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As Caminhadas do Ventor

Pelos Trilhos da Memória

As Caminhadas do Ventor

Pelos Trilhos da Memória

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Como sabem, o Ventor saiu das trevas para caminhar entre as estrelas.
Ele continua a sonhar, caminhando, que as estrelas ainda brilham no céu, que o nosso amigo Apolo ainda nos dá luz e que o nosso mundo continuará a ser belo se os homens tentarem ajudar..


30.08.06

Montanhas Lindas - Tristeza dos Fogos


Ventor

As minhas Montanhas Lindas arderam!

Após o incêndio do Mezio no Parque Nacional da Peneda Gerês, todas as informações que obtinha eram de que tinha morrido gado nas nossas montanhas e que tinham ardido todas as montanhas visíveis a Oeste-Noroeste da estrada do Mezio para Adrão, até ao Alto da Derrilheira. Todas as encostas até ao horizonte das minhas montanhas lindas estavam carbonizadas.

A desolução era total

Estava previsto fazer a minha caminhada até às minhas montanhas na 2ª quinzena de Agosto e, logo que pude, meti rodados na estrada e rumei a Norte. Comigo transportava uma terrível ânsia de observar os estragos de um incêndio que, segundo as minhas gentes, deixou muito por contar. Saí da Amadora,  rumo à 2ª Circular, e encontrei bloqueado o IC19, tendo iniciado uma fuga pela 117, rumo à CREL  e só parei em Ponte da Barca para beber o segundo café.

Mas enquanto uns sofrem outros divertem-se sempre. Esta é a verdadeira dicotomia de qualquer sociedade

Ao chegar a Ponte da Barca, encontrei aquela bela localidade em festa e subi a rua sempre debaixo de arcos floridos até à Pastelaria Liz. De relance, ao subir a rua, vi uma rapaziada de equipamentos  verdes e logo confirmei tratar-se dos meus novos amigos, "os Malinos"!

E os meus amigos "Malinos" lá estavam para divertir todos com os seus bombos, charanga e concertinas

Mas o dia, para mim, não estava para festas! Eu só pensava nas minhas Montanhas Lindas. Bebi o café e fiz os cinco Kms que me separavam de Arcos de Valdevez, onde a minha gente me esperava. Comi umas costeletas à pressa e ala que se faz tarde, rumo ao Mezio e Travanca, limitando-me a ver as montanhas carbonizadas. Do Mezio passei por Soajo, Cunhas, Paradela e, rumei para Adrão pelas montanhas opostas à parte queimada, com o meu amigo Apolo, sempre à minha esquerda. Desde que cheguei à Cascalheira comecei a ver as minhas belas montanhas todas carbonizadas desde a estrada que passa sobre Adrão, pela Barreira, rumo à Peneda e a Paradela. Tudo negro! Os montes desde o Mezio, Bordença, Derrilheira, Naia ... tudo! Só faltava saber o que teria acontecido para trás dos seus horizontes.

As rainhas das montanhas, autêntics belezas nos verãos das minhas Montanhas Lindas, desceram ao céu, depois de terem passado pelo Inferno. Neste caso, lá em cima

Já tinha como certo que, uma das mais selvagens e das mais belas matas de carvalhos de Portugal, a do rio Ramiscal, tinha desaparecido nesse fogo. Sabendo isso, embora não tivesse a confirmação da vastidão desse incêndio, acreditei que a maravilha da serra que não é visível de lado nehum por onde passam carros, a não ser caminhando no seu seio, teria ardido também. Infelizmente vim a confirmar essa desoladora verdade. Toda a serra de Soajo estava queimada!

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A casa velha, implantada na serra do Cercal, debruçada sobre o rio Mira

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