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As Caminhadas do Ventor

Pelos Trilhos da Memória

As Caminhadas do Ventor

Pelos Trilhos da Memória

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O Ventor saiu das trevas para caminhar entre as estrelas.
Ele continua a sonhar, caminhando, que as estrelas ainda brilham no céu, que o nosso amigo Apolo ainda nos dá luz e que o nosso mundo continuará a ser belo se os homens tentarem ajudar...


Depois? Bem, depois ... vamos caminhando!


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10.11.05

Uma Tasca na Amadora


Ventor

Uma Tasca na Porcalhota.

Há muitos, muitos anos que eu passava por aqui, a pé ou de carro, e olhava as portas desta tasca. A Tasca da dona Rita! Eu passava junto à porta ou do lado contrário e via os barris do meu amigo Baco. Olhava a velha caixa do correio que trazia e levava notícias de todo o Mundo. De repente um grupo de amigos, ao verem-me tirar a foto ao correio, pediram-me para lhe tirar uma foto e eu disse que sim, que tirava, mas apenas se os pudesse colocar na Net. Foi meio a brincar, meio a sério.

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Que histórias nos poderia contar este pedaço das vidas de muita gente?

Fotografei-os e depois convidaram-me a entrar na Tasca e eu imediatamente fiquei engodado nas velhices dos tempos passados. Imaginei Baco a beber o seu copo, a esgrimir os seus argumentos com as beldades da região e a fazer com que os seus barris fizessem com que as torneiras despejassem o velho licor nas canecas.

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As belezas que fizeram parte da vida de um ou mais tanoeiros

Conversa daqui, mais conversa dali, o nosso amigo que metido dentro do balcão alimenta as esperanças das gentes, falou em água-pé. Eu perguntei: "água-pé"? Sim, também quer? Oh, homem, espere aí. Você tem água-pé? Sim. A melhor da Amadora. Pode procurar tudo que não encontra melhor!

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Um balcão cheio de histórias

Logo de seguida, um dos que me convidaram a entrar na Tasca, perguntou-me se queria provar e eu, muito inocentemente, disse que não! Oh!!! Foi o que ouvi. Hoje não estou preparado para beber água-pé - disse eu - mas vou voltar para levar alguma se me arranjaram e logo o nosso amigo do Balcão me disse que podia levar dois mil litros que outros dois mil vinham a caminho.

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Estamos a prepararmo-nos para o S. Martinho

Lembrei-me logo das manhas do meu amigo Baco quando se mandava à água-pé! Ele tinha um jeito muito especial para beber água-pé, e muito mais especial para beber vinhos novos. Caminhava de Quinta em Quinta e não se arrependia de beber um copo em qualquer lado que lhe fosse possível.

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O sonho de todos os amigos do meu amigo Baco

Muitos barris! Mas não interessa falar aqui das especialidades do meu amigo Baco. Terei outras oportunidades. Hoje apetece-me falar desta Tasca. Uma Senhora entrou na Tasca e voltou a sair, e logo um dos meus novos companheiros, reformado da Força Aérea, me disse que, aquela Senhora, era a Dona daTasca.

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Tralhas de uma Tasca

Ao mesmo tempo eu disse-lhe que me podia ter dito quando ela passou e não esperar que ela saísse! Ele veio logo com uma velha história em que - no tempo da outra senhora, quando andava na Aviação - etç. etç. tinha-lhe acontecido ... O quê, você andou na aviação? Disse eu com cara de santinho. Sim, andei! Na Civil ou na Militar? Na Força Aérea, pá! Ahhh!!!  É que eu também andei na Força Aérea!

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Aqui sabem-se todas as notícias e sabe-se como os nosso políticos se estão marimbando para o povo

Ali, sem sabermos onde há um princípio e um fim, começou uma conversa que nunca mais acabava, sobre a Metrópole, a África e todas as misérias relacionadas, mas ele ganhou-me! Ganhou-me quando me disse que andou lá 33 anos até à reforma e quando eu lhe disse que me contentei com 52 meses ele ficou triste como que a indicar-me que eu não era o parceiro ideal.

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Mais tralhas para todos os olhares

Mas a Senhora voltava e ele chamou-a logo! Esta é a dona da Tasca, a Senhora dona Rita! E apresentou-me! «Um amigo meu desde há alguns minutos e que gostava de a conhecer». Então o que era, disse a Senhora? E eu que estava atirado para ali sem saber ler nem escrever disse-lhe que achava muita piada à Tasca e se ela era de facto a dona se não se importava que a fotografasse. Perguntou-me logo se era repórter de algum jornal ou revista e quando eu disse que não, logo me perguntou porque gostaria de a fotografar?

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A Senhora Dona Rita, uma simpatia para todos

Não é nada de especial. É que há mais de 40 anos que passo nesta rua e sempre olhei a disposição destes barris ou outros antes e sempre gostava de ter aqui entrado mas nunca se proporcionou, só hoje, a pedido destes amigos e como tenho um Blog gostaria de falar sobre este cantinho tão velho, tão simpático e tão acolhedor! «Um Blog? O que é isso»? Expliquei à senhora esta história dos blogs e ela logo anuiu a ser fotografada e que poderia colocá-la a boiar na Net que não haveria problema nenhum. Que a sua Tasca já tinha sido alvo de assédios televisivos e que pelo menos as televisões já lá foram 3 vezes e que pensava que foram as três ou pelo menos uma delas foi lá duas vezes!

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Agora vou partir, mas prometo voltar

Ao observar aquela tasca com o mesmo aspecto de há 40 anos atrás, comecei a imaginar com quantos anos aquele cantinho terá carregado. Séculos? Quem sabe? Olhem bem para este estilo e imaginem comigo! Mas, para mim, é mesmo velha que baste. Logo me foi dito que é a Tasca mais velha da Porcalhota e mais precisamente, de toda a Amadora.

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Olhem como é bela a Tasca da Dona Rita

Mas isso pouco interessa, apenas interessa que ela faz parte da caminhada da minha vida. Por mais algum tempo continuarei a passar por lá e sempre que me meta a caminho, olharei, mesmo que imaginando, a torneira a pingar. O pingo da força que nos arrastará na caminhada de cada um com mais um sopro de alento.

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O pingo que chamava à realidade o meu amigo


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A casa velha, implantada na serra do Cercal, debruçada sobre o rio Mira

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