Uma manhã no Tejo
"Amaina isso ...
... que vem aí o Ventor!
Foi assim que Apolo falou para Neptuno e Neptuno amainou!
O Tejo parecia um espelho de águas lisas e as Tágides, as minhas amigas Tágides, alegres com a minha chegada, cavalgam nas gaivotas e outras penudas como esta.
Esta menina espera uma Tâgide para partirem juntas!
Passaram a manhã a dar-me as boas-vindas, uma após outra e outra, e outra, ...
A minha tâgide vem aí, diz-me esta menina
Conversei com o Leonardo ... o meu amigo Leonardo ... o da Vinci!
Ele estava à porta do Museu dos Combatentes e pediu-me para entrar, mas eu necessitava de tempo. Tempo sem controlo! Tempo para conversarmos, sobre tudo, e para trazer a chave de Morse!
Ficou um pouco chateado quando eu lhe disse que inventou muita coisa, mas esqueceu-se daquela coisa maravilhosa que foi a chave de Morse!
Leonardo olha-me como se fosse o único ... mas ...
Ficou danado comigo quando lhe disse que não queria saber da bicicleta, do tanque de guerra, de ... gosto mais de cavalos!
Disse-me logo que o Ulisses foi seu predecessor, quando invetou o cavalo de madeira que levous os troianos à desgraça. Disse-me: "e foi só com um, olha se fosse com centenas ou com milhares"!
Voltarei para conversarmos com mais tempo. As conversas com o Leonardo valem sempre a pena! Hoje, não dava, dediquei o tempo a esta bela piscina natural - o Tejo.
Olhei os meus amigos de longe, nem me certifiquei se era a PA que velava por eles!
Para onde quer que olhe só vejo Tágides de braços no ar acenando-me!. Só vejo cabelos dourados e sorrisos: "mas todas elas dizem-me que têm saudades dos tempos em que os golfinhos entravam no Tejo e elas cavalgavam nos seus dorsos"!
Às vezes, elas vão na proa dos barcos a orientar os marinheiros
As Valquírias, de Odin, cavalgavam em belos alasões ... mas essas eram guerreiras. As Tâgides cavalgavam montadas nos dorsos dos golfinhos ao encontro do Ventor e da paz. Como vestimenta usavam a luz da minha amiga Diana e, sobre as orelhas, colocavam os brincos de princesas que ainda hoje por lá há. Mas o Camões, o nosso Camões, nunca as viu assim!
As flores preferidas das princesas do Tejo - as Tâgides
Quantas vezes se penduram no chapéu do Infante e ficam sobre a caravela esperando que ele a deita à água!
A Caravela da Esperança está de esperança perdida!
Quantas vezes as Tâgides brincam em redor da Torre de Belém, escondendo-se do nevoeiro e cantando laudas ao Ventor!




