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caminhar com o Ventor

Pelos Trilhos da Memória

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caminhar com o Ventor

Pangea

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Caminhem com o Ventor pelos Trilhos da Memória, nos trilhos da sua Grande Caminhada

Como sabem, o Ventor saiu das trevas para caminhar entre as estrelas.
Ele continua a sonhar, caminhando, que as estrelas ainda brilham no céu, que o nosso amigo Apolo ainda nos dá luz e que o nosso mundo continuará a ser belo se os homens tentarem ajudar..


Aqui, no Cantinho do Ventor, vamos sonhando ...

... juntamente com a Wikipédia

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Nestas janelas guardadas pela coruja das neves, a amiga do Ventor no Zoo de Lisboa, podemos espreitar as minhas fotos no Shutterfly ou, então, regressar à Grande Caminhada do Ventor

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Venham com o Pilantras, às músicas do Ventor

na sua Rádio Ventor

10
Set06

Pedrada - Do Alto, à Derrilheira

Ventor

Agora, vamos iniciar a descida do Alto da Pedada, pelo lado de Travanca. Não para ir mesmo por Travanca, mas para vos dar uma ideiade como é o lado contrário daquele por onde subimos. Depois rodamos à esquerda, dirigindo-nos para a Corga da Vagem onde o Jack nos espera.

Ao sairmos da zona do marco geodésico, em direcção do Mezio-Travanca, encontramos os pedregulhos que, quando eu era miúdo, me contavam que a filha de um rei queria lá fazer um Palácio. Sempre que por lá passava, só, ou acompanhado, eu não pensava no lobo, mas imaginava como ficaria ali um palácio, que com tanta pedra, seria certamente, bem maior que todos os cortelhos do Muranho juntos! Vejamos então, como um acidente geológico pode dar lugar à lenda!

 

 

 

 

 

 

 

 

Cá estão as tais pedras, mas há muitas mais. O estradão que se vê lá em baixo, rumo â zona do Mezio, vem de Lamas de Mouro, passa pela Branda das Aveleiras, atravessa a Seida e aqui ramifica-se. Um braço vai para Sistelo e o outro para o Mezio. Não me recordo se foi um projecto florestal se já é obra do Parque. O que eu sei é que, nos aos "70", eu fiz , pela única vez, esse trajecto de carro com uns amigos pelo cair da noite e ainda estava um rouceiro do lado da Pedrada com as cabras a tentar fazê-las acelerar para a branda de Gorbelas, onde já chegariam com escuro. Estava-se lá tão bem que as cabras não queriam ir para casa!

Lembra-me de meu pai dizer para esse senhor: «olha que já é tarde, podes ter problemas»! Referia-se ao lobo que andaria por ali de olho no rouceiro, nos cães e nas cabras há procura da sua oportunidade.

 

 

 

 

Lá ao fundo, vêm-se os Arcos de Valdevez. Todos que conhecem a zona, recordam-se como são  lindas as encostas que nos fazem trepar os olhos por aqueles montes do Mezio e de Travanca em direcção à Pedrada. Agora, essas encostas vestidas de luto, durante muito tempo, deixar-nos-ão apenas, para aqueles que as conheceram, as recordações das suas florestas verdes!

 

 

 

 

Nesta foto, vê-se outro Fojo do Lobo, na mesma configuração do estradão, do lado oposto ao nosso Fojo do Lobo. A Pedrada fica no meio dos dois. Este fojo, ultimamente, tinha os muros envolvidos pelo mato que já não se dava por ele. Eu sabia que estava ali, mas quem não soubesse, passava-lhe despercebido. Neste, nunca asisti a uma montaria.

 

 

 

 

 

O Luis já escalou o cortelho que está junto aos pedregulhos e eu fui de volta ver a sua porta. Ele recordou-me de uma vaca que era do ti Brazileiro e que se chamava Dourada. É engraçado como há animais que marcam a nossa vida, tanto tempo depois. Essa vaca, no tempo que subiam ao tecto da serra gostava de andar pelo Curral do Pai, e quando o sol apertava ela encaminhava-se par o Alto da Pedrada, e metia-se neste cortelho onde, à fresquinha, se abrigava das moscas. Depois saía, dirigia-se para o Curral do Pai, matava a sede e no dia seguinte voltava. Como eras linda dourada! Era a única que utilizava o cortelho.

 

 

 

 

Entre estas duas montanhas corre o rio Ramiscal e nas suas margens jaz, devorada pelo fogo, a bela mata de carvalhos do Ramiscal. Não sei para que querem o Parque Nacional se não são capazes de tomar conta dele. Aliás, a geração que se diz libertadora, não foi capaz de tomar conta de nada! Dão tanta volta nos meandro políticos que acabam por não fazer nada. Mais parecem baratas tontas!

 

 

 

 

Não é fácil caminhar na Pedrada mas, pelo menos, a Dourada tinha flores à saída do seu Palácio!

 

 

 

 

 

Mais uns amigos mortos, como diria o meu Quico. Os que puderam fugiram, os que não puderam foram esturricados, como estes. O Senhor da Esfera fez muitas coisas mal feitas e uma delas, foi colocar o fogo em mãos criminosas. E, pelo que parece, nem Ele nem os homens conseguem refrear o ímpeto de tantos assassinos. Pendurados na primeria árvore era o que eles mereciam!

 

 

 

 

Ao fundo à esquerda, não era no meio à direita! Olhamos para a fonte da Corga da Vagem  na margem esquerda, fora desta foto e népias! Mas a minha objectiva foi encontrar o Jack deitado onde mais lhe agradou. Pudera! O sítio era óptimo para quem perde noitadas!

 

 

 

 

Deitou-se debaixo do sorriso do nosso amigo Apolo, bastante moderado, num dia bastante fresco, ouvindo o cantarolar das águas e das rãs. Que mais querer neste mundo para dormir um sono justíssimo?!

 

 

 

 

Assubiei, gritei e nada! Teve do Luis seguir para a fonte e eu fazer o desvio para o ir buscar! Acordou, esfregou os olhos e, claro, como não as via, perguntei-lhe pelas garrafinhas! Como raio ele terá levado as garrafas para a nascente e veio dormir para tão longe? Perguntei eu! As garrafas Jack? «Estão aí no rio»!

 

 

 

 

Olhei o rio do Jack e não via nada. Apenas vi rãs a saltar com medo que o Ventor estivesse à procura do almoço. Como se eu estivesse disposto a comer coxinhas de rã na Corga da Vagem!

 

 

 

 

Mas eu olhava e nem rãs via, as garrafas dera-as Deus! Mas o Jack deu umas voltas e lá as arrancou das águas! Sabiam que os lobos tomavam banho aqui? Sempre que eu ia à Pedrada com o Lodi (Lodai), um cão meu amigo e das minhas caminhadas, ele perdia-se sempre nestes matos à procura de animais que já lá tinham estado. Depois virava-se para mim e dizia: «Ventor, não sei deles, mas eles estiveram aqui»!

Esquece-os Lodai, eles não são parvos como tu"! Uma vez encontrou lá uma vaca acabada de comer! Só grandes ossadas.

 

Mas quando eu andava lá por África, num dos montes de Vila Cabral, encontrei um sítio igual a este com águas que se sumiam nos torrões e voltavam a aparecer mais à frente. Lá lembrava-me sempre da Coga da Vagem e na Corga da Vagem lembro-me sempre desse sítio.

Lá o Goldfinger gritava e arranhava o focinho com as patas da frente e eu de arma em riste corria a pensar que alguma mamba me mordeu o cão. Afinal era um caranguejo a cerca de 600 km do mar e a uma altura semelhante a esta. Pouco abaixo dos 1400 mts.

 

 

 

 

Entretanto, eu e o Jack, chegamos à nossa fonte e encontramos o Luis de volta da sua tralha! Estava a preparar o seu almoço. Para isso tinha de o aquecer num fogareiro em miniatura. Nem ele nem o Jack  faziam farinha da máquina! Eu arranjei outro entretimento. Este amigo! Um dos escaravelhos descendente de velhos amigos de outas caminhadas. Tivemos um velho díálogo os dois. Ele tem o seu gene e eu tenho o meu e ambos dissertamos sobre as histórias dos velhos tempos.

 

 

 

 

Este amigo ouvia tudo que eu lhe contava e, de vez em quando, colocava-se de barriga para o ar e parecia que ria que nem um perdido. Por causa dele, da maquineta do Luis e da sede, cometi o meu primeiro grande erro. Comecei a colocar as garrafas de cerveja na água corrente, bebi água fresquinha, comemos, bebemos, brinquei com alguns bichos sobreviventes e, no meio disto tudo, acabei por  não fotografar a nascente da nossa sede, a da Corga da Vagem.

Mas também não perdemos muito! Ela é igual à do Muranho e da Naia. Para vocês isso serve e para mim, como é costume, deixo sempre rabos. Por isso é que os meus ciclos nunca são fechados!

 

 

 

Depois partimos e pelos caminhos que andamos, verificamos que nunca se está só nas minhas Montanhas Lindas! A defecação do lobo que, na desorientação do incêndio deixou a sua marca e as suas patadas. Vimos as patads do lobo nas cinzas, mas não as fotografei porque tinha de mudar de lente. Claro que, também porque poderiam dizer que podiam ser de cães, mas lobo é lobo e cão é cão. O lobo já foi matar gado para os montes de Paradela e da Várzea. Um carro passou à uma da manhã na estrada de Adrão para Paradela e perante a fuga das vacas, rumo à estrada, parou. Tudo acalmou e o carro seguiu o seu destino ficando as vacas nas margens da estrada.

Dias depois, alguém deu pela falta de uma vaca. O condutor da viatura contou a sua hsitória e o dono da vaca foi dar com os restos da sua carcaça. São histórias de vida e morte nas montanhas da serra de Soajo!

 

 

 

 

Agora arrancamos rumo ao alto da Derrilheira que fica à nossa esquerda. Do lado direito da Corga da Vagem, ficam os cortelhos do Cabecinho . Este primeiro monte no centro da foto. Aqui morreu-se em lutas sem glória por espaços da nossa serra. Soajo e Adrão travaram aqui as suas batalhas. À paulada, mas não deixaram de ser batalhas. Os de Soajo queriam passar para cá e os de Adrão queriam passar para lá com os seus gados. Os de Soajo não permitiam que os gados de Adrão passassem para o monte do Cabecinho mas queriam que os gados de Soajo passassem para o lado da Derrilheira e como sabem, para que homens andem à bordoada, não é preciso muito.

 

Deu-se uma zaragata e um de Adrão matou um de Soajo. Depois, segundo se diz, teve de fugir para Espanha. Segundo consta, nunca mais voltou. A Guarda chegou a ir guardar essa corga, e não permitia que os de Soajo passassem para cá nem os de Adrão para lá! Nunca percebi isso, pois esses montes são de Bordença e Bordença é de Adrão. Obrigado Luis, por me recordares aquilo que nem sempre gostamos de lembrar.

 

 

 

 

Ao caminhar do Cabecinho para a Derrilheira, já vemos as nossas montanhas do fundo. Assureira, Cascalheira, Chãe da Porca ...

 

 

 

 

Aqui mais ampliada e com a sua paisagem deslumbrante. Do lado de lá são as encostas que nos levam ao Gerês!

 

 

 

 

A nossa caminhada, agora, dirige-se para o Alto da Derrilheira!

 

 

 

 

Lá ao fundo, do lado direito, já sabemos que está Soajo ...

 

 

 

 

Mas as cinzas são tantas que eu quis prestar uma homenagem à minha bengala. Perdi-lhe a borracha e, por isso, foi fácil enterrá-la nas cinzas. Andei um pouco e, ao virar-me para trás, observei como as cinzas ficavam no ar. Assim, com esta foto especial, a minha bengala já tem uma história para contar à outra. A chatice é que a outra também vai querer ir à Pedrada!

 

 

 

 

Ali, naquele vértice, está o Alto da Derrileiira. Foi com ele, visto lá debaixo, que eu abri a descrição sobre esta bela caminhada.

 

 

 

 

Mas não somos só nós a caminhar neste inferno de cinzas. Continuamos a ter outros companheiros como esta aranha que me arrepia ao vê-la, mas ela nem sabe como, apesar disso, fiquei contente de a ver.

 

 

 

 

À nossa direita ficam sempre estáticos os montes de Bordença. Entre eles correm corgas que as fotos não mostram

 

 

 

 

Um pouco enviesado tiro fotos das minhas montanhas lindas. No quadrado esquerdo da foto, em baixo, vemos o poulo do Alto do Lombo e no fundo o Senhor da Paz, no meio do incêndio, o local rapado da minha velha Escolinha.

 

 

 

 

Do lado de lá, os montes da Assureira. Por baixo da rapada, no meio do pinhal, fica a nascente das Fontes.

No centro inferior da foto as casas cimeiras de Adrão - a Barreira! Lá ao fundo, a Barragem de Lindoso!

 

 

 

 

No centro da foto, á direita, Soajo. Aqui do lado esquerdo, no fundo a estrada que passa por Bordença para Adrão. A objectiva foi lá, mas nós estamos muito longe, cá no cimo!

 

 

 

 

Continuamos a caminhar para o Alto da Derrilheira!

 

 

 

 

O Luis caminha para atingir a Derrilheira e ver a Naia, a Chãe do Boi, enfim, o nosso mundo intermédio.

 

 

 

 

São pedras, em estilo de marco geodésico que alguém levantou para servir de marco. O velho e oficial, foi destuido.

 

 

 

 

Da Pedrada, com uma visão de 360º em volta pouco vemos, porque a visão é reduzida ao topo das montanhas. Apenas tem uma escapadela em direcção dos Arcos de Valdevez e Braga.

 

 

 

 

Mas daqui, nós vemos tudo, 360º em volta. À nossa rectaguarda está a Pedrada. Em frente tudo até Espanha, Amarela, Gerês. À esquerda a serra da Peneda, e os montes de Rouças e Gavieira. À direita os Montes de Bordença até Soajo.

 

 

 

 

À esquerda, mesmo debaixo da asa, um adeus aos Cortelhos e Poulo do Muranho

.

 

 

No centro da foto, vê-se o cimo de Adrão. Como podem ver, Adrão está cercada de montes. É ali o meu berço. Tanto ou mais que o Torga, eu nasci num berço de granito coberto com o manto azul do céu. Caminhar sobre granito é a mais bela das minhas especialidades. Foi sentado nestas rochas que, no 11 de Setembro de 2001, quando eu pretendia que o meu sobrinho Nico saísse de Israel, ele me colocou, no telemóvel, a música da ponte do Rio kwai!

 

 

 

 

No estradão da Naia, à esquerda. na foto, viu o pastor das cabras de Cunhas, antes do incêndio, o lobo a tentar apanhar um vitelo. Estava tão pertinho dele em plena corrida que achou que o vitelo tinha sido mordido. Mas não foi mordido.

Ele estava a olhar as suas cabras e viu as vacas a fugir pelo monte abaixo e uma delas a ornear, pedindo ajuda. Não via nada e ao olhar o estradão viu um vitelo na maior corrida da sua vida. Olhou para trás do vitelo e viu que o lobo o levava quase apanhado. Apontou o vitelo aos cães e eles foram dar uma batida ao lobo que, mal notou que os cães iam em sua direcção foi forçado a desistir da caçada.

 

 

 

Agora vamos iniciar a descida, pelo Alto da Derrilheira abaixo, a mais difícil de todas. Quero dizer com isto que vamos descer rumo à Naia, à nossa fonte muito querida, mas antes, teremos de passar pela primeira nascente do rio de Adrão. Irei mostrr-vos a fonte da Naia e a caminhada para casa. desta vez mais longe, em Arcos de Valdevez!

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

05
Set06

Pedrada - do Muranho à Pedrada

Ventor

Topo da serra de Soajao. A minha serra, vista por cima!

Depois de subirmos aquela encosta do Muranho, logo no cimo, topamos com os montes que não vemos caminhando na estrada, nem enquanto subimos. Agora olhamos a nossa serra, por cima, mas não deixamos de deitar o olho em redor.

Vou mostrar-vos o que vemos a caminho da Pedrada depois de atingirmos o espaço de onde a vemos sempre, mantendo-se à nossa disposição. Desde o cerro que tem por cabeça o alto da Derrilheira, vamos ver a Pedrada e todo o seu espaço envolvente.

 

 

Depois de atingirmos aquele cerro que vai desde a Serrinha ao Alto da Derrilheira, vemos, lá à frente, o Alto da Pedrada que, com a ajuda da minha teleobjectiva parece em frente do nosso nariz, mas ainda falta um pouco para lá chegarmos.

 

 

Olhando em frente, por cimo da Corga da Vagem, rumo à zona do Mezio, passamos as vistas pelo topo dos montes de Bordença

 

Mas o nosso destino é a Pedrada, tendo de passar antes por perto do Fojo do Lobo. Por isso, seguimos pela margem esquerda da Corga da Vagem, rumo à Fonte das Forcadas, mas desviando-nos mais para a direita.

 

 

Do lado direito da Corga da Vagem está tudo queimado, o fogo veio subindo dos montes de Bordença e veio também dos lados de Travanca e do rio Ramiscal atacando a Pedrada em volta. 

 

 

 

Do lado de lá, o Alto da Pedrada, do lado de cá a subida para a Serrinha e no meio a Corga da Vagem.

 

 

Do cimo da Corga da Vagem, há, para o lado de trás, em direcção à Seida, a Corga das Forcadas, no cimo da qual fica a fonte das Forcadas, famosa noutros tempos, nos dias das montarias ao lobo. Era ali que se juntavam e contavam os lobos abatidos.

 

 

Uma beleza estragada pelos incêndios que de vez em quando varrem o seu solo. Antigamente os gados comiam tudo e os incêndios não eram tão desvastadores

 

 

Quando desço da Pedrada, costumo fazê-lo por essa encosta rumo ao Olho do Avô, onde costumo beber água na sua nascente. Desta vez não fomos lá, passamos mais por cá dessa nascente porque o destino era a fonte da Corga da Vagem. 

 

 

Mas mesmo num mundo de caos, há sempre lugar para o amor, como estes dois que são bem diferentes mas não desperdiçam o momento. Talvez queiram dar origem a outra espécie ou não queiram perder o ímpeto da globalização.

 

 

A Corga da Vagem é a água mais cimeira que passa por Bordença. Mais abaixo há uma grande queda de água que se nota bem a sua espectacularidade durante os invernos chuvosos. Eu já a vi com todo o furor e foi a primeira grande queda de água que vi na minha vida. No fundo do poulo, no meio das urzes verdes que se vêm, nasce mais água. Quando ouvirem falar na fonte da Corga da Vagem é disso que se trata. Vê-la-emos mais tarde. Mas há outras nascentes mais acima, no meio das urzes. É aí que a corga toma nome. Essa corga tem sempre água. Mas a nossa fonte, aquela onde matamos a sede, é no fundo do poulo, na margem esquerda.

 

 

Por trás da montanha queimada fica Sistelo. Entre aquela montanha e a encosta que sobe até à Pedrada, fica o rio Ramiscal 

 

 

Agora caminhávamos em direcção às Forcadas. Aqui, uma zona protegida por outro incêndio anterior ...

 

 

... mas vamos desviar-nos para o Fojo do Lobo. 

 

 

À nossa frente está a Seida e lá na ponta vê-se o estradão que nos pode levar até Sistelo, mas julgo que nem os jipes lá andarão. 

 

 

Caminhando para o Fojo do Lobo, temos à nossa esquerda a Corga das Forcadas. O Jack, já ficou para trás, enquanto eu e o Luis fomos dar a volta e atingir os nossos objectivos. Ele foi para a Fonte da Corga da Vagem, sentar-se à sombra das urzes que escaparam ao incêndio, devido à água e colocar o vinho e as cervejas no "frigorífico natural", para quando nós chegássemos estarem fresquinhas. Pelo menos foi assim que foi combinado! 

 

 

Já estamos por cima da Brusca e vamos virar à esquerda rumo ao Fojo do Lobo. Esta parte da montanha não ardeu porque tinha havido uma queimada anterior que, devido à pequenez do mato, fez de corta-fogo. Mas só a minha objectiva o alcança, porque nós continuamos sobre cinzas.

 

 

O muro do lado de cá está escondido pelo cabeço à nossa esquerda e nós temos de descer isto tudo até nos aproximarmos do buraco do Fojo.

 

 

Nós vamos para esquerda, mas eu aponto a objectiva para a direita na descida rumo à Peneda.

 

 

Saltando de rocha em rocha, com passada larga,  descemos um monte que bem nos vai custar a subir depois. Mas nós já sabemos disso. Não vamps ser enganados!

 

 

Sobre rochas e sobre cinzas, num trajecto bem difícil até em circunstâncias normais. E vamos  ter de subir tudo, outra vez. Quem corre por gosto não cansa. Toniflex foi a minha sorte, indicada pelo avô do Tomás. Resultou! A minha coluna foi completamente recauxutada e mais parecia de um jovem de 20-30 anos.

 

 

Não sei porquê, mas acho que no nosso espírito, está a aprendizagem que fizemos com as cabras ao caminharmos nestes solos rochosos.

 

 

E ei-nos relativamente perto do buraco do Fojo do Lobo. Nós não, a objectiva sim! Mas não valia a pena descer mais, porque a descida é difícil e a subida nem se fala. Não vai haver piedade! Para mais, atendendo ao facto do meu companheiro de caminhada não ter vara e eu andar por ali de bengala. Foi a única coisa que tinha à mão! Não quis acordar ninguém em Adrão para pedir um cajado e a única pessoa a quem a podia pedir, porque estava acordada, o sogro do Luis, esqueceu-me completamente, mas tinha a bengala no carro e aproveitei-me dela. Uma maravilha e uma novidade nas minhas montanhas.

 

 

 A subida começou. Mas ainda não disse tudo! Andei nas minhas montanhas com uns sapatos que mais pareciam de toilete. Eles fartaram-se de ser testados, noutras serras e noutros montes e fiz-lhe uma promessa. Lembro-me sempre da ida de uma Mocho linda, que andava por aqui, até Las Vegas. Ela comprou os bilhetes para Las Vegas e a dona do meu Quico comprou-me uns Worldland. Acertou em cheio! E eu que prometi aos meus sapatos que os levaria comigo à Pedrada e vejam lá que, depois de esgaçar matos sem fim e agora carbonizados, rochas negras e arestadas, ainda hoje andaram a passear-me, em Sintra. Que belos sapatos!

 

 

O Fojo do Lobo já está a ficar para trás e nós vamos à procura do nosso monte mais alto e, por isso, mais pertinho do céu!

 

 

Como a subir convém sempre olhar para trás, para vermos o que andamos e não o que falta andar, vamos sempre apreciando as paisagens que ficam à nossa rectagauarda e, numa dessas olhadas, demos de caras com o Poulo de Adrão na serra da Peneda. Fica mesmo no primeiro monte no centro da foto. Era para ali que ia o gado de Adrão pois os de Soajo tinham outro Poulo mais acima. Tudo nas nossas serras era talhado por um direito imanado da caminhada das gentes em conluio com a caminhada dos séculos.

Tudo acaba! Até a transumância dos nossos gados da serra de Soajo para a serra da Peneda, acabou. Falarei disso mais tarde!

 

 

Descendo a Seida, rumo às Brandas das Aveleiras e de St. António, encontramos as serras em direcção de Monção, desfiguradas pelas torres que pretendem captar energia eólica. Vamos ver como a paisagística deste mundo vai ficar com estas transformações! Cá por mim, já está visto!

 

 

Agora de regresso à Pedrada, temos os montes do lado de Sistelo carbonizados pelo mesmo incêndio ...

 

 

 ... e quem vai de Sistelo para os Arcos de valdevez, mais torres para mais captação de energia eólica. Com o tempo, ainda veremos as torres envoltas em matos e a arderem também. Pelo caminho que isto leva, não me admiraria nada de ver senhores caminhando no seu mundo alcatifado de vermelho e outros a dizerem que não lhes compete cortar mato e, enquanto os anos forem passando, irão adiando até ao desfecho final. É assim que vai o nosso mundo!

 

 

Agora sim, vamos voltar à Fonte das Forcadas, por onde passaremos para subir à Pedrada. 

 

 

Não deixo contudo de olhar o Curral do Pai, local onde já assisti à maior luta de bois que alguma vez tinha imaginado. Imaginem esse local cheio de gado, vacas e bois e a disputa destes por uma vaca! Nem em filmes de ficção imaginariam tal! Eu assisti sentado e fui o único espectador humano, pois as vacas tmbém foram espectadoras comigo. Paravam de comer para olhar!

 

 

 As formigas procuram rearrumar a sua nova maneira de viver.

 

 

O Curral do Pai ficou todo esturricado! E, do lado de lá, na montanha de Sistelo vêm-se no fundo daquela corga, carvalhos queimados.

 

 

E os coelhos? Imaginem que vi um cheio de vida, mesmo no alto da Pedrada! O Luis ia pisando o bicho que estava a bater uma sorna entre uma pedra e uma moita pequenas, isoladas, mesmo pertinho do marco geodésico.

 

 

O arco da incerteza. Imaginem que me passou pela cabeça que tinham montado aqui uma ratoeira para apanhar algum bicho. Afinal não era! Era uma vara de urze encurvada tanto quanto pode. Talvez por acção do incêndio! 

 

 

Por causa da dita hipotética ratoeira, o Luis foi dar com a toca de uma raposa, debaixo da urze onde nasce a Fonte das Forcadas. Era só sair da toca e beber a melhor água do mundo! Ainda colocamos a hipótese de se tratar da toca (covil) de uma loba. O esconderijo era perfeito, pois naquele local já há anos que ninguém bebe água e portanto, limitar-se iam a espreitar se havia fonte e como tudo estava destruído, seguiam. Era assim que eu fazia há anos.

 

 

Poderia caber lá uma loba com os seus lobinhos, pois o local da entrada era bem largo e ainda tinha restos de ervas secas, que devido à terra escaparam de arder. Raposa ou lobo não interessa. O animal que estava por ali, terá fugido para bem longe.

 

 

As raizes das urzes ficaram completamete esturricadas.

 

 

Mas a nossa velha fonte ainda existe. Lá está a água! Será que ainda um dia beberei naquela fonte? Acho que só se levar uma enchada e for eu a refazê-la. Quem sabe? 

 

 

A verdade é que na Corga ds Forcadas ainda corre água, mas também é verdade que o lobo já não se poderá lá esconder por muito tempo.

 

 

 Acesso mais fàcil das gentes de Rouças à Seida e vice-versa, para as suas brandas de Gorbelas e Junqueira.

 

 

Saímos da Fonte das Forcadas e iniciamos a subida à Pedrada com a Corga da Vagem à esquerda. 

 

 

Aqui haviam muitas urzes mas à medida que nos aproximávamos da Pedrada haviam zonas sem matos ou matos muito curtos que não arderam por já terem ardido antes. Sempre houve queimadas na nossa serra, mas nunca como esta!

 

 

Mais uma olhada ao início do rio Ramiscal. As águas das Forcadas torcem à esquerda e dirigem-se para o Ramiscal.

 

 

A mata do rio Ramiscal seria uma das mais velhas matas de carvalhos deste belo cantinho lusitano. Nos vales incrustados das montanhas, tal como na Brusca, também haviam carvalhos. Entre o monte de lá e o de cá, fica uma garganta que já atravessei em tempos. Até por baixo dos troncos das giestas, rastejando, rente ao solo,  tive de passar. Nunca mais esqueci esse dia. Foi uma certeza, então, aquela lenga-lenga de «quem se mete por atalhos, mete-se em trabalhos»!

 

 

 Mais uma lage de Nossa Senhora. Acho graça!

 

 

Do lado direito, no centro da foto, vê-se a ponta do muro do Fojo do Lobo do lado de cá, que vai até ao buraco. Aqui enfrentei eu, com 12 anos, por duas vezes, um lobo (pensava eu), mas era uma loba grávida. À primeira vez, ainda estava só, achei que ela ia saltar por cima de mim, mas voltou para trás. Da segunda, talvez salta-se se não fosse o tiro do canhangulo de carregar pela boca do Zé Ribeiro. Vi o lombo da bicha arrepiar-se todo, ficando com os pelos esticados como arames, devido à acção dos bocadinhos de ferro de um pote velho. Aqueles potes da sopa. Se fosse hoje, tinha-a deixado fugir para a Brusca que nunca mais a apanhavam. Essa loba foi meu pai que a matou, nesse dia. 

 

 

Na Seida, no meio dessa foto correm riachos de água que se dirigem para o rio Vez. Haviam noutros tempos, por lá, muitas trutas. Hoje não sei. 

 

 

A Lage de Nossa Senhora vista de cima, do lado da Pedrada. Aqui também não havia mato para arder.

 

 

E eis-nos no delicioso monte a que chamamos Pedrada, o pico mais alto da serra de Soajo a que  muitos nabos, do Norte e arredores, já chamam Peneda. Há malta que nasce apenas para deturpar as coisas. Não sabem fazer mais nada!

 

 

 Agora o marco geodésico, com uma vassoura, em cima, mais pertinho ... Como raio foi parar ali uma vassoura? Eu levei uma bengala. Será que alguém, antes, levou uma vassoura a servir de cajado?

 

 

A torre que lá tinham erguido caída, mas ... 

 

 

... ao lado do marco geodésico, os meus amigos tatuzinhos (os bichinhos de conta), e alguns escaravelhos. 

 

 

 O Luis saltou logo para cima do marco geodésico e, daqui ...

 

 

 ... abraçou o mundo.

Este é o nosso Evereste, o marco da nossa existência, da nossa alegria. O centro do nosso mundo.

 

 

Agora vamos ver como fazemos a descida, mas antes de a iniciar, esta bela borboleta, Macho Machon, deseja-me boa viagem e que um dia regresse para ver esvoaçar na mesma ou com melhor esperança, a sua prole. Vamos descer da Pedrada pela parte detrás. Vamos ver as pedras que a filha de um rei ali mandou colocar para fazer um palácio! Nessa altura eu deveria andar por outros azimutes! Mas é uma lenda gira para explicar as tramas que a Natureza tece.

 

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

O Quico e o Ventor

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Luiz Franqueira e o Quico

O Ventor nos tempos das grandes caminhadas gélidas, a luta contra o frio, era a maior das prioridades

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A Virgem Maria caminha entre nós

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Um vitral na Catedral de Notre Dame

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A Sepultura Sagrada

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Um Monumento em Jericó

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