Ele anda aqui
Eu sei que tu sorris sempre!
Mas também sei que, de mim, não tens onde esconder tanta tristeza!
Tu disseste-me que gostarias muito de o abraçar, e eu disse-te que nem imaginas a falta que ele me faz.
Também sei que ele era o nosso peluchinho que levantava o rabo e caminhava a nosso lado, preocupado com todos nós.
Nunca me esqueço da figura dele quando, pela primeira vez, apareceste de canadianas cá em casa. Ele olhava-te e olhava-me. A cabeça dele parecia seguir os movimentos de uma raquete num jogo de ping-pong e acabou por se dirigir a mim para me dizer que estava assustado contigo.
Por fim, depois de pensar em tudo, pois ele reflectia sobre tudo, dirigiu-se a ti e deu-te muitas marradinhas. Ele adorava-te! Adorava-te e temos de nos habituar a isto, porque ele nunca mais nos irá largar!
Fomos nós que o criamos e cada vez me convenço mais que os animais são sempre tudo que os donos querem que eles sejam. De todas as vezes que te levava e não te trazia, porque tinhas de ficar no Hospital, ele nunca me largava e o seu ar inquisidor obrigava-me a explicar-lhe tudo. Ele não me largava! Para onde quer que fosse ele lá estaria. Ele absorveu o meu lema, o mesmo da canção dos Four-Tops: «Reach Out, I'll be there»!
E está! Estará sempre connosco!
Na noite anterior, esteve deitado sobre as minhas pernas! Ele está sempre connosco. Eu acordei de um sonho e senti as pernas carregadas com um peso. Pensei que eras tu, levantei-me para espreitar se tinhas alguma perna sobre as minhas, mas não! Estavas virada para o lado contrário e com as pernas desse lado. Eu estava só e o peso que sentia, abandonou-me. Era o peso do nosso Quico!




