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As Caminhadas do Ventor

Pelos Trilhos da Memória

As Caminhadas do Ventor

Pelos Trilhos da Memória

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Como sabem, o Ventor saiu das trevas para caminhar entre as estrelas.
Ele continua a sonhar, caminhando, que as estrelas ainda brilham no céu, que o nosso amigo Apolo ainda nos dá luz e que o nosso mundo continuará a ser belo se os homens tentarem ajudar..


14.04.06

A última Águia


Ventor

Hoje, chamaram-me para ouvir uma notícia triste na SIC.

Um estudioso da Águia Real por zonas das Minhas Montanhas Lindas, diz que apenas há uma Águia Real no Parque Nacional da Peneda Gerez.

Imagem de Águia Real retirada da Wikipédia

Eu sinto o meu corpo estremecer quando ouço o «Grito da Águia». Normalmente o Grito da Águia de Asa Redonda, ou da Águia de Boneli. Sinto que elas me chamam e me fazem queixa do nosso desnorte.

Antigamente, nos meus tempos de miúdo, eu ouvia nos vales e montanhas da serra de Soajo, os gritos das Águias Reais. De vez em quando, aparecia junto de mim, a voar ou pousada, o corpo majestoso da Águia Real. Normalmente aparecia sempre solitária, mas cheguei a ver o casal a fazer as suas danças nupciais. Cheguei a ver uma Águia Real apanhar um cordeiro diante da sua dona e larga-lo nas alturas, talvez por a pele do animal se ter rompido nas garras daquela beleza alada.

Ainda tinho esperança de, na minha próxima ida à Pedrada, encontrar alguma Águia Real a fazer-me companhia, mas a esperança é muito ténue. De qualquer modo, ouvi um senhor, na imagem, dizer que ela tinha voado para os lados do Ramiscal. Eu que atravessei o Ramiscal com 12 anos, sob giestas retorcidas na raiz, carvalhos e matagais sem fim, há muitos anos, não precisarei de o fazer hoje, para ver a Águia Real se ela por lá andar. Vou fazer pousar a grande Águia junto de mim, Miguel Dantas!

Certamente que preferias as rogosidades das rochas ou o galho de uma árvore, que estar cercada de arame em rede sobre boas madeiras aplainadas. Choro silenciosamente a tristeza da tua prisão.

Deixo aqui um obrigado a todos que trabalham, todos os dias, para fazerem abrir nucas de cabeças nhurras!

Espera por mim Águia linda, para podermos ver juntos, mais uma vez, as nossas Montanhas Lindas. A única homenagem que te posso prestar é escrever sempre o teu nome com letra grande.

Eu acredito nele, porque não tenho razões para não acreditar, antes pelo contrário! No processo desencadeado pelo progresso da chamada «modernidade», o homem desencadeou a sua própria extinção e de todos os animais seus companheiros de caminhada. As causas são muitas e deixo-as para os especialistas, mas não deixarei de considerar a minha espécie de «bicho execrável»!

Acredito que o Eng. Miguel Dantas, creio ser este o seu nome, que se dedica ao estudo da Águia Real, há vinte anos, segundo ouvi, verterá lágrimas pela sua «querida amiga», quando notar a falta dela nos céus, sobre a sua cabeça.

Todos que são honrados com as aparições dessa e de outras belas rapaces, sentirão saudades, um dia, de não mais acompanharam a sua beleza a cruzar os ares entre as montanhas ou ver o seu perfil pousado sobre as mais altas rochas em redor.

Casa Velha.jpg

A casa velha, implantada na serra do Cercal, debruçada sobre o rio Mira

09.04.06

Os amigos


Ventor

Por aqui, através desta maravilhosa janela tenho feito bastantes amigos, e para além disso, obtido contactos perdidos, inclusivamente, contactos que nunca deveria ter perdido.

Mas hoje quero aqui falar-vos de um dos muitos amigos que obtive através desta janelinha. O meu amigo, Belmiro Xavier. Creio que lhe posso chamar amigo, porque não é toda a gente que perde uns minutos a incentivar-nos, a mim e ao Quico, a prosseguirmos esta Grande Caminhada.

Em Adrão

O Belmiro tem-nos incentivado através de e-mails e através do Guestbook a prosseguirmos este entretimento. Passa por aqui muita gente, mas nem todos têm sensibilidade para perder um minuto a dizer ao Quico que as coisas estão bem ou mal. Houve um momento em que não se viam algumas das fotos colocadas no Site e ninguém teve a amabilidade de me informar. Teve de ser um americano dos confins das Américas, um “camon”, a me informar e a dar-me, posteriormente, o feedback. Esse americano disse-me que tinha muita pena não saber português para poder ler os meus textos mas que fazia a tradução via Google, e não era a mesma coisa. Já lhe agradeci na devida altura pela sua amabilidade.

E porque destaco agora o Belmiro neste post? Porque nem eu conheço o Belmiro nem ele a mim pois nunca nos vimos, ou pelo menos, nunca fomos apresentados, mas ele sabe que um dos problemas que eu tenho tido é não ter fotos da minha aldeia para colocar aqui, pois das que tenho, nem todas posso aqui colocar, porque não pedi autorização às pessoas para o fazer. E o meu amigo Belmiro, em boa hora, deslocou-se da sua cidade, Braga e caminhou pelas minhas Montanhas Lindas, fotografou-as no seu manto branco e teve a amabilidade de partilhar as suas fotos comigo, enviando-mas, via e-mail.

No seu e-mail dizia que me enviava fotos tiradas em 26 de Fevereiro de 2006 das Minhas Montanhas Lindas vestidas de branco, lindas, como nunca as tinha visto! Nos meus tempos de criança vi-as assim muitas vezes, mas cheguei a ver tudo coberto de neve onde só as verticais das paredes das casas tinham cor diferente.

Como muito bem tenho verificado nestes meandros da Net, os amigos podem não ter, para nós, um rosto, mas podemos verificar que, muitos deles, têm uma alma.

Obrigado Belmiro,

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A casa velha, implantada na serra do Cercal, debruçada sobre o rio Mira