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Como sabem, o Ventor saiu das trevas para caminhar entre as estrelas.
Ele continua a sonhar, caminhando, que as estrelas ainda brilham no céu, que o nosso amigo Apolo ainda nos dá luz e que o nosso mundo continuará a ser belo se os homens tentarem ajudar..



Aqui, no Cantinho do Ventor, vamos sonhando ...


... juntamente com a Wikipédia



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Nestas janelas guardadas pela coruja das neves, a amiga do Ventor no Zoo de Lisboa, podemos espreitar as minhas fotos no Shutterfly ou, então, regressar à Grande Caminhada do Ventor



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Venham com o Pilantras, às músicas do Ventor

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16
Jul11

Diálogo no Chiado

Luiz Franqueira - Ventor

Na nossa caminhada pelo Chiado a 11 de Julho, p.p., concluímos que o tempo foi pouco.

Vindo da Praça Camões, entrei na Igreja dos Italianos, a nossa Igreja do Loreto, do estilo Barroco tardio, pela porta da Rua da Misericórdia, conversei com o Senhor da Esfera e saí para o Largo Do Chiado, dando de caras com a Igreja da Encarnação (inaugurada em 1708, destruída pelo terramoto de 1755 e reconstruída, em 1785). Então, recordei-me das conversas que tive com os "sabidos" no decorrer dos anos, sobre esta bela zona de Lisboa, quando eles me falavam de que, por aqui, entre estas duas igrejas, passavam as muralhas de Lisboa, mandadas construir pelo Rei D. Fernando (séc. XIV) e, ficava, aí, a entrada de Lisboa, a porta das muralhas, conhecida como a porta de Santa Catarina.

 

 

Camões a observar o Largo do Chiado pelo local, entre as igrejas do Loreto, à sua esquerda e a igreja da Encarnação à direita, onde ficava a Porta de Santa Catarina

 

Dentro das portas de Lisboa, desta porta de Santa Catarina, ficava a bela cidade de Lisboa, a cidade fina, cheia de burguesia, de nobreza, da chamada gente de bem mas, fora das portas, do local onde hoje fica a Pç. Camões, para cima, ficava o Bairro Alto, já então, uma zona do chamado povo "ralé", de gente da boémia, por onde existiam tabernas e mulheres da vida (umas libertárias) que, então, ajudavam a animar o bulício de fora de portas, em volta da cidade amuralhada. Ainda hoje, a zona do Bairro Ato, continua a ser uma zona de folia. 

 

Junto à velha Igreja do Loreto (a tal Igreja dos italianos), uma devoção a Nossa Senhora do Loreto, trazida até Portugal pelos italianos, mercadores venezianos e genoveses, cerca de 1200 A.D., ficava uma das torres da porta e a outra torre ficava do lado oposto. Com o tempo, essas torres e muralhas foram sendo destruídas e a torre norte começou a ser destruída na reconstrução da nova Igreja do Loreto, em 1785, 30 anos depois de ter sido destruída pelo terramoto de 1755. Ainda hoje, se podem ver no Centro Comercial Chiado, uma amostra dessas muralhas de D. Fernando.

 

 

Pessoa e o Poeta Chiado, observam do local que já esteve dentro das Muralhas Fernandinas, o Camões do lado de lá da porta de Santa Catarina, o lado boémio

 

Pensando em tudo isso, comecei a ouvir algum alarido à minha esquerda. Ao olhar para o sítio de onde saía o alarido, vi, no meio daquela gente toda, uns sentados nas esplanadas, outros caminhando em todos os sentidos e outros ainda, a tentar observar o que se passava mas, na verdade, a única coisa que sobressaía, era o braço do poeta Chiado, um pouco levantado, a dar as boas-vindas ao Ventor que se aproximava.

 

"Pessoa! Pessoa!... Nandinho"! - gritava o poeta Chiado, o poeta António Ribeiro, nascido, em Évora, e que foi contemporâneo do grande Luís de Camões. Esta estátua foi levantada, em 1925, pela câmara de Lisboa, em homenagem a este mestre do sarcasmo, na mais nobre zona de Lisboa. Ele ficou conhecido como o poeta Chiado, por ter morado ali, pois toda aquela zona, se chamava Chiado (zona de chiadeira, barulhenta, bulício...) até que, no séc. XIX, deram o nome de Rua Garrett, em homenagem a esse grande escritor dessa colectânea poética - Folhas Caídas - e das Viagens na Minha Terra, deixando ficar, o Largo do Chiado.

 

 

O Poeta Chiado, tenta explicar ao Fernando Pessoa, como é belo dar alguns piropos às mulheres lindas, sejam elas estrangeiras ou nacionais

 

 - «O que foi pá»? Perguntou Pessoa. «Já estou farto de te ouvir de noite e de dia. Porque raio se lembraram de me colocar aqui? Eu sei que a culpa foi minha! Falei com um bicho-careta que gostava de ficar aqui às portas da Brasileira e da Havanesa, porque sempre seria melhor encontrar aqui os meus amigos de outros tempos, mesmo os que não foram do meu tempo porque, é aqui o ponto de encontro de todos aqueles que deixaram "mensagens" a Portugal. Mensagens que pouco valeram, mas deixaram! Nem à Mensagem do Grande Camões (Lusíadas e, não só), nem à minha grande "Mensagem" ligaram importância. isto até me parece um país de surdos e cegos. Nem ouvem, nem lêem»!

 

"Está bem, Nandinho! Já sei que agora, mas já é tarde, preferias ter ficado junto da tua velha porta ali atrás, frente ao teatro S. Carlos. Mas lá acabavas por ficar sem alma, pois morrias de solidão. Aqui, eu sei que estás bem vivo, animas a clientela destas montras todas e sempre vais esperando que o Eça, venha do seu cantinho, no Grémio Literário, beber a bica e comprar o charutinho para uns dedos de conversa.

E, quando eles andam por aí, procurando a salvação, sempre podes ir observando a minha técnica do piropo com estas mulheres lindas que por aqui passam, me ouvem, sorriem ou ficam carrancudas e até há algumas com esperança de me fazerem descer daqui à força mas, isso requeria muito trabalho e não vão nisso. É a minha safa"!

 

 

Fernando Pessoa, faz um gesto, com a mão, ao poeta Chiado, a tentar informá-lo que já está farto da conversa dele 

 

"Eu sei que tu te envergonhas com as minhas conversas sarcásticas e chegas a recear que eu volte para o Aljube. Tem calma!

Eu só insistia a chamar-te porque daqui de cima já vi que o Ventor caminha ao nosso encontro, depois de conversar com o Camões e podes crer que quando ele sair com aquela nova carroça puxada por muitos cavalos esquisitos, vai acabar por se meter com o Eça, ao subir a Rua do Alecrim. Dirá mal do bife do Entrecôte e continuará rumo à Amadora, depois de passear o seu malmequer pelo Chiado e nos dizer que continuam a sonhar com isto"!

 

«Está bem! Já sei que o Ventor se vai sentar à minha mesa e o seu malmequer também, mas tu chateias-me e eles não! Ainda meto uma cunha ao Ventor para ver se arranja uma mordaça para te tapar a boca».

"És um desmancha prazeres, Pessoa"!

A conversa daqueles dois acabou por se agudizar e eu acabei por debandar. Mas não sou capaz de passar no Chiado e não ligar àquele poeta Fernando Pessoa e àquele outro que nasceu em Évora e lhe deram o nome de António Ribeiro, depois conhecido como poeta Chiado.

 

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

12
Jul11

Chiado, rumo à Garrett

Luiz Franqueira - Ventor

Na nossa caminhada de ontem, 11 de Julho, dia de S. Bento, pelo Chiado, foi, como foi dito ontem, uma caminhada de sonhos. Descendo do Largo do Calhariz, rumo ao Chiado, cada passada que era dada, ela trazia-nos recordações do nosso passado, quer individual, quer colectivo. Há 50 anos que eu caminhava por ali e, mais uma vez, recordava as minhas primeiras passadas por Lisboa, onde o meu guia, era, muitas vezes, o campanário da Basílica da Estrela nos meus rumos à Av. Infante Santo. 

 

Mas não me recordo há quanto tempo está, por ali, esta peixaria a que chamaram Sea Me. Lá estavam a animar as vistas, uma bóia e, mais preciosa que a bóia, a representação artística de uma imaginada varina que, se fosse real, provavelmente, não voltaria com peixe para casa, nem, certamente seria necessário que alguém se socorresse da bóia, pois como se pode ver, ela teria argumentos para não deixar que algum imprecavido "surfista de solas" das belas ruas da velha Lisboa, se perdesse a lançar os olhos sobre a bóia porque a salvação estaria ao lado.

 

 

Mais abaixo, ao entrar na Pç. Camões, por onde  já tinha passado, à minha esquerda, lá estava uma sucursal do Millennium BCP que, em 1989 era uma das revolucionárias sucursais da então chamada Nova Rede e que para mim é, desde essa altura, protogonista duma das histórias que moldaram parte da minha vida.

Num dia desse ano pagaram-me um empréstimo com um cheque do velho BPA - Banco Português do Atlântico. Era um rectangulozinho de papel que valia, então, os chamados 100 contos.

Para dar sumiço a esse papelinho, entrei na Caixa Geral de Depósitos e disse ao empregado que me atendeu que queria abrir uma "conta poupança habitação" com aquele cheque. O empregado, daqueles trabalhadores rançosos que dá cabo da crista a qualquer galo, tratou de tudo com o afinco que entendeu e, no fim, vira-se para mim e diz-me: "agora, tem de ir ao balcão do BPA, aqui na R. do Ouro e trocar esse cheque por dinheiro e trazê-lo para depositar nesta conta.

Fiquei abismado!

«O senhor acha-me com cara de tanso, igual a si e aos seus patrões, para me obrigar a esperar este tempo todo a abrir uma porcaria de uma conta e diz-me agora que tenho de ir ao BPA transformar o cheque em dinheiro e trazê-lo para cá»?

 

Peguei na caderneta da Caixa Geral de Depósitos, rasguei-a toda e atirei-lha para cima do balcão à sua frente e, quando ele ia para me dizer qualquer coisa .. «não me diga nada. Já saio daqui enojado com esta coisa»!

 

Nesse tempo o BES, não tinha Conta Poupança Habitação, subi à Pç Camões, entrei aquela porta (então verde), dirigi-me ao balcão e disse ao empregado. "Quero abrir uma Conta Poupança Habitação mas, se me vai dizer para ir ao BPA, com o cheque e trazer o dinheiro, é melhor dizer-me já»! "Era o que faltava! Você abre a conta com o cheque. Se fosse ao BPA buscar o dinheiro, ainda podia ser assaltado pelo caminho"!

Que diferença! Tantas foram as inovações que a então Nova Rede fez!

 

Depois de umas conversas com o Fernando Pessoa, uma olhada à Brasileira do Chiado. A mesma visão de há 50 anos!

 

 

A bica na Benard, o enrolamento entre esses pontos chave do Chiado, para baixo, para cima, para a direita, para a esquerda, naquelas passadas cuja sequência as transformam numa caminhada ...

 

 

O bulício do meu "malmequer" com o Paris em Lisboa e, no entretanto, a minha observação pelos candeeiros de velhos tempos e pelas fachadas dos velhos prédios do Chiado debruçados sobre as ruas a observarem quem passa e, certos de que quem passa também os sabe observar. Lá está a velha barcaça que transportou o corpo de S. Vicente, guardado pelos corvos, os meus amigos Vicentes cheios de simbolismo na reconstrução da Lisboa pós mourisca.

 

 

Uma olhada para o lado e eis uma das grandes livrarias de Lisboa - a Livraria Sá da Costa. Cheia de histórias, onde, noutros tempos, eu bisbilhotava todas aquelas prateleiras, sombrias, à procura de livros que me contassem histórias e me agradassem para, mais tarde, na primeira oportunidade, levantar nas bibliotecas municipais porque o tempo e o dinheiro eram poucos e não podiam ser dispersados em livros sem interesse. Deixo aqui esta montra da Sá da Costa, com motivos que se perdem no tempo. Essa mala podia ser a minha mala de outros tempos!

 

 

Mas havia um motivo mais forte, mais abaixo e do lado direito!

Lá vai o meu "malmequer" toda entusiasmada, preparada para entrar na porta a seguir à esquina. Uma porta que faz parte da sua vida e da minha, tantas foram as vezes que lá entramos juntos ou separados. Ali dentro, ela foi uma princesa, até uma rainha! Ali, quando a Livraria Bertrand era uma grande Livraria (instituição ex-líbris do Chiado e de Lisboa) e chegou a dispor de uma Galeria d'Arte, era o meu malmequer responsável por essa actividade, então bem dura. Já estávamos nos tempos escuros que a revolução de Abril nos trouxe. Desempregados, falta de dinheiro para pagar os ordenados, trabalhos mal distribuídos, incertezas de continuar a comer no dia seguinte ...

 

 

Mas foi dentro desta casa que ela conheceu artistas, ministros, embaixadores, presidentes e todos os demais bichos-caretas com instinto e dinheiro pela Arte e pelos livros. Foi dentro desta casa que eu ouvia atributos elogiosos ao seu trabalho, à sua dedicação, à sua simpatia, ... para todo o público.

 

"Desculpe-me, tenho-o visto tão entusiasmado de volta dos meus quadros, quem é o Senhor"?

«Sou marido da moça que acabou de sair por aquela porta»!

"Desculpe-me, mais uma vez, foi o sorriso que ela lhe dirigiu que me levou a fazer-lhe a pergunta. Ela é um encanto de pessoa. Sempre entusiasmada com o trabalho, dedicada para toda a gente. Dou-lhe os parabéns. Tem uma esposa que é um encanto"!

Alice Jorge (foi esposa de Júlio Pomar) era o seu nome. Ofereceu-nos um quadro e disse-me que nunca ninguém lhe fez uma dedicatória tão brilhante como a minha. Engraçado recordar!

Também o Pintor Louis Durdil, meu companheiro de algumas caminhadas, cafés e conversas pelo Chiado, me dizia que adorava o meu malmequer e nos convidou para ir ao seu local de trabalho para fazer o esboço da pintura que eu queria. O Senhor da Esfera não o deixou! Entre outos, tive o prazer de, na 6ª sala, conversar durate um tempinho com o então Presidente do Brasil, José Sarney  e sua esposa, sobre o seu Brasil e os seus Moribondos de Fogo ....

Gostava de falar aqui de toda essa gente, pelo menos, os que formam a pinga na ponta da lança. Dos pintores Nuno Barreto, Nadir Afonso, ... sei lá!

 

Passei por isso tudo, ontem, na Bertrand!

Mas não era a nossa Bertrand. A nossa Bertrand era linda! Os livros arrumados em estantes e mesas clássicas de madeiras de tantos anos, o seu chão em mosaicos de tom vermelho... As suas paredes que não estavam cobertas pelas estantes, mostravam-nos as suas pedras despidas, sempre que as olhávamos, contavam-nos histórias de séculos! Na Galeria Bertrand, havia uma chaminé fabulosa, feita de pedra que encantava toda a gente. Até a escadinha de pedra que dava acesso ao quintal, era encantadora. Ontem passei entre aquelas salas e notei, também, a falta dos imponentes arcos de pedra que faziam a comunicação entre as salas. No lugar dos musaicos, encontrei alcatifas, essa ciganada de chão que, nas circunstâncias, não interessa a ninguém a não ser, aos vendedores de alcatifas.

 

Ontem não vimos nada do que queríamos! Vi as seis salas da Bertrand, forradas de alcatifas, de estantes e mesas, cheias de livros, onde não cabe uma formiga, onde não se vê uma pedra, um pedaço de parede. Que pena!

Estamos a falar de um espaço (livraria), reconhecido pelo Guinness como a Livraria mais antiga do mundo em actividade desde 1732. Foi fundada por Pedro Faure, abrindo portas na Rua Direita do Loreto, em Lisboa.

Em 1755, Pierre Bertrand, genro de Faure, devido ao Terramoto de Lisboa, foi instalar-se junto da Capela de Nossa Senhora das Necessidades. Em 1773, a Bertrand voltou a abrir as portas na reconstruída baixa pombalina. Ontem recordei nomes que, pelo tempo fora, fui ouvindo falar. José Fontana (que se suicidou lá dentro, quando gerente e soube que tinha sido apanhado pela tuberculose), Aquilino Ribeiro, Fernando Namora, Alexandre Herculano, Ramalho Ortigão, ... e outros.

Soube hoje que, actualmente, a Livraria Bertrand é uma empresa do grupo Porto Editora.

 

 

Sagres, a beleza dos mares que enfeita o rio Tejo para alegrar o Ventor, nas suas caminhadas

O Quico e o Ventor


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Luiz Franqueira e o Quico


O Ventor nos tempos das grandes caminhadas gélidas, a luta contra o frio, era a maior das prioridades



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A Virgem Maria caminha entre nós


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Um vitral na Catedral de Notre Dame



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A Sepultura Sagrada



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Um Monumento em Jericó


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