Hoje subi à sera da Mira. Foi uma passeata de 3 horas antes do almoço. Numa serra, mesmo que esventrada pela apetência do homem, encontra-se sempre muita coisa. Vejam esta rocha em baixo, coberta de líquenes.

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Uma rocha na serra da Mira

Mas muma serra que faça jus ao nome, tem de haver rochas e tojo. Sem rochas e tojo, não lhe podemos chamar uma serra. Claro que tem muita coisa que não é próprio de uma serra. Por exemplo: a guarda avançada da destruição - a construção - acompanhada de máquinas, e homens de capacetes, a preparar novos caminhos! Mas esqueçamos, e vivamos o tojo.

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 Tojo na serra da mira

 Também, numa serra, tem que haver um cão. O cão procurava algo. Não seria certamente Ferrer Roger, mas talvez um coelhito, pois se é verdade que eu não o vi, também é verdade que já houve lá muitos e talvez procurem sobreviver à pedalada que o homem tem imprimido na ocupação da sua serra da Mira.

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Cão na serra da Mira, numa busca frenética

Mas há uma boa razão para ainda haver por lá uns coelhitos, se assim não fosse, não andavam por ali tão afincadamente estas minhas amigas. Tive por companhia três belas águias. Mas eram muito envergonhadas e olhavam-me de soslaio. Difícl de fotografar, apenas por birrice delas! Disseram-me que não se achavam assim tão fotogénicas para serem exibidas na Net!

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 Uma águia na serra da Mira 

Mas o instinto da caça não é exclusivo das águias e dos cães. Também esta gata diz que continua por ali a desenvolver o seu instinto de sobrvivência. E era tão meiguinha que até gostava da minha companhia.

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 Uma gata na serra da Mira  

Mas uma serra, para ser completa, tem de ter flores. Neste campo, a serra da Mira já foi uma serra bela e hoje, apesar da seca, brindou-me com belas flores. Os lírios, por exemplo, são seu apanágio, mas estão muito pobres e mirrados com a falta de água. Continuam, no entanto, a exibir os seus robes mágicos no meio da secura!

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 Lírios na serra da Mira

Mas além dos lírios haviam outras flores que espero colocar nas minhas Flores de Inverno. Mas estas, além dos cardos, foram também, noutros tempos, apanágio florístico da serra da Mira.

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A solidão e a tristeza nota-se nesta flor. Era quase unica!

Mas numa serra, também se desenrolam tragédias. É o caso desta borboleta presa nos acúleos dos tojos. Ela debatia-se e nada conseguia. Eu ainda tive dúvidas, mas era verdade. Estava mesmo presa! O seu grito de socorro ao ventor salvou-lhe a vida e espero que sem danos.

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Borboleta presa no tojo, na serra da Mira 

E reparem como há solidariedade na serra! A abelha passou três vezes sobre a borboleta e veio direita a mim para que tentasse fazer alguma coisa pela desgraçada da borboleta. Peguei numa palhinha seca e consegui fazer que a borboleta trepasse agarrando-se a ela como sua tábua de salvação e ei-la, esvoaçando, com a promesa de ser mais cuidadosa.

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Borboleta e abelha, partem, partilhando o seu (nosso) mundo 

Mas, para além de tudo isto e muito mais, assisti a uma sinfonia ao ar livre! As abelhas e os meus queridos amigos, com predominância, amarelo-negro, tiveram a amabilidade de me brindar com uma bela sinfonia de sons mágicos. Não tentem imaginar o vosso amigo Ventor, como noutros tempos, sentado no meio dos tojos a assistir a este belo espectáculo. Foi para mim uma das maiores aberturas musicais que, hoje, numa manhã radiante, fui levado, por artes mágicas, a matar saudades. Aberturas musicais assim, já tive muitas, mas uma coisa é recordá-las e outra é vivê-las. Mais lindas, talvez, as sinfonias, cor de rosa, que já vivi nos carrascais da minha outra serra - Soajo

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Um dos meus amigos

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Outro amigo

A dança, a música e o cântico! Todos estes meus amigos colocaram alguma clarividência e bem estar na minha cabeça, nesta manhã bela mas seca, neste final de Inverno, em 2005.

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Uma das muitas abelhas partilhando o seu dia com o Ventor

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

publicado por Ventor às 19:20