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As Caminhadas do Ventor

Pelos Trilhos da Memória

As Caminhadas do Ventor

Pelos Trilhos da Memória

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Como sabem, o Ventor saiu das trevas para caminhar entre as estrelas.
Ele continua a sonhar, caminhando, que as estrelas ainda brilham no céu, que o nosso amigo Apolo ainda nos dá luz e que o nosso mundo continuará a ser belo se os homens tentarem ajudar..


21.03.09

A minha homenagem à Poesia


Ventor

Hoje, neste dia mundial da Poesia, este post tem por objectivo prestar a minha singela homenagem a todos os poetas do mundo, especialmente, aos nossos poetas - os Poetas de Portugal.

Sim, porque estes são os nossos poetas, mesmo considerando a poesia um estado de alma universal.

Por isso, nos últimos tempos, tenho feito algumas caminhadas junto de alguns dos nossos grandes poetas que nos orgulham com o desempenho que tiveram na génese da nossa alma colectiva.

O espírito da poesa é um espírito que reflecte o estado da alma de uma nação. É um espírito que não só consegue reflectir a alma individual do poeta mas também a alma colectiva.

Quando Camões canta ao mundo «Os Lusíadas» ele quer reflectir para esse mundo o seu estado de alma no colectivo nacional e consegue-o tão bem que, ainda hoje, alguns séculos depois, nos sentimos orgulhosos com o cântico glorioso de Camões.

Luis Vaz de Camões

Camões descobriu que os portugueses tiveram capacidade de iniciarem uma caminhada cheia de glória e, por razões que os ultrapassam, nessa época, essa bela caminhada inicia um processo quase de desistência.

Ele apercebe-se que a nossa alma colectiva está prestes a encostar às boxes. Algo começa a falhar ou mostra-se prestes a falhar.

Camões que participa, que também  faz parte dessa caminhada gloriosa, sente o espírito nacional desvanecer. Ele apercebe-se que há necessidade de rebocar a parte boa que ainda reside no espírito colectivo desvanecido. Aproveita  a sua grande caminhada pelo Oriente ao ponto de sentir-se perder o fôlego. Mas não desiste! Ele continua a caminhada até chegar junto da Corte onde expõe com galanteria o seu espírito crítico que expressou naquele manoscrito a que vieram a chamar  «Os Lusíadas».

Todos os outros caminhantes, uns com mais poder de síntese outros com menos, reconheceram que «Os Lusíadas» eram, então, são ainda hoje, a mão que os portugueses, como entidade colectiva, precisavam e precisam para os empurrar em frente.

Se lermos «Os Lusíadas» com alguma atenção, concluiremos que eles são, ainda hoje, a expressão máxima da nossa Entidade.

Gostaria de vos falar aqui de todos os caminhantes que, tal como o Camões, decidiram montar-se no cavalo da poesia e da contribuição que deram para a prossecução dessa Entidade.

Gostaria de falar, sim! Mas sei que tenho por costume escrever posts relativamente grandes e sei perfeitamente que os posts grandes se tornam maçadores. Sendo assim, eu costumo enfeitá-los com umas fotos que permitem a quem passa por aqui, desanuviar o espírito.

Por isso, por ser assim mesmo, também aqui vou colocar algumas fotos das estátuas de poetas que, ultimamente, fizeram parte dos trilhos das minhas caminhadas.

Estes que aqui vos deixo representados, talvez consigam penetrar nos espíritos daqueles que terão maior tendência poética, pega-los pela mão e levá-los a dar ... não direi uma caminhada, mas uns passos até junto de outros e assim apreciar como todos eles, uns mais, outros menos, engrandeceram a nossa alma colectiva através dos séculos.

E que viva sempre a poesia.

Só todos nós poderemos fazer com que ela não morra.

Eis alguns poetas

Fernando Pessoa

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
 
 
Guerra Junqueiro
Regresso ao Lar
Ai, há quantos anos que eu parti chorando
Deste meu saudoso, carinhoso lar!...
Foi há vinte?...há trinta? Nem eu sei já quando!...
Minha velha ama, que me estás fitando,
Canta-me cantigas para eu me lembrar!...

Cesário Verde
 
Contrariedades

Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
    Consecutivamente.
 
 
Bocage
 
Em Louvor do Grande Camões
 
Sobre os contrários o terror e a morte
Dardeje embora Aquiles denodado,
Ou no rápido carro ensanguentado
Leve arrastos sem vida o Teuco forte:

Embora o bravo Macedónio corte
Coa fulminante espada o nó fadado,
Que eu de mais nobre estímulo tocado,
Nem lhe amo a glória, nem lhe invejo a sorte:

Invejo-te, Camões, o nome honroso;
Da mente criadora o sacro lume,
Que exprime as fúrias de Lieu raivoso:

Os ais de Inês, de Vénus o queixume,
As pragas do gigante proceloso,
O céu de Amor, o inferno do Ciúme.
 
Estes, podiam ser outros, são os poetas que vos deixo como amostra dos mais de 800 anos de Poesia Portuguesa.

 

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A casa velha, implantada na serra do Cercal, debruçada sobre o rio Mira

08.03.09

Caminhar por Carnide


Ventor

Hoje deu-me para fazer uma caminhada especial. Caminhar por Carnide!

Foi uma caminhada de cerca de duas horas, entre flores, está claro, entre "amigos" e entre quase cubos de cimento.

Normalmente só passo de carro por Carnide e também, normalmente, só ouço falar em Carnide, por ocasião das festas populares, quando Carnide e a sua marcha fazem a sua caminhada para a tal compita. E, verdade se diga, Carnide marca, todos os anos, uma boa presença.

A Igreja da Luz, que me pareceu muito linda por dentro

Hoje, não! Hoje teria de ser mesmo. Tal como noutros tempos, meti sapatos no asfalto e no paparelepípedo e lá fui eu fazer uma espécie de Revis por Carnide. Falar de Carnide, sou obrigado a falar da Luz, a falar do Colombo, a falar do ninho da nossa amiga, a falar da Senhora da Luz, do Largo da Luz, da feira da Luz, do Colégio Militar, da velha "Academia" dos antigos TLP's, ... Enfim, de tanta coisa!

Mas não. Não vou falar de nada. Dou-vos apenas um cheirinho fotográfico daquele belo local a que chamamos Carnide.

Estádio Da Luz - O "ninho" que todos conhecem

Claro que vou falar da Igreja da Luz. Pela primeira vez na minha vida entrei dentro da bela casa da Senhora da Luz. Ainda tive esperança de tirar umas fotos lá dentro, sem flash, mas cheguei na hora da missa e não deu. Terá de ficar para outra ocasião. Haveriam outras fotos que gostaria de tirar mas não tirei pois só apanhava gente pela frente. Mesmo assim, tirei algumas 290 fotos. Deixo-vos, mais em cima, umas quantas.

O Colombo com a sua primeira mini-torre, visto do lado de Carnide

As minhas caminhadas são umas caminhadas tristes. Eu gosto de caminhar nos matos floridos, no meio dos meus "amigos" que me presenteiam com belas sinfonias, mas não tem dado. Hoje fui buscar pão à Padeirinha da Serra e vi de soslaio os tojos amarelos e o apelo da Natureza a desafiar-me para caminhar junto dela. Mas não deu. Talvez não tarde passarei por lá para sentir a presença da vida daqueles que transportam nas suas asas este belo Planeta Azul!

Casa Velha.jpg

A casa velha, implantada na serra do Cercal, debruçada sobre o rio Mira