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As Caminhadas do Ventor

Pelos Trilhos da Memória

As Caminhadas do Ventor

Pelos Trilhos da Memória

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O Ventor saiu das trevas para caminhar entre as estrelas.
Ele continua a sonhar, caminhando, que as estrelas ainda brilham no céu, que o nosso amigo Apolo ainda nos dá luz e que o nosso mundo continuará a ser belo se os homens tentarem ajudar...


Depois? Bem, depois ... vamos caminhando!


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Ventor entre as Flores

09.11.09

Linhas de Torres


Ventor

As linhas de Torres, são um conjunto de velhas fortificações militares destinadas à defesa da cidade de Lisboa, capital do reino, consideradas um fenómeno de Defesa Militar para a época.

Há mesmo especialistas, na matéria, que nos afirmam que nada de igual teria sido feito até então, nos caminhos das guerras!

Quem sou eu para estar em acordo ou em desacordo com eles?

Não sei nada sobre outras linhas de defesas, com maiores exércitos, em confronto, para crer que assim seja.

 

Foto tirada da Wikipédia

Não sei nada, por exemplo, sobre a construção da Muralha da China, a não ser que o seu objectivo seria, manter os chineses encurralados dentro dessa cerca, ou não permitir que os seus inimigos figadais, de então, entrassem. Mas todos nós ficamos a saber que, esse monumento, é uma obra e "porra" como diria um bom alentejano. São milhares de kms e não umas dezenas. E, também não sabemos, o que terá acontecido durante estes séculos todos e, até, durante a sua construção. Sabemos, isso sim, que, a sua grandeza, segundo os chineses, já vai para além dos 5.500 kms. Isto diz-nos que ela continua a crescer com novas descobertas.

Este intróito, foi apenas para confrontar a afirmação anterior da grandeza das nossas Linhas de Torres.

Mas, não nos vão restar quaisquer dúvidas que, à nossa escala, se trata de uma obra grandiosa.

Quando há dias, precisamente, em 31 de Outubro, visitava com os meus companheiros de outras caminhadas, a fortificação do Zambujal, nos arredores de Mafra, passou-me pela cabeça tudo o que recordava sobre essas linhas da Defesa de Lisboa.

Ainda me recordo de, quando iniciei as minhas caminhadas por Lisboa, da Alameda das Linhas de Torres. Então, para mim, tudo se teria resolvido por ali! Fortificou-se aquela área, esperou-se a passagem dos franceses, esgotados de grandes caminhadas desde a sua longínqua França e zás! Bumba neles!

Mas com o tempo, e com as minhas leituras da história de Portugal e não só, acabei por vir a saber que nada disso! As Linhas de Torres eram outras. Estudei várias cartas militares que me mostraram a essência das linhas de Torres e que essas fortificações foram, de facto, uma obra de defesa militar a ter em conta. Porém, além daquilo que foi aquela  fortaleza do Zambujal, e da estrutura defensiva de Sobral de Monte Agraço, apenas recordo um ou outro toutiço dos 152 (+ou -) (há quem diga que eram 156), que fizeram parte dessa estrutura defensiva. Toda a zona saloia a norte de Lisboa, é adequada a esse tipo de defesa. Adequar a inovação humana de defesa ás estruturas naturais existentes. Quando rodamos pela CREL, ao pôr-do-sol, os cabeços dessa zona que nos são apresentados, cheios de luz e sombra, dão-nos a ideia de como os homens se conseguiriam estruturar, por ali, tornando possível desesperar o inimigo!

As duas primeiras Linhas de Torres;

a primeira (cerca de 46 kms), que vai de Alhandra, na margem direita do rio Tejo  até ao mar, foz do rio Safarujo (então, rio S. Lourenço), na costa atlântica, passando por Arruda dos Vinhos, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras.... onde o Forte de S. Vicentre, com cerca de 2.000 homens, podendo ser guarnecido com cerca de 4.000 e dispondo de uma bateria de 39 canhões, era o mais poderoso sistema de defesa de toda a linha.

A segunda linha, vai do Forte da Casa, junto ao Tejo, até Ribamar, passando pelo tal forte do Zambujal que controlava o rio Lizandro e o seu afluente, a ribeira da Vidigueira, bem como a estrada desde a Ericeira. Consta-se que, o Forte de Zambujal era apenas um dos 48 fortes que faziam parte da 2ª linha de defesa das Linhas de Torres, tal como os de Mafra, Ericeira, Carvoeira, Malveira ... Creio até que quase todos se situam dentro do Concelho de Mafra.

 

Forte do Zambujal, recuperado, ou se preferirem, trazido à luz de nossos olhos

A terceira linha, situava-se em redor de Paço d'Arcos, cujo obejectivo seria permitir a defesa da embucadura do Tejo, permitindo à marinha britânica retirar, caso as coisas não caminhassem como previsto.

Toda a organização das linhas de defesa, estendia-se por cerca de 80 kms, era defendida, segundo os especialistas, por um exército português regular de cerca de 36.000 homens, por outro exército de forças portuguesas, não regulares, de cerca de 60.000 homens, por um exército britânico de 35.000 homens, por uma força espanhola de 8.000 homens desavindos com Napoleão e as suas 152 fortificações estavam reforçadas com 600 peças de artilharia.

Creio que, sem grandes pormenores, os que há dias passamos pelo grande Forte do Zambujal, ficamos com uma ideia geral da grandeza da nossa pequena amostra. Falta-me aqui referir as cerca de 300.000 pessoas que foram metidas dentro, ou .. entrelinhas! Foram enviados para dentro da primeira linha e isso fazia parte de uma certa política de terra queimada que não permitiria aos franceses reabastecer-se.

Também não falo aqui dos diques levantados, das paliçadas e da criação de pântanos ou terrenos pantanosos, tudo isso para dificultar aquilo que seria a grande caminhada das tropas do Marechal André Macena sobre Lisboa. Há todo um mundo envolvido de que valeria a pena falar.

Olá Sobral de Monte agraço!


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A casa velha, implantada na serra do Cercal, debruçada sobre o rio Mira

08.11.09

Ele anda aqui


Ventor

 

 

Eu sei que tu sorris sempre!

Mas também sei que, de mim, não tens onde esconder tanta tristeza!

Tu disseste-me que gostarias muito de o abraçar, e eu disse-te que nem imaginas a falta que ele me faz.

Também sei que ele era o nosso peluchinho que levantava o rabo e caminhava a nosso lado, preocupado com todos nós.

Nunca me esqueço da figura dele quando, pela primeira vez, apareceste de canadianas cá em casa. Ele olhava-te e olhava-me. A cabeça dele parecia seguir os movimentos de uma raquete num jogo de ping-pong e acabou por se dirigir a mim para me dizer que estava assustado contigo.

Por fim, depois de pensar em tudo, pois ele reflectia sobre tudo, dirigiu-se a ti e deu-te muitas marradinhas. Ele adorava-te! Adorava-te e temos de nos habituar a isto, porque ele nunca mais nos irá largar!

Fomos nós que o criamos e cada vez me convenço mais que os animais são sempre tudo que os donos querem que eles sejam. De todas as vezes que te levava e não te trazia, porque tinhas de ficar no Hospital, ele nunca me largava e o seu ar inquisidor obrigava-me a explicar-lhe tudo. Ele não me largava! Para onde quer que fosse ele lá estaria. Ele absorveu o meu lema, o mesmo da canção dos Four-Tops: «Reach Out, I'll be there»!

E está! Estará sempre connosco!

Na noite anterior, esteve deitado sobre as minhas pernas! Ele está sempre connosco. Eu acordei de um sonho e senti as pernas carregadas com um peso. Pensei que eras tu, levantei-me para espreitar se tinhas alguma perna sobre as minhas, mas não! Estavas virada para o lado contrário e com as pernas desse lado. Eu estava só e o peso que sentia, abandonou-me. Era o peso do nosso Quico!


Casa Velha.jpg

A casa velha, implantada na serra do Cercal, debruçada sobre o rio Mira

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