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Como sabem, o Ventor saiu das trevas para caminhar entre as estrelas.
Ele continua a sonhar, caminhando, que as estrelas ainda brilham no céu, que o nosso amigo Apolo ainda nos dá luz e que o nosso mundo continuará a ser belo se os homens tentarem ajudar..



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14
Jan10

Camaleño a Covadonga

Luiz Franqueira - Ventor

 Mais uma bela caminhada!

 

  

Mais uma linda caminhada entre Calameño e  a nossa chegada a Covadonga

 

No dia 12 de Julho de 2007, despedimo-nos de Camaleño. Até quando? ... Mas eu, peguei na máquina e pensei em trazer Camaleño comigo. Apontei a máquina àquelas suas belas montanhas, clickei e pronto!

Colocamos as malas no carro e, sempre a olhar as belezas naturais de Camaleño, só fazia uma coisa: disparava contra todos os cabeços que rodeavam o nosso local verde.

 

 

Uma carroça no Hotel, em Camaleño, já cansada de percorrer carreteras

 

Por fim, fizemo-nos a la carretera que nos iria levar de retorno a Potes, para escolher aquele azimute desejável. Mais uma volta pelo centro de Potes e, eis-nos com a opção de escolha. Era la carretera N-621, rumo a Ryaño.

De Potes a Ryaño, caminhamos entre paisagens paradisíacas dos Picos e quase sempre, pelos vistos, em velhas terras de la Reina. Daí, e sempre na mesma estrada N-621, certas localidades como Llanaves de la Reina, Portilha de la Reina, Barmiedo de la Reina, outra localidade, a que achei muita piada, pois não vi espelhos nenhuns, a que chamam Los Espejos de La Reina, Villafrea de la Reina, Boca de Huérgano e, de seguida, eis-nos a observar a Embalse de Ryaño!

 

 

Uma esplanada no hotel, em Camaleño

 

Toda este trajecto da nossa caminhada eu admirei muito, não só pelas suas montanhas fabulosas, onde, segundo informações ainda haverão ursos, camurças, veados, ... e outras espécies de animais selvagens. Pelo menos, tudo indica que, com ursos ou sem ursos, por ali, sente-se que se trata de um espaço envolvente com grande variedade na sua fauna.

 

Mas de uma coisa eu tenho a certeza. A sua flora tem mesmo de ser riquíssima e se a flora é rica, também a fauna o será! Nos profundos vales abertos, entre aquelas grandiosas montanhas, a variedade de manchas verdes dos seus bosques, cheios de árvores diversas e os espaços abertos nas encostas, onde crescem os fenos e rebentam todos os tipos de flores selvagens, como rosas bravas, dedaleiras, ericas rosadas, margaridas e muitas outras que acompanham o crescimento dos fenos, como as minhas lindas flores do São João, tornam os picos um autêntico Paraíso terrestre.

 

 

A esplanada e a entrada para o hotel, em Camaleño

 

Eu nunca tinha visto tanta dedaleira junta, na minha vida. Apenas em Julho de 2009, dois anos depois, pelos planaltos de Castro Laboreiro, olhando, outra vez,  tanta dedaleira, mais me parecia tratar-se de mensagens poéticas coloridas, enviadas pelos Picos para que não me esquecesse, nunca mais de todas as suas belezas e, entre elas,  as suas dedaleiras. Essas mensagens poéticas, sei-o bem, também foram enviadas pelas corolas azuis dos raminhos de S. João, que encontrei por Castro Laboreiro e por todos os cantinhos das minhas montanhas lindas, desde Lindoso a Melgaço, sem esquecer Adrão. O ano de 2009, tal como 2007, mostraram-me que nunca devo esquecer todas aquelas belas mensagens coloridas, sempre possíveis, porque as flores estarão sempre a caminhar a meu lado, pelos meus belos trilhos e sempre sob os auspícios do meu amigo Apolo! 

 

 

A mesma esplanada

 

Umas voltas por Riaño e, então, adeus a la carretera N-621, cuja envolvência a torna numa belíssima carretera e, penetramos na nossa quase desconhecida carretera N-625, rumo a Cangas de Onis.

Assim fomos rodando ao lado do rio Sella, no chamado desfiladeiro dos Beyos, com destino a Covadonga e passagem por Cangas de Onis a primeira terra feita capital cristã do velho reino das Astúrias, pelo meu amigo Pelágio, logo na sequência da batalha de Covadonga, antes de Oviedo.

Tudo continua a ser lindo por este lado dos Picos mas o que mais me chamou a atenção foi ver rapaces em quase todo o trajecto. Antes de chegarmos a Cangas de Onis, uma águia real desceu da nossa direita e poisou mesmo a meu lado, apenas com o Rail entre ela e o carro e vi que ela apanhou um bicho que não identifiquei. Só eu é que a vi, pois o meu pessoal ia a falar de algo sobre a nossa caminhada e não tiveram tempo de acompanhar o voo picado da águia, nem a sua partida.

Íamos a uma velocidade permitida de 80 kms/h e não deu para parar e fotografar, mas fiquei com pena de apenas a ver aterrar bruscamente, no momento da nossa passagem.

 

  

 

Um telheiro para descansar quando saímos do carro

 

Depois de admirarmos o Desfiladeiro de Beyos onde flui o rio Sellas, apareceu no nosso horizonte, Cangas de Onis, mas o objectivo continuava a ser Covadonga e os seus lagos. No entanto como disse em relação ao rio Deva, todos os rios nos contam histórias. Olhando as água de um rio, observando-as calmamente, elas têm histórias para nós, e até cantam para nós!

Sobre o rio Sella, direi muito sintèticamente, que tem um pequeno percurso de cerca de 42 kms, que nasce na Fonte do Inferno, lá pelo extremo Ocidental dos Picos da Europa, absorve as águas do porto do Pontón, em terras leonesas e escorre numa fenda profunda a que dão o nome de Desfiladeiro de Beyos, continuando a sua caminhada até ao mar Cantábrico. Tem dois afluentes principais: o Ponga da esquerda e, da direita, o rio Dobra que nasce nos Picos, na Colina Santa (2.589m) e passa por baixo da ponte romana-medieval de Cangas de Onis.

 

Mas o rio Sella é também o paraíso dos pescadores de salmão, o santuário dos praticantes de canoagem de todo o mundo e o caminho para lugares dos mais lindos das Astúrias, tal como Covadonga e os seus lagos Ercina e Enol.

 

 

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

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Luiz Franqueira e o Quico


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