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As Caminhadas do Ventor

Pelos Trilhos da Memória

As Caminhadas do Ventor

Pelos Trilhos da Memória

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O Ventor saiu das trevas para caminhar entre as estrelas.
Ele continua a sonhar, caminhando, que as estrelas ainda brilham no céu, que o nosso amigo Apolo ainda nos dá luz e que o nosso mundo continuará a ser belo se os homens tentarem ajudar...


Depois? Bem, depois ... vamos caminhando!


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09.07.11

Corvos, amigos de volta


Ventor

Foi na 4ª feira passada!

Tal como no ano passado, no mês de Julho, precisamente a 11, dia de S. Bento, lá estavam os meus amigos que, mais uma vez, voltaram a construir uma vivenda, a sua vivenda especial, nos velhos pinheiros de Belém. Eles sabem que o Ventor, cada vez mais velho, gosta de todos os seus amigos e os corvos não serão excepção e sabe que eles, também gostam dele.

 

 

O papá Vicente veio aos pés do Ventor buscar o pão

Mas continuo a pensar que a vida é um corredor de fenómenos!

No domingo à noite andei aqui por esta janela e entre a meia-noite e a uma, fui-me deitar. Como o sono não chegava, comecei a lembrar-me que estava no mês de Julho e estaria perto da data dos meus amigo negros. Seria que os meus amigos do ano passado, depois de irem embora, pois nunca mais os vi, teriam voltado a Belém para visitarem a sua velha vivenda?

Lembrei-me deles e pensei como gostaria de mais uma vez voltar a caminhar com eles! No dia seguinte, fomos beber o café, no sítio do costume e depois, levaria por aqui perto, o meu malmequer, para tentar fazer uma pequena caminhada, para, assim, tentar cumprir, dentro das suas capacidades, a prescrição médica. Tentar andar o quanto possa. Vamos aqui, vamos ali ... aqui não porque não presta, ali não porque é longe mas, diz-me ela, pode ser Belém! O primeiro pensamento que tive foi este: "está feito! Nada me garante que não possa voltar a encontrar por lá os meus amigos do ano passado! Mais uma vez, S. Vicente e S. Bento quiseram fazer a vontade ao Ventor.

 

 

O filhote do Vicente não deixou de observar o Ventor

Mal cheguei, observei gente sem fim junto à bela Torre de Belém uma ex-líbris da nossa Lisboa. Afastados e desempenados, caminhavam no meio das ervas secas, torradas pelo sol, três "Vicentes"!

Deixei o malmequer e a mãe para trás, tirei a máquina e caminhei, devagar, ao seu encontro. Ao aproximar-me, só disse isto: "olá, Vicente, voltaste? Já tens família nova? Já ... «Oh, Ventor! Nunca mais te vi por cá. Depois de olhar todo aquele Maralhal e verifico que não andas por cá acabo sempre por me afastar». O corvo, o meu amigo Vicente, aproximou-se de mim e ficou a cerca de 2-3 metros. O seu filhote olhou-me e afastou-se, o seu "malmequer negro" também se aproximou e, por fim, o mais pequenote, acabou por se aproximar também e lá fiquei eu entre os três corvos, como se estivesse entre as galinhas, nos caminhos de Adrão, clicando em todas as direcções. Caminhamos em todos os sentidos, eles iam apanhando isto e aquilo e, por fim, coloquei-me junto de um pedaço de pão, bem perto para ver a reacção do Vicente. Ele olhou-me dirigiu-se para mim em passada bem estugada.

 

O Vicentinho continuou a fazer as suas observações

Levantou a cabeça, fixou-me nos olhos e eu disse: "podes levar Vicente, tem bom aspecto"! Ele lá deu mais umas três passada, pegou o pão no bico e sem fugir, levou-o, com toda a calma, para junto do filhote. Houve uma senhora que se aproximou de mim, tirou umas fotos mas, ao aperceber-se que o meu amigo fez menção de se afastar, decidiu ser ela a fazê-lo para nós os quatro  ficarmos, por ali, à vontade. Foi uma festa de cerca de meia hora ou mais! Por fim, um preto que tentava almoçar uns petiscos, tentou dar-lhe alguma coisa mas eles não se aproximaram. O pequenote levantou voo para um carvalho e o preto fez-me sinal a dizer-me onde estava. O pequenote não gostou da denúncia e foi para cima de um poste de electricidade. Os pais ainda ficaram por ali e, encantados com a nossa caminhada, foram apanhando tudo e comendo.

 

 

Chateado com o Ventor subiu para um pinheiro e depois o carvalho

Além de boas conversas que tive com a família Vicente, o meu amigo disse-me que o filhote não era bem humorado. "Ainda há dias nasceu, Ventor, e já é contestatário. Não acredita em nada que eu lhe digo. Já lhe falei em ti e contei-lhe a história da Arca de Noé, ... aquela história da pomba ir à procura da primeira terra que aparecesse sobre a água. Ele diz-me que tudo isso não passa de uma treta! Já lhe disse que o primeiro elemento que se ofereceu para ir à procura de terra foi um corvo, mas Noé, achava que a pomba tinha mais possibilidades de regressar e preferiu a pomba. Por isso, os nossos dois antepassados, que não foram capazes de fazer o que pretendiam, foram os primeiros a aplaudir o gesto voluntarioso da pomba. Aquele gajo, nem parece meu filho, Não acredita em nada. Tens de conversar com ele mais tempo, Ventor"!

 

 

A madame Vicente pede desculpa ao Ventor pelo filho irrequieto

E assim nos despedimos. Os Vicentes partiram e o meu amigo Vicente, bem robusto, disse-me que voltaremos a encontrar-nos porque, S. Bento, S. Vicente, o Senhor da Esfera, ele e o Ventor assim quererão.

Boa sorte amigo Vicente. Toma conta do teu filhote que, com sorte, ainda há-de caminhar, por aqui e, terá grandes conversas com o Ventor.


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A casa velha, implantada na serra do Cercal, debruçada sobre o rio Mira

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