O dia que mudou o mundo e, por isso, o dia que também mudou o Ventor.

 

Um dia que nunca devemos esquecer!

 

 

Não devemos esquecer

 

Faz hoje 10 anos que eu e o meu primo João Barbosa, nos encontrávamos a assar febras naquela nascente a que os nossos antepassados puseram o nome do "Olheiro do Avô", à mesma hora a que as Torres de Nova Iorque (New York), eram feitas ruínas por mentes depravadas.

Nós chegamos a essa nascente, a opção escolhida pelo João, acendemos o lume e começamos a fazer brasas para as febras. Alguns minutos depois, um helicóptero pairava sobre as nossas cabeças. Verificaram o nosso lume e verificaram que não haveria qualquer perigo de incêndio naquele local. Fizeram-nos sinal de que estava tudo ok, levantando o polegar, desejando-nos uma boa petiscada.

 

Nós ali ficamos a tratar do petisco e o helicóptero seguiu rumo aos Bicos-Mesio. Almoçamos e, do Olheiro do Avô, subimos à Pedrada, onde encontramos meia dúzia de vacas e umas cabras de Roussas ou Rouces, como dizemos em Adrão. O meu primo conhecia o dono das cabras e tivemos uns dedos de conversa com ele e a esposa e descemos da Pedrada até à Fonte da Corga da Vagem. Foi a última vez que eu vi cabras na Pedrada e foi um dia bem passado naquelas nossas belas Montanhas Lindas.

 

Por fim lá nos fizemos a casa. Fomos direitos ao Alto da Derrilheira, o nosso observatório especial, descemos via Poulo do Muranho, onde bebemos água e ia tentando contactar o meu Malmequer, por telemóvel, uma vez que as chamadas pingavam lá, mas não ouvia nada. Que raio se passará para ter aqui tantas chamadas não atendidas? Estávamos nas Lameiras, rumo à Portela. Um trrriimmm, um "estou" e apenas isto penetrou nos meus ouvidos: «Luis, ... aviões, ... Torres, ... Nova Yorque, ... muitos mortos»!

Virei-me para o João e disse-lhe: "deve ter acontecido caca da grossa, em Nova Iorque. Se calhar caiu um avião sobre a cidade. Não percebi o que a Gisela disse"!

Imaginei um acidente com um avião sobre Nova Iorque que deveria ter provocado muitos mortos. Como tinha ouvido a palavra aviões, admiti que tivessem chocado. Enfim, pensei em várias hipóteses mas, nunca pensei que haveria mentes tão depravadas neste mundo, para executar aquele plano tão macabro.

 

Escusado será dizer ter admitido, então que, se eu fosse Bush, iria ser o diabo!

 

Por isso, apesar das tantas coisas que se têm dito, continuo a acreditar que só mentes depravadas que por qualquer razão já teriam passado pelo Inferno, poderiam ter planeado e executado aquele plano execrável que envolveu tanta gente inocente. Os que viajavam nos aviões, para tratar da sua vida, os que trabalhavam nas Torres e, os que, no desenvolvimento de causas humanitárias, também por lá ficaram.

A todos eles presto aqui a minha homenagem com esta música emprestada relembrando todos os que foram forçados a partir mais cedo e como no silêncio, continuam a ser lembrados.

Il Silenzio de Nini Rosso

 

 

 Pelo choro de uns e pelo silêncio de outros, eles serão recordados, também com esta música - Silenzio

 

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

publicado por Ventor às 13:00