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05
Set06

Pedrada - do Muranho à Pedrada

Luiz Franqueira - Ventor

Topo da serra de Soajao. A minha serra, vista por cima!

Depois de subirmos aquela encosta do Muranho, logo no cimo, topamos com os montes que não vemos caminhando na estrada, nem enquanto subimos. Agora olhamos a nossa serra, por cima, mas não deixamos de deitar o olho em redor.

Vou mostrar-vos o que vemos a caminho da Pedrada depois de atingirmos o espaço de onde a vemos sempre, mantendo-se à nossa disposição. Desde o cerro que tem por cabeça o alto da Derrilheira, vamos ver a Pedrada e todo o seu espaço envolvente.

 

 

Depois de atingirmos aquele cerro que vai desde a Serrinha ao Alto da Derrilheira, vemos, lá à frente, o Alto da Pedrada que, com a ajuda da minha teleobjectiva parece em frente do nosso nariz, mas ainda falta um pouco para lá chegarmos.

 

 

Olhando em frente, por cimo da Corga da Vagem, rumo à zona do Mezio, passamos as vistas pelo topo dos montes de Bordença

 

Mas o nosso destino é a Pedrada, tendo de passar antes por perto do Fojo do Lobo. Por isso, seguimos pela margem esquerda da Corga da Vagem, rumo à Fonte das Forcadas, mas desviando-nos mais para a direita.

 

 

Do lado direito da Corga da Vagem está tudo queimado, o fogo veio subindo dos montes de Bordença e veio também dos lados de Travanca e do rio Ramiscal atacando a Pedrada em volta. 

 

 

 

Do lado de lá, o Alto da Pedrada, do lado de cá a subida para a Serrinha e no meio a Corga da Vagem.

 

 

Do cimo da Corga da Vagem, há, para o lado de trás, em direcção à Seida, a Corga das Forcadas, no cimo da qual fica a fonte das Forcadas, famosa noutros tempos, nos dias das montarias ao lobo. Era ali que se juntavam e contavam os lobos abatidos.

 

 

Uma beleza estragada pelos incêndios que de vez em quando varrem o seu solo. Antigamente os gados comiam tudo e os incêndios não eram tão desvastadores

 

 

Quando desço da Pedrada, costumo fazê-lo por essa encosta rumo ao Olho do Avô, onde costumo beber água na sua nascente. Desta vez não fomos lá, passamos mais por cá dessa nascente porque o destino era a fonte da Corga da Vagem. 

 

 

Mas mesmo num mundo de caos, há sempre lugar para o amor, como estes dois que são bem diferentes mas não desperdiçam o momento. Talvez queiram dar origem a outra espécie ou não queiram perder o ímpeto da globalização.

 

 

A Corga da Vagem é a água mais cimeira que passa por Bordença. Mais abaixo há uma grande queda de água que se nota bem a sua espectacularidade durante os invernos chuvosos. Eu já a vi com todo o furor e foi a primeira grande queda de água que vi na minha vida. No fundo do poulo, no meio das urzes verdes que se vêm, nasce mais água. Quando ouvirem falar na fonte da Corga da Vagem é disso que se trata. Vê-la-emos mais tarde. Mas há outras nascentes mais acima, no meio das urzes. É aí que a corga toma nome. Essa corga tem sempre água. Mas a nossa fonte, aquela onde matamos a sede, é no fundo do poulo, na margem esquerda.

 

 

Por trás da montanha queimada fica Sistelo. Entre aquela montanha e a encosta que sobe até à Pedrada, fica o rio Ramiscal 

 

 

Agora caminhávamos em direcção às Forcadas. Aqui, uma zona protegida por outro incêndio anterior ...

 

 

... mas vamos desviar-nos para o Fojo do Lobo. 

 

 

À nossa frente está a Seida e lá na ponta vê-se o estradão que nos pode levar até Sistelo, mas julgo que nem os jipes lá andarão. 

 

 

Caminhando para o Fojo do Lobo, temos à nossa esquerda a Corga das Forcadas. O Jack, já ficou para trás, enquanto eu e o Luis fomos dar a volta e atingir os nossos objectivos. Ele foi para a Fonte da Corga da Vagem, sentar-se à sombra das urzes que escaparam ao incêndio, devido à água e colocar o vinho e as cervejas no "frigorífico natural", para quando nós chegássemos estarem fresquinhas. Pelo menos foi assim que foi combinado! 

 

 

Já estamos por cima da Brusca e vamos virar à esquerda rumo ao Fojo do Lobo. Esta parte da montanha não ardeu porque tinha havido uma queimada anterior que, devido à pequenez do mato, fez de corta-fogo. Mas só a minha objectiva o alcança, porque nós continuamos sobre cinzas.

 

 

O muro do lado de cá está escondido pelo cabeço à nossa esquerda e nós temos de descer isto tudo até nos aproximarmos do buraco do Fojo.

 

 

Nós vamos para esquerda, mas eu aponto a objectiva para a direita na descida rumo à Peneda.

 

 

Saltando de rocha em rocha, com passada larga,  descemos um monte que bem nos vai custar a subir depois. Mas nós já sabemos disso. Não vamps ser enganados!

 

 

Sobre rochas e sobre cinzas, num trajecto bem difícil até em circunstâncias normais. E vamos  ter de subir tudo, outra vez. Quem corre por gosto não cansa. Toniflex foi a minha sorte, indicada pelo avô do Tomás. Resultou! A minha coluna foi completamente recauxutada e mais parecia de um jovem de 20-30 anos.

 

 

Não sei porquê, mas acho que no nosso espírito, está a aprendizagem que fizemos com as cabras ao caminharmos nestes solos rochosos.

 

 

E ei-nos relativamente perto do buraco do Fojo do Lobo. Nós não, a objectiva sim! Mas não valia a pena descer mais, porque a descida é difícil e a subida nem se fala. Não vai haver piedade! Para mais, atendendo ao facto do meu companheiro de caminhada não ter vara e eu andar por ali de bengala. Foi a única coisa que tinha à mão! Não quis acordar ninguém em Adrão para pedir um cajado e a única pessoa a quem a podia pedir, porque estava acordada, o sogro do Luis, esqueceu-me completamente, mas tinha a bengala no carro e aproveitei-me dela. Uma maravilha e uma novidade nas minhas montanhas.

 

 

 A subida começou. Mas ainda não disse tudo! Andei nas minhas montanhas com uns sapatos que mais pareciam de toilete. Eles fartaram-se de ser testados, noutras serras e noutros montes e fiz-lhe uma promessa. Lembro-me sempre da ida de uma Mocho linda, que andava por aqui, até Las Vegas. Ela comprou os bilhetes para Las Vegas e a dona do meu Quico comprou-me uns Worldland. Acertou em cheio! E eu que prometi aos meus sapatos que os levaria comigo à Pedrada e vejam lá que, depois de esgaçar matos sem fim e agora carbonizados, rochas negras e arestadas, ainda hoje andaram a passear-me, em Sintra. Que belos sapatos!

 

 

O Fojo do Lobo já está a ficar para trás e nós vamos à procura do nosso monte mais alto e, por isso, mais pertinho do céu!

 

 

Como a subir convém sempre olhar para trás, para vermos o que andamos e não o que falta andar, vamos sempre apreciando as paisagens que ficam à nossa rectagauarda e, numa dessas olhadas, demos de caras com o Poulo de Adrão na serra da Peneda. Fica mesmo no primeiro monte no centro da foto. Era para ali que ia o gado de Adrão pois os de Soajo tinham outro Poulo mais acima. Tudo nas nossas serras era talhado por um direito imanado da caminhada das gentes em conluio com a caminhada dos séculos.

Tudo acaba! Até a transumância dos nossos gados da serra de Soajo para a serra da Peneda, acabou. Falarei disso mais tarde!

 

 

Descendo a Seida, rumo às Brandas das Aveleiras e de St. António, encontramos as serras em direcção de Monção, desfiguradas pelas torres que pretendem captar energia eólica. Vamos ver como a paisagística deste mundo vai ficar com estas transformações! Cá por mim, já está visto!

 

 

Agora de regresso à Pedrada, temos os montes do lado de Sistelo carbonizados pelo mesmo incêndio ...

 

 

 ... e quem vai de Sistelo para os Arcos de valdevez, mais torres para mais captação de energia eólica. Com o tempo, ainda veremos as torres envoltas em matos e a arderem também. Pelo caminho que isto leva, não me admiraria nada de ver senhores caminhando no seu mundo alcatifado de vermelho e outros a dizerem que não lhes compete cortar mato e, enquanto os anos forem passando, irão adiando até ao desfecho final. É assim que vai o nosso mundo!

 

 

Agora sim, vamos voltar à Fonte das Forcadas, por onde passaremos para subir à Pedrada. 

 

 

Não deixo contudo de olhar o Curral do Pai, local onde já assisti à maior luta de bois que alguma vez tinha imaginado. Imaginem esse local cheio de gado, vacas e bois e a disputa destes por uma vaca! Nem em filmes de ficção imaginariam tal! Eu assisti sentado e fui o único espectador humano, pois as vacas tmbém foram espectadoras comigo. Paravam de comer para olhar!

 

 

 As formigas procuram rearrumar a sua nova maneira de viver.

 

 

O Curral do Pai ficou todo esturricado! E, do lado de lá, na montanha de Sistelo vêm-se no fundo daquela corga, carvalhos queimados.

 

 

E os coelhos? Imaginem que vi um cheio de vida, mesmo no alto da Pedrada! O Luis ia pisando o bicho que estava a bater uma sorna entre uma pedra e uma moita pequenas, isoladas, mesmo pertinho do marco geodésico.

 

 

O arco da incerteza. Imaginem que me passou pela cabeça que tinham montado aqui uma ratoeira para apanhar algum bicho. Afinal não era! Era uma vara de urze encurvada tanto quanto pode. Talvez por acção do incêndio! 

 

 

Por causa da dita hipotética ratoeira, o Luis foi dar com a toca de uma raposa, debaixo da urze onde nasce a Fonte das Forcadas. Era só sair da toca e beber a melhor água do mundo! Ainda colocamos a hipótese de se tratar da toca (covil) de uma loba. O esconderijo era perfeito, pois naquele local já há anos que ninguém bebe água e portanto, limitar-se iam a espreitar se havia fonte e como tudo estava destruído, seguiam. Era assim que eu fazia há anos.

 

 

Poderia caber lá uma loba com os seus lobinhos, pois o local da entrada era bem largo e ainda tinha restos de ervas secas, que devido à terra escaparam de arder. Raposa ou lobo não interessa. O animal que estava por ali, terá fugido para bem longe.

 

 

As raizes das urzes ficaram completamete esturricadas.

 

 

Mas a nossa velha fonte ainda existe. Lá está a água! Será que ainda um dia beberei naquela fonte? Acho que só se levar uma enchada e for eu a refazê-la. Quem sabe? 

 

 

A verdade é que na Corga ds Forcadas ainda corre água, mas também é verdade que o lobo já não se poderá lá esconder por muito tempo.

 

 

 Acesso mais fàcil das gentes de Rouças à Seida e vice-versa, para as suas brandas de Gorbelas e Junqueira.

 

 

Saímos da Fonte das Forcadas e iniciamos a subida à Pedrada com a Corga da Vagem à esquerda. 

 

 

Aqui haviam muitas urzes mas à medida que nos aproximávamos da Pedrada haviam zonas sem matos ou matos muito curtos que não arderam por já terem ardido antes. Sempre houve queimadas na nossa serra, mas nunca como esta!

 

 

Mais uma olhada ao início do rio Ramiscal. As águas das Forcadas torcem à esquerda e dirigem-se para o Ramiscal.

 

 

A mata do rio Ramiscal seria uma das mais velhas matas de carvalhos deste belo cantinho lusitano. Nos vales incrustados das montanhas, tal como na Brusca, também haviam carvalhos. Entre o monte de lá e o de cá, fica uma garganta que já atravessei em tempos. Até por baixo dos troncos das giestas, rastejando, rente ao solo,  tive de passar. Nunca mais esqueci esse dia. Foi uma certeza, então, aquela lenga-lenga de «quem se mete por atalhos, mete-se em trabalhos»!

 

 

 Mais uma lage de Nossa Senhora. Acho graça!

 

 

Do lado direito, no centro da foto, vê-se a ponta do muro do Fojo do Lobo do lado de cá, que vai até ao buraco. Aqui enfrentei eu, com 12 anos, por duas vezes, um lobo (pensava eu), mas era uma loba grávida. À primeira vez, ainda estava só, achei que ela ia saltar por cima de mim, mas voltou para trás. Da segunda, talvez salta-se se não fosse o tiro do canhangulo de carregar pela boca do Zé Ribeiro. Vi o lombo da bicha arrepiar-se todo, ficando com os pelos esticados como arames, devido à acção dos bocadinhos de ferro de um pote velho. Aqueles potes da sopa. Se fosse hoje, tinha-a deixado fugir para a Brusca que nunca mais a apanhavam. Essa loba foi meu pai que a matou, nesse dia. 

 

 

Na Seida, no meio dessa foto correm riachos de água que se dirigem para o rio Vez. Haviam noutros tempos, por lá, muitas trutas. Hoje não sei. 

 

 

A Lage de Nossa Senhora vista de cima, do lado da Pedrada. Aqui também não havia mato para arder.

 

 

E eis-nos no delicioso monte a que chamamos Pedrada, o pico mais alto da serra de Soajo a que  muitos nabos, do Norte e arredores, já chamam Peneda. Há malta que nasce apenas para deturpar as coisas. Não sabem fazer mais nada!

 

 

 Agora o marco geodésico, com uma vassoura, em cima, mais pertinho ... Como raio foi parar ali uma vassoura? Eu levei uma bengala. Será que alguém, antes, levou uma vassoura a servir de cajado?

 

 

A torre que lá tinham erguido caída, mas ... 

 

 

... ao lado do marco geodésico, os meus amigos tatuzinhos (os bichinhos de conta), e alguns escaravelhos. 

 

 

 O Luis saltou logo para cima do marco geodésico e, daqui ...

 

 

 ... abraçou o mundo.

Este é o nosso Evereste, o marco da nossa existência, da nossa alegria. O centro do nosso mundo.

 

 

Agora vamos ver como fazemos a descida, mas antes de a iniciar, esta bela borboleta, Macho Machon, deseja-me boa viagem e que um dia regresse para ver esvoaçar na mesma ou com melhor esperança, a sua prole. Vamos descer da Pedrada pela parte detrás. Vamos ver as pedras que a filha de um rei ali mandou colocar para fazer um palácio! Nessa altura eu deveria andar por outros azimutes! Mas é uma lenda gira para explicar as tramas que a Natureza tece.

 

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

02
Set06

Pedrada - Da Coroa ao Muranho

Luiz Franqueira - Ventor

Subir ao Alto da Pedrada, desde Adrão, rumo à Portela, Lameiras, Naia, Muranho, caminhando 9 horas sobre cinzas.

Trilhos? Por entre cada duas moitas das minhas Montanhas Lindas, há um trilho, esse sim, bem juntinho do céu.

Após uma primeira vista até aos horizontes visíveis das estradas do Mezio para Adrão e Paradela, do lado oposto à queimada, nada mais sabia além do que a vista alcançava. O que estava para lá do horizonte?

Houve que ir ver o que realmente se passava para lá dessa linha e em 24 de Agosto de 2006, três sortudos, decidimos atravessar para lá dela.

À primeira vista, tudo muito mal planeado, como sempre, seríamos 5 a caminhar rumo à Pedrada. Saí dos Arcos com o Jack, que tinha prometido ainda em França, ir comigo à Pedrada, tal como o fizera há 16 anos. Deitara-se às 4 horas da manhã e levantou-se às 6, quando eu estava a tomar o pequeno almoço. Quis levar o carro dele para não adormecer dos Arcos até Adrão. A caminho de Adrão, vimos nascer o sol nos picos da nossa serra.

Entrei em Adrão e fomos logo avisados que, dos cinco, dois tinham desistido e fomos à procura do 3º, o Luis, irmão do Joaquim Perricho que, noutros tempos, chamávamos "Pequeno", embora ele fosse da nossa altura. Era o pequeno, porque o primo dele era o Grande, exactamente por ser o mais velho. Indicaram-nos a casa onde estaria e veio o sogro à porta. «Tu és o Ventor»? Sou! «O Luis não está, pá, ficou na Barca, para a festa. Ele não me disse que ia à Pedrada»!

Resolvemos partir eu e o Jack que me perguntou qual o melhor sítio para deixar o carro. Eu disse que seria na Casa Abrigo da Coroa porque, subir à Pedrada, só teria interesse se caminhássemos o máximo. Deixamos o carro e partimos.

 

 

Quando passávamos na estrada, vi-mos o Alto da Derrilheira iluminado pelo meu amigo Apolo e apresentava-se lindo como se estivesse vestido da alvura branca de um rigoroso inverno cheio de neve, à moda antiga. Apolo iluminava as minhas lindas montanhas e reflectia-se sobre as cinzas.

 

 

O Alto da Derrilheira visto da Coroa, por cima do Poulo da Férrea. O Sol caminha montanhas abaixo e nós vamos caminhar montanhas acima.

 

 

Encostado o carro, só faltaram as "rainhas das montanhas" (como diz o filho do "Pequeno") dizerem-nos que não sabíamos para onde íamos. Elas tinham fugido de lá! O Inferno ainda lá estava, em cima. Uma das coisas mais belas pela minha vida fora, é ver as "rainhas das montanhas" deitadas entre os fetos, nos seus poulos preferidos.

 

 

Deixando para trás aquelas belezas, iniciamos a caminhada por um dos caminhos de Santiago que de Adrão se dirige para a Peneda, rumo a Santiago. Acredito plenamente que por aqui passou muito boa gente e não me admiraria nada se as bases desta calçada fossem romanas!

 

 

O Jack, pouco habituado a estas situações, tem aqui o seu Arco de Triunfo. Os louros, aqui, são as urzes e Adrão tinha (tem ainda?) bons loureiros lá no fundo da Assureira.

 

 

A calçada continua à nossa frente, um bom caminho de treino porque nos montes da serra de Soajo as pedras serão bem maiores.

 

 

Aqui, os romeiros que se dirigiam à Peneda, e outros caminhantes solitários ou apoiados em montadas, faziam baixar os calores de verão bebendo da sua água. É a Fonte do Ouro. Por alguma razão terá sido! Depois só no lado oposto da Portela junto a Tibo haverá água, ou, então, afastada do caminho.

 

 

Era aqui, no Fojo, que eu deixava o meu ZX dos Diabos, à sombra destas canecipes, onde ficava a ver-me subir até passar a linha do horizonte.

 

 

Desde a Coroa e depois destas canecipes até este cruzeiro, na Portela, foi uma boa arrancada, encosta acima, e logo ao nascer do sol já a transpiração tomava posse de nós.

 

 

 

Mas à vista deslumbrante das montanhas da Peneda, Rouças e Gavieira, só nos resta apreciar o que temos pela frente, ainda mal iluminadas, mas mesmo assim, lindas.

 

 

Voltei-me para o local de onde havia chegado e projectei o cruzeiro sobre a serra Amarela e o Gerês.

 

 

A Senhora da Peneda está lá ao fundo do lado direito e já me tinha dito: «olá Ventor»!

 

 

Voltados para terras de Espanha, podemos verificar que as nossas montanhas se prolongam nas deles e vice-versa.

 

 

Voltados para trás, lá está Adrão, ainda a dormir, mas já vimos, na passagem, gente a regar o milho, pouco, mas tão belo como outrora. 

 

 

Frente a Adrão estão as nossas outras montanhas, mais baixas, mas lindas também. Foi para lá que fugiram os garranos e as "rainhas das montanhas". É nesses montes que os gados que desceram da serra, fugindo ao inêndio, vão procurar sobreviver. Ali se trava, de momento, a luta, gado-lobos! Essas montanhas estão enquadradas por Adrão, Cunhas, Paradela e Várzea. Se fosse noutros tempos que a serra ardesse, as pessoas teriam de vender os seus gados ao desbarato. Hoje não sei. É muito menos!

 

 

A serra de Soajo era linda pelos gados que albergava no seu seio. As rezes de Adrão e de Rouças limpavam tudo por onde andavam. Hoje era só matos. Tojo, urze, carqueja, carrascas, fetos ... Mas se não tivesse ardido, o pouco gado existente ainda era suficiente para a embelezar.

 

 

Mas nós, os dois caminhantes, passamos a ser três! O Luis mandou a festa da Barca às malvas, meteu-se no carro e só parou nas Lameiras, onde nos encontrou. Lá está a viatura no meio dos fetos, como uma "rainha da montanha". Só que esta é de metal. Não come ervas.

 

 

Olhando em frente, à nossa direita, temos a Brusca toda queimada. Nos vales dessas rochas que eu já fiz a pé mais que uma vez e uma delas com o pai do Tomás, ainda miúdo, existiam carvalhos e entre eles, fetos com mais de dois metros de altura. Era uma zona de víboras e o local privilegiado da criação de lobos. Era ali que as lobas iam parir. Não sei se as víboras sobreviveram à asfixia dos fumos quando escondidas nos buracos.

 

 

Esta Montnha derrapou durante os milénios! Agora vamos subir isto tudo para passarmos para trás, mas continuemos ...

 

 

Além das flores e das borboletas, já temos ervas a rebentar. Para o ano, se tudo correr bem, já verei os garranos e as "rainhas das montanhas" a caminhar nas minhas montanhas lindas. Infelizmente, não terão as urzes para lhes fazer sombra e servirem de abrigo contra as moscas. As urzes, para os gados, são uma preciosidade, além de alimento.

 

 

As belezas das nossas montanhas não têm fim e para os que não as conhecem, cada lugarzinho é uma raridade! Dá a impressão que ali cabe o Mundo.

 

 

Como em todo o lado, também ali há a dualidade entre a vida e a morte. A luta pela vida também existe nas minhas Montanhas Lindas!

 

 

 

 

 

Há termos que já me escaparam e entre eles este - a Lage de Nossa Senhora! O Luis recordou-me que é assim que estes locais são recordados. Eles são locais sagrados, aqueles onde os nossos antepassados faziam imagens para comunicar com os vindouros e nossa Senhora protege esses lugares! Por isso, são as lages de Nossa Senhora. Explicação simples para coisas complicadas.

 

 

 

Por aqui passou o terror!

 

 

O Poulo da Ferrada, local onde mais modernamente, se passou a marcar o gado. Encostado ao primeiro poste, do lado esquerdo, está uma mota.

 

 

 

Mas nós não estamos sós nesta caminhada. Há mais uma viatura e uma mota no nosso caminho. No entanto nunca vimos ninguém. Devem de andar à procura de gado que falta, não vá estar esturricado pelo incêndio.

 

 

Vemos ao longe o Fojo do Lobo. Dois muros partem de locais distintos no meio da serra e que se encontram num buraco redondo, cheio de emoçoes e lutas entre homens e lobos.

 

 

Mais uma espreitadela para os montes de Tibo e da Peneda. Em Tibo, o fogo parou devido ao mato curto de um incêndio anterior e à humidade da chuvada que se aproximava. Os gados de Tibo ainda se safam lá por baixo.

 

 

O maior cortelho do Muranho. Os chamados "iglos de pedra", onde nossos avós se defenderam de frios terríveis, pequenos nevões e dos lobos maus.

 

 

Atravessamos o Poulo do Muranho e os seus cortelhos dirigindo-nos sempre para a sua fontinha de águas geladas.

 

 

Mas na minha caminhada terei sempre de homenagear os meus velhos amigos e não esquecer que os que sobreviveram passaram pelo inferno. «Já tenho muitas flores, Ventor e o nosso mundo vai renascer das cinzas» - disse-me esta borboleta!

 

 

Outra perspectiva mais alargada do Muranho e das encostas que nos levarão à Pedrada, depois de bebermos na sua fonte. Essa encosta por cima do Muranho é difícil de subir. O caminho é mau e a pausa para beber água, derruba-nos.

 

 

O Jack, estoirado de uma noitada de festas e de outras anteriores, deve achar que eu e o Luis sofremos de paranoia ao observarmos, tim por tim, todos os cantinhos das nossas montanhas. Ele não imagina o significado que elas têm para nós, mas o mundo na sua rodagem eterna obrigou-nos a seguir outros rumos e guardá-las apenas nos nossos corações, limitando-nos a esperar sempre estes momentos de encontro e nunca saberemos quando um deles será o último.

 

 

Outro cortelho. Estes cortelhos também serviam, noutros tempos, para guardar os vitelos das presas dos lobos, durante as noites.

 

 

Não imaginamos a idade destes cortelhos, mas serão muito velhos, concerteza.

 

 

O gado deitava-se no poulo de noite e de dia, sempre que queria descansar. Juntavam-se ali depois de encherem a barriga durante as manhãs, pela fresca, pelas encostas em volta, voltando para dormir ao sol ou entre as urzes se estivesse calor. Cheguei a ver por ali dezenas de cabeças de gado só em seu redor. Depois chegavam-se para matar a sede e descansarem com a barriga cheia de comer e de água. Numa das minhas últimas caminhadas ao Alto da Pedrada, vi ali 22 vacas deitadas. Agora imaginem nos tempos que as rainhas das montanhas ocupavam todos os recantos da nossa serra, durante os meses de verão.

 

 

Caminhando no Muranho nós, as nossas sombras e as sombras do passado!

 

 

O Jack ficou para trás a apreciar a paisagem. Ele sabe o meu lema. «Subir à Pedrada, sempre a olhar para trás»!

 

 

Sentou-se logo junto à fontinha. Ele nasceu na América mas o seu sangue é de Adrão!

 

 

O Luís está encantado com a sua garrafa de vinho tinto que irá colocar num belo frigorífico natural. Noutros tempos, não tínhamos por hábito passear garrafas de vinho pelas nossas fontes. Agora, o vinho e a cerveja são companheiros de qualquer caminhante. Só espero que as levem e voltem a carregá-las vazias, na volta. Conspurcar montanhas é um crime, ou deveria ser, e isso, nós, não fazemos. Até os biodegradáveis como cascas de laranja, bananas, coiratos do presunto e outros restos, devem regressar, para os que nos seguirem no encalço, encontrem tudo limpo. Além disso, agora, não há animais para os comerem. Nem os javalis lá ficaram!

 

 

Dentro de momentos estará gelada, à temperatura da água. Foram momentos de sacrifício e de beleza, pois é um sacrifíco caminhar numa serra queimada, mas nós sabemos da existência das suas belezas intrínsecas. Além disso, nós queremos a nossa serra viva! As nossas caminhadas servem para isso mesmo!

 

 

Recordar estes cantinhos fazem parte das belezas da nossa vida, porque nós fomos forjados como autênticos montanheiros.

 

 

Agora vamos iniciar a subida da encosta do Muranho, sobre cinzas. E lá por trás? ...

 

 

Mais uma olhada sobre a Naia!

 

 

Sobre um chão de cinzas e de amigos tostados pelas chamas. Eles terão sentido na sua aflição a traição dos homens. Traição pela incúria e pelo desleixo, senão pela malvadez.

 

 

Lá por trás? Vamos ver! Ainda temos muito que caminhar.

Vou continuar a mostrar-vos as montanhas da serra de Soajo, por cima.

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

O Quico e o Ventor


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Luiz Franqueira e o Quico


O Ventor nos tempos das grandes caminhadas gélidas, a luta contra o frio, era a maior das prioridades



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A Virgem Maria caminha entre nós


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Um vitral na Catedral de Notre Dame



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A Sepultura Sagrada



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Um Monumento em Jericó


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