no bico. Engoliu a minhoca e, de seguida, começou numa azáfama gigante, a limpar o bico contra um galhinho do choupo. Foi num desses intervalos que me observou mais uma vez e, na sua linguagem de melro, se saiu com a história do cuco!

 

«Quando o cuco cantar... !»

 

Passei uma manhã linda, à janela, e enquanto conversava com o meu amigo Tobias, falando-lhe do cuco, ele disse-me que nunca viu o cuco e que, nunca o ouviu cantar mas, têm passado por aqui outros amigos penudos, como as garças, que lhe falam do cuco e dos seus cânticos, do seu cu-cu, pu-ti, ... cu-cu, puti ... Disse-me também, que era capaz de dar uma tareia na madame Tobias se ela não fosse capaz de discernir entre os seus ovos e os ovos do cuco e que, já este ano, por causa do cuco, cada vez que ia ao ninho, obrigava a madame Tobias a levantar-se para observar, ele próprio, os seus ovos!

 

De repente, virou-se para mim e disse-me: «olha Ventor, os nossos amigos! Eles já te viram e, enquanto conversamos, iniciaram o seu voo de afinação das suas asas, os seus motores, os motores de todos os penudos. Observa aquilo»!

 

Era, de facto, lindo!

Os patos reais apresentavam-se à nossa esquerda, com o voo inclinado, de barriga para nós e de costas contra uma nuvem negra a sul. Os raios luminosos do nosso amigo Apolo, penetravam na sua barriga toda esbranquiçada e por baixo das suas asas e, as suas penas, brilhavam tanto contra a escuridão da nuvem que até faziam doerem-me os olhos. Passaram à nossa frente, inclinaram a cabeça para a sua direita, gritaram em uníssono: BOM ANO VENTOR! BOM ANO TOBIAS!

Deram mais duas voltas e foram pousar no lago, mesmo à nossa frente, sem uma única falha! Pareciam guiados por radares infalíveis!

 

O Tobias disse-me que ia tentar outra minhoca e partiu.

 

Preparei tudo para fazer um chá verde, a única coisa que sei fazer na cozinha. Chá verde e torradas, abrir garrafas e fazer sandes. Já não é pouco, penso eu!

No intervalo, enquanto a cafeteira eléctrica das gentes da senhora  Angel Merkel, fazia barulho, voltei à varanda. Voltou o Tobias ao mesmo choupo e fomos conversando, mais um pouco, sobre esse pássaro mágico a que os homens chamaram cuco, enquanto nas alturas, na nossa vertical, as gaivotas voavam em circo, desejando, umas às outras e a nós, ao Ventor e ao Tobias, um BOM ANO de 2011.

 

 

As nossas rabanadas, uma bela companhia de todos os Natais

Podem comer mas, não se esqueçam de sacudir o açúcar

 

O mesmo vos deixo eu aqui - os votos de um BOM ANO de 2011.

 

Também, à nossa direita, entre as rolas turcas, observamos o voo desengonçado de dois gaios que, sempre vão perguntando ao Ventor o que pensa politicamente se um dia os turcos invadirem a Europa, tal como fizeram as rolas.

 

Esta foi a minha primeira caminhada de 2011, feita apenas, com o caminhar dos meus olhos sobre estes belos amigos penudos e as árvores descamisadas deste primeiro dia de inverno do ano de 2011, herdado de 2010.

 

Agora, caminhando ou não, vou esperando os Reis Magos que vêm a caminho, ao encontro do Menino.

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

publicado por Ventor às 22:09